Azul tentou comprar Latam? Entenda o negócio

Azul tentou comprar Latam? Entenda o negócio

A Azul divulgou um comunicado aos acionistas nesta segunda-feira (29) esclarecendo que apresentou uma proposta pela aquisição do Grupo Latam no valor de US$ 5 bilhões no dia 11 de novembro.

De acordo com a proposta, o negócio resultaria em uma nova empresa que teria seu capital compartilhado entre os acionistas da Azul, os atuais credores da Latam em seu processo de recuperação judicial (capítulo 11) e os acionistas que adquirissem o novo capital no aumento de capital da empresa.

No entanto, o negócio foi descartado após a Latam anunciar no último sábado (27) o seu plano de reorganização, que propõe uma injeção de quase US$ 8,2 bilhões na companhia, prevendo a sua saída do processo de recuperação judicial já em 2022.

Latam apresentou plano de recuperação de US$ 8,19 bilhões

COMO A HISTÓRIA COMEÇOU

Tudo começou com a entrada do grupo Latam Airlines no Capítulo 11 (Chapter 11), em maio de 2020. Este mecanismo faz parte da Lei de Falências dos Estados Unidos e garante um prazo maior para que empresas se reorganizem e ainda permite negociar compromissos com arrendedadores de aeronaves e outros credores, algo que não é permitido nas leis de recuperação judicial de outros países, como por exemplo o Brasil.

Em julho, após a falta de ajuda financeira por parte do governo brasileiro, a Latam Brasil, que até então tinha ficado de fora do pedido de recuperação judicial, passou a integrar o processo da holding nos EUA.

Na mesma época, aqui no Brasil, Latam Airlines e Azul iniciaram um acordo de codeshare (ou código compartilhado) aqui no Brasil. O acordo tinha como objetivo recuperar a demanda de passageiros, perdida em meio a pandemia, e trazer mais eficiência para as operações das duas companhias, assim reduzindo os custos e aumentando os passageiros nas rotas operadas.

O acordo, que inicialmente começou em 29 rotas se estendeu para mais de 60. Neste momento começaram a surgir rumores sobre uma eventual fusão entre as duas companhias, mas sem nenhuma prova concreta.

O acordo, porém, teve seu fim anunciado pela Latam em maio deste ano, em meio a expectativa pelo aumento da demanda, com o início da vacinação e redução do número de casos, após a terrível segunda onda.

PRIMEIRO SINAL DE INTERESSE DA AZUL

Após a Latam anunciar o fim da parceria, a Azul emitiu um “comunicado misterioso” ao mercado, falando que a companhia estaria em uma “posição forte para conduzir um processo de consolidação (fusão) no mercado”.

Depois desse recado, a especulação foi enorme no setor e no mercado financeiro, em alguns casos até dando como certo o negócio. Para alguns, uma recuperação melhor que esperado da Azul somada ao momento de recuperação da Latam eram a receita certa para garantir o negócio.

Além do comunicado os meses seguintes foram marcados por declarações e entrevistas de executivos da Azul sugerindo que o negócio seria fechado. No entanto, esta possibilidade sempre foi negada pela Latam.

PLANO DE REORGANIZAÇÃO

Neste sábado, no entanto, foi dado o ponto final (por enquanto no caso). A Latam apresentou uma proposta de reorganização financeira e operacional para garantir sua saída do processo de recuperação judicial e iniciar sua recuperação financeira, apostando na retomada mais consistente do setor aéreo, com o sucesso da vacinação no Brasil e América do Sul.

Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam (Reprodução/Youtube)

Os US$ 8,19 bilhões virão por meio de uma combinação de capital novo, títulos conversíveis e dívida, que permitirá ao grupo sair do Capítulo 11 com a capitalização adequada para executar seu plano de negócios.

O plano prevê que a dívida da companhia após a saída do Capítulo 11 seja estimada em US$ 7,26 bilhões, com uma liquidez de cerca de US$ 2,67 bilhões. Números considerados adequados para executar os planos da companhia com um “futuro financeiro sólido”, de acordo com o CEO da Latam, Roberto Alvo.

O plano será votado em janeiro de 2022, mas já conta com o apoio da maioria dos credores. As principais acionistas, Qatar Airways, Delta Air Lines e a Família Cueto são as grandes investidoras deste novo plano.

E A AZUL?

Em entrevista, o presidente da Azul, John Rodgerson, afirmou que a inestida na Latam ficou “cara demais” e que não foi viável superar um aporte tão grande como o realizado por Qatar Airways, Delta e Família Cueto.

John Rodgerson, presidente da Azul (Reprodução/Youtube)

No comunicado divulgado pela Azul, a empresa afirmou que o negócio proporcionaria um crescimento significativo da malha aérea, com expansão no número de destinos e maior conveniência, produtos e serviços, beneficiando os clientes tanto da Azul como da Latam.

“Esses benefícios gerariam sinergias estimadas em mais de US$ 4 bilhões em valor de mercado incremental acima do plano independente da Latam, o que proporcionaria, portanto, grande criação de valor para os acionistas da Azul e maior recuperação para todos os credores da Latam”, diz o texto.

A Azul ainda afirmou que Azul continuará focando em suas vantagens competitivas exclusivas proporcionadas por sua malha, complementada pelo potencial de crescimento de negócios como a Azul Cargo, Azul Viagens e TudoAzul, e avaliando futuras oportunidades de parceria e consolidação.

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Escrito por Igor Regis

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