JALAPÃO: DESBRAVANDO O TESOURO DO CERRADO BRASILEIRO

Fala viajantes! Tudo em cima com vocês? Primeiro, aceitem minhas desculpas. Precisei me ausentar do EPM por motivos de força maior ainda em janeiro. Entretanto, estou de volta. E com tudo! Neste post damos sequência a minha viagem ao Tocantins. Vamos conversar especificamente sobre o auge e maior propósito da viagem: o Jalapão. 

Jalapão
Dunas do Jalapão

Para acompanhar os demais posts desta série, basta dar uma conferida abaixo:

O QUE É O JALAPÃO

Pois bem, antes de tudo vamos começar… do começo!  
O Jalapão é uma região do cerrado brasileiro encravado no extremo leste do Tocantins. A região engloba vários municípios e inúmeras áreas de preservação. Sendo a principal, naturalmente, o Parque Estadual do Jalapão. A área total do Jalapão é de 34 mil km². Já a região é, por sua vez, considerada uma das mais vastas regiões de vegetação nativa remanescente no Brasil.

Jalapão
Vegetação do cerrado jalapoeiro

O Jalapão é uma região árida e com vários oásis. É cortado por uma enorme gama de rios, riachos e ribeirões. Todos de água límpida e transparente, bem como por chapadões e serras com clima de savana. Além, claro, da paisagem do cerrado, com direito a dunas alaranjadas e belas formações rochosas.
Os três principais municípios da região do Jalapão são Ponte Alta, Mateiros e São Félix. Toda esta região ocupa uma área do tamanho equivalente ao estado de Sergipe. O Jalapão tornou-se parque estadual no ano de 2001. 

COMO PLANEJAR UMA VIAGEM AO JALAPÃO 

Pois bem, a priori não é tarefa simples. De cara, não há aeroporto no Jalapão. A única forma de chegar a região é por via terrestre. Vindo de outros estados, pode-se alugar um carro (muito preferencialmente 4×4) em Palmas. Da capital, segue-se para o Jalapão. A principal via de acesso desde Palmas é a TO-030 até Santa Tereza do Tocantins. Depois segue-se pela TO-130 até Ponte Alta. Vale lembrar que até Ponte Alta o trajeto é todo asfaltado. Entretanto, seguinte a Ponte Alta as estradas são todas em terra batida e areia. 
Objetivamente falando, são itens básicos e indispensáveis a uma viagem ao Jalapão: sungas, shorts, camisetas, chinelo, tênis e óculos escuro. De antemão advirto: por conta da preservação do meio-ambiente, em muitas das atrações (as que envolvem água) não é permitido o uso de protetores solares e repelentes. 
Leve em conta, igualmente, que as atrações muitas vezes são muitos distantes umas das outras. Logo, desbravar o Jalapão por conta própria (e olhe que sou viajante bem raiz) é somente válido com bastante planejamento. Há muitas estradas de terra praticamente sem sinalização e sem sinal de celular. O ideal é fazê-lo com amigos (ou familiares). Assim dilui-se os custos com combustível e aluguel de veiculo 4×4, bem como, principalmente, potenciais riscos. 

Pois bem, levando em conta o que pontuei logo acima, a melhor opção é, sem sombra de dúvidas, seguir para o Jalapão com uma expedição. E foi o que fiz…

ESCOLHENDO UMA AGÊNCIA PARA VISITAR O JALAPÃO

Há inúmeras agências de turismo com vários tipos de pacotes para o Jalapão. Entretanto, quando viajamos sempre queremos o melhor. Ao menos eu costumo buscar o melhor… Depois de uma rápida pesquisa a resposta estava literalmente debaixo do meu nariz. Alias, do laptop!
Nós, do EPM, temos parceria com aquela que é tida como a melhor empresa de expedições para o Jalapão. E não estou fazendo jabá (confira você mesmo as referências). Estou falando da Jalapão 100 Limites.
Super bem rankeada, tem certificado de excelência no Tripadvisor, bem como o selo Traveler’s Choice. 
Jalapão
A empresa opera roteiros de três, quatro e cinco dias. Optei pelo mais completo. Caso contrário não seria eu…. Não me arrependo! 
Muito importante: nos pacote da Jalapão 100 Limites está incluso alguns equipamentos eletrônicos, como GoPro e etc. Basta avisar a empresa com alguma antecedência e tudo certo. Na minha expedição, infelizmente, ninguém avisou… Por outro lado, a empresa desculpou-se e disse que, naquele mês, havia tido falhas técnicas com algumas câmeras e etc. Porém, antes de escrever esta matéria, liguei para o responsável da 100 Limites, em Palmas. Foi-me assegurado que as falhas técnicas foram corrigidas. Mas, vale novamente lembrar: avise a agência que você vai querer dispor dos equipamentos e certifique-se de como funciona a disponibilidade. Fica a dica e convenhamos: é um baita diferencial! 
Para conhecer melhor os roteiros da 100 Limites, acesse o site da empresa
Igualmente, em tempos de pandemia (mesmo já tendo tido Covid-19), rondava-me uma certa preocupação. Entretanto, fiquei bastante satisfeito em perceber que todos os protocolos sanitários e de prevenção ao novo coronavírus estavam sendo seguidos a risca durante a expedição. Outro ponto positivo para a 100 Limites!

ACOMODAÇÃO NO JALAPÃO

A região é um pouco precária de infraestrutura. Especialmente depois que passamos de Ponte Alta. Logo, não espere pousadas de alto luxo. As oferecidas pela Jalapão 100 Limites têm bastante conforto e eles procuram sempre nos acomodar nas melhores dentre elas. Porém, como disse, não há luxo. Apenas conforto: boa cama, bom chuveiro e etc. E acredito, particularmente, que assim que deva ser. Deixa a experiência mais autêntica. 
Por outro lado, a primeira noite é em Ponte Alta. E aí sim. A coisa muda de figura. E o destaque vai para a pousada Águas do Jalapão. Com infraestrutura completa, jantar e café da manhã cinco estrelas, ainda oferece piscina e banho de rio próprio. É lá onde tendem a se hospedar os globais da vida. Como disse, ficamos lá uma noite. O bar é super animado e tem uma variedade enorme de bebidas para todos os gostos. A piscina, logo ao lado, é ponto de encontro! É uma festa só! 
Confiram algumas fotos da Pousada Águas do Jalapão: 
Estevam Pelo Mundo

Estevam Pelo Mundo
Crédito de imagem site da Pousada Águas do Jalapão

PRINCIPAIS PONTOS TURÍSTICOS DO JALAPÃO

O Jalapão surpreende a qualquer um. Encantos e belezas naturais de cair o queixo. Lagoas com águas azuis cristalinas, vegetação rasteira do cerrado, fervedouros de tirar o fôlego. E tudo isso junto à cânions e cachoeiras entocados! O destino superou as minhas expectativas. Que já eram bastante elevadas. Então, simbora descobrir as principais atrações deste tesouro do cerrado brasileiro! 
Jalapão - Dunas

FERVEDOUROS 

Antes de falarmos neles, vamos parar um pouquinho e deixe-me explicar, primeiramente, o que são os tais fervedouros. 
Pois bem, os ditos cujos fervedouros são, na verdade, nascentes de rios subterrâneos (isto mesmo) que não têm espaço para vazão da água. Assim, forma-se uma espécie de piscina natural. A pressão exercida pela força da água, que jorra do lençol freático, faz com que flutuemos o tempo inteiro! O primeiro esboço de reação, tão logo entramos no primeiro fervedouro, pode ser de susto. Entretanto, em seguida logo caímos na maior gargalhada. E os risos não param. É uma sensação estranha, porém, ao mesmo tempo muito gostosa. Com todo esforço que se tente fazer, não se consegue afundar! 

Jalapão - Fervedouro
Crédito de imagem: trilhas e aventuras

Como a pressão é muito intensa, e a camada de areia que cobre o solo é muito fina, a água quebra a resistência terrestre e passa a brotar do chão. Brotam no que chamamos de olho do fervedouro. Neste ponto é onde mais se flutua. Ao tentarmos afundar no olho do fervedouro, temos a impressão de estarmos em uma areia movediça às avessas… Vale destacar, por sua vez, que se dá a este fenômeno o nome Ressurgência.
Igualmente, os fervedouros são cercados por vegetações selvagens abundantes. Assim, garante-se uma bela paisagem natural. Sentimos como se estivéssemos em um oásis de águas cristalinas! Bem, de fato não deixa de ser verdade… 
Agora, vem comigo conhecer os principais fervedouros! 

SALTO

Depois de uma rápida trilha, chega-se ao fervedouro do Salto. O local tem boa infraestrutura. Assim como os demais, é cercado de vegetação nativa. Aos pés do fervedouro, além do deck de madeira, há um enorme pé de buriti… Se passar por lá, fique atento! Além de ser uma bela árvore, inspira alguns cuidados… Vai ou não vai um buriti maduro cai com tudo lá de cima! Fomos avisados pelo guia. Enfim, confira a foto do fervedouro:

Jalapão - Fervedouro
Fervedouro do Salto

BURITI 

Um dos mais conhecidos fica, assim como os demais, próximo a Mateiros e no caminho de São Felix. Tem um tom de água mais esverdeada. Vejam: 
Jalapão - Fervedouro

BURITIZINHO 

De longe, o mais charmoso de todos. Faz lembrar, para as mentes mais criativas, uma espécie de fechadura. A água cristalina é, sem dúvida, um convite para um tibum! Vejam que perfeição da natureza: 
Jalapão
Para chegar até ele, basta percorrer um rápido caminho chamado de Trilha do Prego. 
Jalapão

MACAÚBAS 

De longe, o fervedouro Macaúbas é o mais divertido de todos. Lá, a pressão do lençol freático é maior do que nos demais. Logo, flutua-se e escorrega-se mais! Foi o último fervedouro que visitamos e, sem dúvidas, nos deixou com vontade de quero mais. Este fervedouro não estava no roteiro, entretanto, por ajustes de logística nos foi oferecido. 
Jalapão - Estevam Pelo Mundo

CEIÇA

Cercado por vegetação densa, é pequeno, porém, super aconchegante. A trilha para se chegar até ele não dura 10 minutos. 

BELA VISTA

Ah! Este é de longe um dos mais bonitos e o mais conhecido dos fervedouros. E o que oferece a melhor infraestrutura. Tem até uma espécie de torre de madeira para tirar foto do alto. Logo, é também o mais concorrido. É parada obrigatória para quem visita o Jalapão. Por outro lado, por estar localizado já bem próximo a São Felix, muitas vezes é excluído dos roteiro de menor duração. 
É o maior dentre todos os fervedouros abertos para visitação no Jalapão. Conta com 15 metros de diâmetro de água transparente e absolutamente azul. Confiram: 
Fervedouro Bela Vista - Estevam Pelo Mundo

ALGUNS ADENDOS SOBRE OS FERVEDOUROS

Geralmente, em cada fervedouro há um tempo limite por grupo (geralmente de 15 a 25 minutos). Os guias tendem a combinar entre si a logística da coisa pra que não cheguem todos ao mesmo fervedouro ao mesmo tempo. Por outro lado, caso não haja ninguém na fila atrás do seu grupo, este tempo pode ser estendido. 
Igualmente, a vegetação nativa em volta dos fervedouros garante suas águas sempre limpas e cristalinas. Não há fervedouros sem vegetação nativa ao redor. 
Fervedouro nada tem a ver com ferver…Muita gente vai ao Jalapão imaginando encontrar águas termais nos fervedouros. Porém, ao contrário: a água é fria mesmo! Logo, jogue-se de vez! 
Conforme mencionado acima, nada de protetores solares ou repelentes! A natureza agradece 😉 

CACHOEIRAS

Passamos por algumas cachoeiras. Há muitas no Jalapão. Entretanto, preferi enumerar aqui as que, ao meu ver, foram as principais. Vamos nessa! 

CACHOEIRA DA VELHA 

Uma contramão na expedição. Dos 3 veículos, apenas o que eu estava optou por visitá-la. E valeu super a pena, apesar do tempo de percurso pra chegar até lá: uma hora e meia pra ir e uma hora e meia pra voltar. Três horas de estradas de chão e de areia que nos dava a impressão de estar no meio do nada. Sinal de telefone? Nem pensar! 
Pois bem, tradicionalmente, é o lugar do rafting, que, por conta da pandemia estava suspenso. Mas, o visual é de tirar o fôlego! 

Fica no Rio Novo. É a maior cachoeira do Parque Estadual do Jalapão. Mesmo na época da estiagem, mantém grande volume de queda d’água. Possui duas quedas em formato de ferradura com cerca de 100 metros de largura e 15 de queda livre. Olhando de cima seu formato parece o mapa do Brasil. Há uma grande passarela, junto a um mirante, onde pode se observar de distância segura a cachoeira e a mata ao redor. Não é permitido banho por razões de segurança, uma vez que o volume da água é bastante grande e revolto.

Foto tirada da trilha junto a cachoeira. O local é seguro e há barreiras de contenção

Reza a lenda que seu nome se deve a uma mulher que vivia nas proximidades da cachoeira e amava muito suas águas. Depois do seu falecimento, seu espírito permaneceu no lugar. Os locais juram isso de pé junto e, ai de quem duvidar. 

CACHOEIRA DO FORMIGA 

A mais simpática de todas. Pequena, com uma correnteza e tanto (nada comparado a Cachoeira da Velha). Igualmente, sensacional para banho. A piscina em volta da queda d’água, com águas azuis bem cristalinas, é um cenário pra lá de cinematográfico. Podem acreditar. 
A água é naturalmente fria, mas não mega gelada. Vale para aplacar o calor do Jalapão. A Cachoeira do Formiga é absolutamente transparente. Lá, pode-se ver tranquilamente o fundo de areia calcária. Quem é bom de mergulho tem a oportunidade de ver de perto a pedra que dá os tons de azul a cachoeira. 
Jalapão - Estevam Pelo Mundo
Os mais corajosos e amantes da água podem (e devem) se aventurar contra a correnteza e nadar até a queda d’água em si. Sente-se ali e aproveite uma espécie de massagem relaxante de alta intensidade. Vale a muito a pena. A dica pra chegar lá é ir pelas bordas ou nadar contra a correnteza mesmo. Não se preocupe, você não irá se afogar. O máximo que pode acontecer é a correnteza levar você de volta para o começo da piscina. Garanto 😉 
Jalapão - Estevam Pelo Mundo
Ah! Igualmente, a água da cachoeira escoa pela lateral do piscina principal, formando uma espécie de piscina menor e com correnteza mais leve logo ao lado. 

Jalapão - Estevam Pelo Mundo
Crédito de imagem – Ricardo Feres

Notem que a vegetação exuberante faz lembrar a mata atlântica. Há palmeiras, samambaias e muitas árvores com bichos saltando pra lá e pra cá. 

OUTROS DEMAIS PONTOS (PORÉM, JAMAIS MENOS IMPORTANTES)

Junto à Cachoeira do Formiga e os fervedouros do Bela Vista e do Buritizinho, a maioria das atrações abaixo foram os highlights do Jalapão para mim. Opinião pessoal, vamos deixar isto claro! Quem vem comigo conhecê-las, levanta a mão! 

PEDRA FURADA

Foi oficialmente nossa primeira atração no Jalapão. E começamos com o pé direito!

Jalapão - Pedra Furada
Foto “clássica” em frente a Pedra Furada

Pois bem, a Pedra Furada é enorme e imponente. Trata-se de um grande bloco de arenito que foi esculpido naturalmente pela erosão dos ventos e das chuvas. O processo terminou por formar diversos portais magníficos na pedra. Fica distante apenas 35 km de Ponte Alta. Costumeiramente, é o lugar escolhido pela maioria dos turistas para assistir ao pôr do sol. Entretanto, neste horário, fica repleta de gente. Logo, o pôr do sol fica um pouco inviável de ser apreciado com calma. Neste contexto, optamos por passar por lá durante o período do final da manhã. Horário mais calmo e tranquilo. 
Jalapão - Estevam Pelo Mundo
Igualmente, a trilha para se subir a pedra é leve e rápida. Tome alguns cuidados. Pode haver alguns insetos não muito desejáveis. Já lá no alto, vimos um escorpião bem ao nosso lado… Não tenha medo. Apenas calce algo adequado e vá! Igualmente, por essa região costumam aparecer algumas onças. Entretanto, é fato raro. Ah! Aconselho também não fazer muito barulho quando estiver no topo da pedra, uma vez que, em grande parte do ano, há algumas colmeias de abelhas por lá.
Jalapão - Pedra Furada
Cerrado jalapoeiro visto do topo da Pedra Furada

Do alto da Pedra Furada tem-se uma vista pra lá de surpreendente para as florestas próximas, Morro do Chapéu e Morro Solto. Esse spot é perfeito para tirar fotos. 
Não à toa, a Pedra Furada tem este nome, uma vez que é, literalmente, toda furada. Confira abaixo um dos melhores e mais belos locais da pedra para contemplar a paisagem. 
Pedra Furada - Jalapão
Reparem nas erosões rochosas

Uma dica preciosa: dê a volta na pedra. A trilha é muito simples. Nela, consegue-se observar o visual do outro lado da Pedra Furada. 

LAGOA DO JAPONÊS

A Lagoa do Japonês é um must para quem vai ao Jalapão. Sua água é cristalina em meio à uma paisagem verde de tirar o fôlego de qualquer um. Tudo isso em meio à formações rochosas. Trata-se de uma imersão completa na natureza. Local ideal para um mergulho e para contemplar sem pressa o tempo passar. 

O local é bem estruturado, tem restaurante e etc. Algumas passarelas de madeira te levam até a água. 
 
Estevam Pelo Mundo
 
Pois bem, nadando com calma pela lagoa, no sentido para a direita, encontramos sua mais bela joia: a gruta, dentro de um enorme paredão rochoso. Águas azuis e cristalinas. Um cenário de tirar o fôlego. Para os que não sabem nadar, há um bote que leva os turistas até lá. É rapidinho! 
 
Vale lembrar que, nas proximidades da caverna, a profundidade da água é maior. Portanto, tome cuidado! 
 
Deem uma olhada abaixo: 
 
Jalapão - Estevam Pelo Mundo
 
Estevam Pelo Mundo - Jalapão
 
Curiosamente, por um acaso do destino, foi em frente a gruta da Lagoa do Japonês que fiz uma das mais improváveis amizades… Uma amiga do Estevam, influencer, estava por lá. Batemos um longo papo no barquinho (voltei lá de barco quando todos já tinham voltado para tirar estas fotos acima). Eis que conversa vai e conversa vem que descobrimos a amizade em comum. Estou falando da Gabi, uma baiana com muito axé, dendê e alegria! Gente boa demaaaaais!  
 
Ah! Um dica: por cima da lagoa há uma tirolesa. Custa, salvo engano R$60,00. Vale a pena. A trilha para chegar ao alto é um pouco fatigante. Dura entre dez e 15 minutos, a depender do seu ritmo, visto que é bastante íngreme. Já a tirolesa, por sua vez, faz valer a trilha. Podem acreditar 😉 
 
A Lagoa do Japonês, embora próxima a Ponte Alta, costuma ser excluída dos roteiros com menos dias. Portanto, fique atento! 
CÂNION SUSSUAPARA

É de tirar o fôlego. A trilha até o cânion você pode (e deve) fazer de chinelo mesmo. É curta. Basta ter cuidado para não escorregar.  
O Cânion Sussuapara nada mais é do que uma fenda estreita, com paredes úmidas e água pingando o tempo inteiro. Suas paredes são repletas de plantas, principalmente samambaias e musgos. Dão, paradoxalmente, ares selvagens e ao mesmo tempo aconchegante. 
Estevam Pelo Mundo
Seguindo pela fenda, o caminho logo se abre. Vejam: 
Estevam Pelo Mundo
Por estarmos cercados de paredões e sem luz solar direta, o cânion termina por ser um refresco em relação ao calor acentuado do Jalapão. É o tipo de lugar onde sentimos, literalmente, os sons da natureza. 
No final do cânion, a fenda se abre e há um enorme espaço por onde, no período da manhã, entram alguns raios solares. Vejam: 
Jalapão
No caminho de volta, recebemos uma verdadeira dadiva divina. Formou-se, pela luz solar e as águas caindo sobre o paredão um belo arco-íris. Deem só uma olhada: 
Jalapão
Pois bem, o cânion recebe este nome visto que, nesta região tinham muitos Veados Suçuapara  (com “ç” mesmo), e de acordo com a língua tupi-guarani, significa veado galheiro. Estes, infelizmente, não são quase mais vistos na região. 
O Jalapão é recheado de lendas e mistérios e aqui não poderia ser diferente! Ao longo da fenda há algumas pedras brancas, que ficam espalhadas no chão enquanto que outras estão colocadas nas suas paredes. A lenda reza que as pedras que estão no chão estão esperando que alguém as pegue, faça um pedido e as coloquem na parede. O intuito é que os seres que vivem na mata façam o pedido se realizar…
O cânion deixou saudades. Até agora não encontrei palavras para descrevê-lo. É um lugar que, sem sombra de dúvidas, gostaria de voltar a visitar com calma e tranquilidade. 

DUNAS DO JALAPÃO

Pois, é! Chegamos aqui ao ponto que talvez seja o mais famoso de todo o Jalapão: suas dunas. A trilha para chegar lá é plana e pode-se apreciar de perto a vegetação do cerrado. Embora algumas nuvens tenham atrapalhado nosso pôr do sol, tivemos a sorte de, no caminho de volta, podermos observar a vegetação e com uma super paisagem. Vejam: 
Jalapão - Pôr do sol - Estevam Pelo Mundo
Pois bem, mas, voltando às dunas… Elas são formadas pela erosão da Serra Espírito Santo, que fica bem em frente e, que tem formação arenosa. Igualmente, o vento acaba por levar a areia até lá. Algumas dunas chegam a ter 30 metros de altura.
Só quando você chega na parte alta é que consegue ter a noção da real imensidão do local. De fato, é muito grande. Mas, em termos de tamanho, nada comparado as dunas da Foz do São Francisco, em Alagoas, ou as dunas do Rio Grande do Norte. Entretanto, no quesito beleza, não ficam atrás. 
Confiram abaixo algumas fotos. 
Dunas Jalapão
Dunas - Estevam Pelo Mundo
Dunas - Estevam Pelo Mundo
Dunas - Estevam Pelo Mundo
Dunas - Estevam Pelo Mundo
Ah! E no meio disso tudo não poderia faltar a espiritualidade do Raiffe, nosso guia da 100 Limites. Comentamos que não havia sol. Prontamente ele providenciou o sol para nós… 

Dunas - Jalapão
Raiffe e seu “sol”

Em tempo: não poderíamos ter guia melhor. O Raiffe é aquele cara do bem. Trabalha com prazer e sempre com um sorriso no rosto. Vive rindo e soltando piadas. É nativo do Jalapão e tem maior orgulho em ser jalapoeiro nato! É uma daquelas pessoas que vale a pena conhecer na vida. 
Ah! Em frente as dunas do Jalapão, fica o Bar da Dona Benita, mas dela falaremos no próximo post. Já adianto que se trata de uma pessoa pra lá de especial. 

PRAINHA RIO NOVO 

Um lugar pacato. Quando fomos, estávamos somente nós. Lembram da Cachoeira da Velha? Ela fica bem próxima. E em tempos de não pandemia, quando há rafting, é lá onde termina a aventura. Porém, continuando… 
Pois bem, o Rio Novo é um dos afluentes do Rio Tocantins e é um dos poucos rios (pasmem) que ainda possui água potável em todo o Brasil.
A Prainha do Rio Novo é um excelente lugar para um mergulho e para relaxar.
Confira a foto: 

Crédito de imagem: Monique Renee

Não obstante, completamente diferente das águas da Cachoeira da Velha, a Prainha do Rio Novo é super calma. Alguns pontos possuem uma leve correnteza, entretanto, estas são mais presentes em época de cheia. Impossível não querer dar um mergulho! 
Ah! um fato curioso: a Prainha do Rio Novo já apareceu nos cinemas. Foi cenário do filme Deus é Brasileiro.

CONSIDERAÇÕES

Pois, é! Este foi o Jalapão. Lugar de lendas, histórias e muitos encantos. Uma viagem que empurrei com a barriga durante muito tempo, mas que, sem sombra de dúvidas alguma, valeu a pena. E como valeu! 
Não há dúvidas que trata-se de um daqueles lugares que todo viajante deveria ir ao menos uma vez na vida. Se recomendo? É óbvio! E como! 
Pois bem, aqui devo expressar meu agradecimento a Jalapão 100 Limites, aos meus companheiros de expedição: Piu, Jú, Pri, Isadora e, naturalmente, ao Raiffe, nosso irreverente guia que sabe fazer a alegria de todos. E como ninguém! 
Igualmente, não poderia deixar de mostrar os sapos jalapoeiros. Depois de algumas cervejas no Bar do Lira, em Mateiros, que vocês conhecerão no próximo post, fui desafiado na volta à pousada a encarar um deles. Não pestanejei e, com cuidado, coloquei o bicho na minha mão (são inofensivos). Não estou mentindo, mas, o tamanho do animal vem da palma da minha mão até próximo ao meu cotovelo. São, naturalmente, bem gelados. A foto segue logo abaixo e, principalmente, sem edições! Juro! Que eu não viaje mais de classe executiva e primeira classe caso esteja mentindo! Vejam só: 

Pois é, escondido quase no centro do Brasil, o Jalapão é a nossa savana, o nosso cerrado. Pela abundância de fontes de água subterrânea, os fervedouros, o Jalapão é também chamado de Deserto das Águas. Aos meus olhos, esta expressão casa perfeitamente com os contrastes naturais da região. Reitero: uma viagem que valeu cada segundo! 

PROFECIA JALAPOEIRA

Pois bem, não poderia deixar de mencionar outra profecia (ou lenda?) do Jalapão. Afirmam muitos nativos que, quando o mundo acabar, só restará o Tocantins. E do coração do Jalapão surgirá uma nova civilização. Uma civilização sem guerra, sem ódio e pautada no amor e na fraternidade. E sou eu quem vai dizer o oposto?  😉 

FINALIZANDO

Pois bem, e você? Já esteve no Jalapão? Se sim, conta pra gente o que achou e como foi sua experiência?
Igualmente, se ficou alguma dúvida joga sua pergunta lá. Teremos o maior prazer em respondê-lo. E nada de acanhamento, hein? Lembrando que seu feedback é sempre muito importante pra nós!
Pois bem, e agora, para não perder o hábito dos posts que expresso minha opinião particular, vamos deixar uma coisa bem clara: estas são opiniões estritamente minhas. Não reflete a opinião do Estevam, de nenhum outro colunista do portal EPM ou tampouco do Estevam Pelo Mundo como fonte de informação e pesquisa sobre viagens, companhias aéreas, hotéis e demais assuntos da mesma natureza. Vamos deixar isso bem claro.
Pois, é! Vamos deixar também uma outra coisa bem clara: todo e qualquer produto que além da notícias eu revise, seja ele um voo em cabine premium, um programa de fidelidade, uma agência de turismo, um destino, um lounge ou um hotel, sigo minha própria independência, bem como as diretrizes de imparcialidade do Estevam Pelo Mundo. Em assim sendo, tenho total liberdade e obrigação para com nossos leitores para pontuar, sob a minha ótica, o que acho. Seja para possíveis pontos positivos ou negativos.

QUEM SOU EU?

Lucas Cabral, editor-chefe aqui do EPM para programas de fidelidade, cartões de crédito, pontos, milhas aéreas e afins. Estou aqui precisamente desde meados de maio. Se quer me conhecer melhor, saber quem eu sou e saber como eu vim parar aqui basta dar uma sacada no meu primeiro post, quando fui oficialmente lançado aqui no Estevam Pelo Mundo. Para isso basta clicar aqui. Igualmente, se gostou de mim ou quer ir conferindo algumas das minhas fotos de viagem e de algumas exaltações proporcionadas por milhas e pontos basta dar um follow lá no Instagram. Meu nome na rede é @lucasmcv 😉
Por fim, um grande abraço e até o próximo post!

LUCAS CABRAL

 
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Escrito por Lucas Cabral

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