Perrengue na Alemanha: abandonada pelo ônibus do mochilão

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Perrengue na Alemanha

Viajante quando faz planos de se jogar no mundo sempre se empolga! E foi na empolgação de mochilar pela Alemanha durante alguns dias que o perrengue de ficar ao relento no interior do país aconteceu.

Essa história me ensinou, mais do que nunca, que além de planejamento, é preciso ter muita atenção com os detalhes das passagens que vão ligar nossos destinos. Às vezes, uma mudançazinha, coloca a gente no maior aperto e vou te contar como aconteceu comigo.

Vamos mochilar pela Alemanha!

Eu e uma amiga pegamos nossas economias e decidimos conhecer cinco cidades na Alemanha, em uma viagem de dez dias. Com o dinheiro apertado e a emoção falando alto, reservamos hostels em três das cidades por onde passaríamos. Além disso, optamos por viajar à noite e dormir no ônibus no restante dos dias.

Conectamos todo o roteiro com empresas low cost, uma única mochila e partimos para nosso destino! Alguns dias dormíamos em camas, alguns nas poltronas desconfortáveis durante o trajeto, outros em rodoviárias e aeroportos, mas nada, até então, nos abalava.

A viagem estava sendo fantástica e a aventura, aproveitada ao máximo!

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As noites que passávamos na estrada nos compensavam com vistas assim

O barato saiu caro

Depois de um longo dia de caminhada conhecendo Heidelberg, no nosso oitavo dia de viagem pela Alemanha, eu e minha amiga jantamos e fomos em direção ao ponto de ônibus próximo da estação de trem da cidade. Era lá que iríamos embarcar no FlixBus em direção à cidade de Colônia, nosso último destino no país e último trajeto dormindo durante o caminho.

Com seis passagens compradas simultaneamente antes de iniciarmos o mochilão e, passando pelas primeiras experiências de viajar com empresas low cost, a gente tentava afastar ao máximo a ideia de que, em algum momento, problemas iriam aparecer.

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Em uma semana viajando e ainda não tínhamos sinal de perrengue

Conforme o cronograma, deixaríamos Heidelberg às 00h30 e chegaríamos em Colônia no início da manhã. E, com a confiança de estar segura em um ponto de ônibus na Europa à meia-noite, lá estávamos nós aguardando nosso transporte.

Pessoas chegavam no local, embarcavam, desembarcavam, iam embora, e nada do nosso ônibus aparecer. Acostumadas com o roteiro impecável de viagem que, até aquele dia, não tinha dado errado, o atraso de quase 1h começou a nos preocupar.

O medo de ficar ao relento no interior da Alemanha durante a madrugada nos fez questionar se o cansaço de uma semana mochilando não tinha nos atingido e se, com isso, tínhamos deixado o ônibus passar pelo ponto sem nos darmos conta.

Mas, por volta de 1h20 recebemos um SMS da FlixBus dizendo que o ônibus em que tínhamos comprado a passagem estava atrasado e lotado. Na mensagem, a empresa explicou que seríamos realocadas para um carro extra, que iria para um outro destino, mas que passaria pela cidade de Colônia, onde iríamos descer.

Um pouco mais aliviadas, esperamos por mais 20 minutos, conforme eles tinham avisado que o ônibus extra passaria, mas nada dele chegar. Somente depois de duas horas esperando, no frio de bater os dentes na madrugada da Alemanha, nosso novo ônibus apareceu!

Exaustas pela tensão de nos sentirmos quase esquecidas em Heidelberg, foi fácil sentar na poltrona e apagar de tanto sono. Por precaução, eu sempre colocava um despertador cerca de 1h antes de chegarmos ao destino e dessa vez não foi diferente. Ainda bem! Se não fosse pelo meu celular avisando, o perrengue seria pior do que acabou sendo.

Sempre dá para piorar

O que a gente não contava com a troca de ônibus é que, o carro em que estávamos não nos deixaria no desembarque da nossa passagem original. É muito comum na FlixBus que uma mesma cidade tenha vários pontos de embarque e desembarque e, nem todos os carros passam por todos eles. Cada ponto de parada depende muito da rota que o ônibus está fazendo.

Quando meu celular tocou e nós acordamos, por volta das 5h, a nossa expectativa era de que ainda faltavam, pelo menos, 40 minutos até a cidade. Mas estávamos erradas! Para o ônibus em que fomos realocadas, aquele ponto, no meio do nada, fora dos limites urbanos de Colônia, era considerado o ponto de Colônia para aquela linha.

Por fim, atordoadas por termos acabado de acordar e tendo que descer às pressas, acabamos numa estação de ônibus no meio da estrada entre as cidades de Colônia e Bonn.

Ressalto aqui que uma desvantagem das empresas low cost de transporte terrestre é que, geralmente, não existem guichês ou atendimentos presenciais para ajudar os passageiros. Quase tudo é feito online e, com isso, não tinha uma alma sequer da FlixBus para nos ajudar a chegar na cidade.

Depois de abrir o Google Maps e identificar onde estávamos, a solução era buscar uma forma de chegar ao centro de Colônia. A única opção foi ir até a estação de trem, ao lado da rodoviária, e tentar uma passagem para a cidade.

Quem não fala alemão que se vire

Se já estava ruim, ainda podia piorar. Com sono, doidas por um café, estressadas e mais ou menos perdidas, eu e minha amiga fomos nas máquinas de autoatendimento para comprar as passagens de trem. Mas os totens estavam sem as opções de instruções em inglês e espanhol para comprar! Tentamos diversas vezes mudar o idioma e sempre dava erro.

O jeito foi se virar do entendimento super básico de idiomas de origem latina e apelar para o italiano. Só depois de 40 minutos brigando com a máquina de autoatendimento, conseguimos as passagens para embarcar, finalmente, para Colônia.

Era mais de 6h da manhã quando descemos na estação de trem do centro da cidade, completamente esgotadas de cansaço por todo o perrengue de chegar ao último destino do nosso mochilão.

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Mesmo exausta, fui conhecer Colônia. Afinal, eu estava exausta na Alemanha

E se você acha que a humilhação acabou e que a gente iria para o hostel, tomar um banho e descansar, não foi bem por aí. A hospedagem estava cheia, o check-in era somente ao meio dia e as mochileiras cansadas foram para um parque. Deitamos debaixo de uma árvore, abraçadas às nossas mochilas e tiramos um longo cochilo enquanto os nativos passeavam e faziam piquenique.

A lição que ficou é que, por mais empolgante que seja emendar várias cidades pagando pouco, é sempre bom ter cuidado com as informações e os detalhes. Mesmo que haja muita organização, imprevistos podem aparecer. Perrengues acontecem, mas viram ótimas memórias!

Por Milena Lopes

 

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