MILHAS: COMO FICA A DISPONIBILIDADE PARA EMISSÃO DE PASSAGENS DURANTE/APÓS A PANDEMIA

Neste post vamos abordar (na verdade especular) sobre a disponibilidade de passagens com milhas e pontos durante e após o período da pandemia da Covid-19.

pontos e milhas

COMEÇANDO DO COMEÇO…

Bem, a essa altura não é novidade para nenhum de nós que a pandemia da Covid-19 alastrou-se rapidamente mundo afora tendo como consequência, além da maior crise de saúde vivida desde a gripe espanhola ocorrida entre 1918 e 1920, um grande espiral cíclico de recessão nos quatro pontos do globo. Em momentos de encolhimento da economia um dos setores que tendem a sofrer de imediato os maiores impactos é justamente o setor aéreo.

Na crise atual, de acordo com previsões da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), as aéreas acumularão prejuízos na soma de U$113 bilhões (ao câmbio de hoje o equivalente a R$614 bilhões) até dezembro de 2020. O mesmo órgão especula, igualmente, que a demanda por viagens aéreas só volte ao patamar pré-pandemia em meados de 2024.

Como consequência direta dos prejuízos causados pelas quedas drásticas na demanda de compras por bilhetes, as companhias aéreas, pegas de surpresa, tiveram de fazer inúmeras adaptações na sua malha aérea, ao mesmo tempo que amargam imensos prejuízos. Muitas delas, inclusive a LATAM, entraram com pedidos de recuperação judicial, bem como, infelizmente, tiveram de aplicar planos rígidos de demissões, enxugamento de frota e malha aérea.

RECUPERAÇÃO DO SETOR AÉREO

Conforme pontuado acima, de acordo com as previsões da IATA, a demanda por viagens aéreas só tende a voltar ao patamar pré-pandemia em meados de 2024.

Em contrapartida, por parte das aéreas que operam no Brasil, a perspectiva é de que os voos domésticos  voltem aos níveis pré-pandemia em 12 ou 18 meses, prazo, ao meu ver, bastante não somente otimista, como igualmente realista. Naturalmente, isto se não houver mudanças drásticas no cenário.

Estamos nos recuperando rapidamente. No pior momento desde início da crise, a demanda por voos domésticos caiu 93% e praticamente 100% para rotas internacionais. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Há pouco mais de duas semanas precisei ir a São Paulo para um compromisso particular e que não poderia ser realizado de maneira virtual. Aos meus olhos, os aeroportos (pelo menos as áreas domésticas) estão com relativo movimento e os voos com ocupação muito bastante satisfatória. A título de exemplo, o meu voo de volta, operado por um 787-800, tinha capacidade para 188 passageiros e estavam a bordo 164, representando assim uma ocupação de 88%, algo, ao meu ver, um tanto quanto surpreendente para a fase em que estamos passando.

Embarque de voo doméstico no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Ah! Para este voo escrevi um post super detalhado sobre como está sendo voar no Brasil durante a pandemia. Não deixem de conferir! E se quiserem acompanhar os stories detalhados eles estão salvos lá nos destaques do meu Instagram. O meu nome na rede é @lucasmcv.

ADEQUAÇÃO DE MALHA AÉREA

Para aqueles que não são familiarizadas com o termo, malha aérea quer dizer o conjunto de itinerários que são cumpridos pelas companhias em períodos regulares. Devido a pandemia da Covid-19 a malha aérea de operações domésticas e internacionais foi drasticamente reduzida. Entretanto, pouco a pouco, mês a mês as companhias tem procurado incrementar suas malhas aéreas com os devidos ajustes.

Estamos vivendo um período de incertezas. E isto é fato. Por outro lado, conforme disse acima, aos poucos a malha aérea brasileira e internacional está se recompondo. Rotas estão voltando a ser operadas de acordo com restrições imigratórias dos países, bem como baseadas na reestruturação das empresas.

Igualmente, nesta reestruturação algumas rotas estão deixando de ser operadas, como por exemplo a rota triangular da Emirates Dubai/Rio/Buenos Aires – Dubai/Rio/Santiago.

A reestruturação da malha aérea, bem como da disponibilidade de bilhetes com pontos e milhas depende, igualmente, de outro fator: oferta e demanda. O que vamos abordar logo abaixo!

OFERTA E DEMANDA

Pois bem, desde que o mundo é mundo esta é a regra número um das atividades comerciais, a famosa lei da oferta e da procura. É aqui que entra o tópico mais importante do nosso post. Portanto senta aí que lá vem informação relevante!

Conforme já dito, em momentos de encolhimento da economia um dos setores que tendem a sofrer de imediato os maiores impactos é justamente o setor aéreo. 50% do tráfego de passageiros é formado por indivíduos que viajam a negócios. Não obstante, nas cabines premium, principalmente na classe executiva, este percentual atinge facilmente a casa dos 80% a 85% daqueles que cruzam os céus em grande estilo.

Seguindo: como a demanda por viagens corporativas caiu drasticamente e levará alguns anos para se recompor é bastante provável que vejamos uma maior disponibilidade para bilhetes com milhas e pontos ao longo dos próximos anos. Sobretudo na cabine executiva! E isto, para nós milheiros é uma notícia bastante relevante.

Na outra ponta da demanda está a oferta, que, ao meu ver, tende a crescer mais rápido que a demanda, gerando assim, um certo desequilíbrio na equação.

As companhias conseguirão ampliar sua oferta de voos, mesmo que pouco a pouco, visto que muitas estão se valendo de subsídios e acordos governamentais, bem como enxugamento de força de trabalho, frota e etc. É uma nova realidade tomando forma – e fôlego – no setor aéreo.

DISPONIBILIDADE PARA EMISSÃO COM MILHAS E PONTOS

Lembre-se de duas informações  que pontuamos acima. Vou repetir, pois são informações mega importantes e chave para nossas emissões:

  • 50% do tráfego de passageiros é formado por indivíduos que viajam a negócios. Não obstante, nas cabines premium, principalmente na classe executiva, este percentual atinge facilmente a casa dos 80% a 85% daqueles que cruzam os céus em grande estilo.
  • A IATA especula que a demanda por viagens aéreas só volte ao patamar pré-pandemia em meados de 2024.

Logo, com uma menor demanda por viagens, a tendência por parte das companhias, para não verem seus assentos voando vazios é liberar uma parcela maior que o habitual de bilhetes com pontos e milhas. Não obstante, aqueles que buscam por bilhetes em classe executiva terão facilidade maior ainda de encontrá-los. Na cabine econômica, para onde muitos executivos que viajam a trabalho serão deslocados e, igualmente, onde viaja grande parte dos turistas, não creio que haverá maiores mudanças significativas a médio e longo prazo no que tange a disponibilidade.

Em voos domésticos, no curto e médio prazo, o valor dos bilhetes com pontos caiu consideravelmente. Encontramos bilhetes para o nordeste, por exemplo, por menos de 6.000 milhas em várias datas até o final do ano.

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Já para voos internacionais, nas empresas onde o valor dos resgates é dinâmico, temos observado uma pequena queda nos preços, entretanto, a disponibilidade de datas aumentou consideravelmente.

Igualmente, por força da baixa procura por bilhetes pagantes na classe executiva, a oferta de assentos nesta cabine para emissões com pontos tem estado como há muito tempo não se via.

A título de exemplo, para a rota da Qatar Airways, Doha/São Paulo/Doha, que tinha um histórico de difícil disponibilidade na classe executiva, hoje em dia encontramos assentos em várias datas sem maiores dificuldades.

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Nova cabine Qsuites (classe executiva) da Qatar Airways.
CONCLUINDO…

Em síntese, com o desequilíbrio na equação oferta X demanda, e uma baixa demanda por viagens, agora e nos próximos anos, até a total recuperação do setor aéreo, acredito ver uma disponibilidade mais ampla para bilhetes emitidos com milhas e pontos do que no período pré-pandemia. Não obstante, enxergo uma disponibilidade bem mais generosa que o habitual na classe executiva.

Agora vamos deixar uma coisa bem clara: estas são opiniões estritamente minhas. Não reflete a opinião do Estevam, de nenhum outro colunista ou tampouco do Estevam Pelo Mundo como fonte de informação e pesquisa sobre viagens, companhias aéreas e demais assuntos da mesma natureza. Vamos deixar isso bem claro, hein!

E você? Já fez algum resgate ou tem algum resgate em mente? Se sim, conta pra gente na caixinha de comentários logo abaixo do post! Da mesma forma se ficou alguma dúvida em relação a este post deixa lá sua pergunta que te responderemos com a maior satisfação!

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QUEM SOU EU?

Ah! Como vocês devem ter notado sou novo na área. Estou aqui precisamente desde meados de maio. Se quer me conhecer melhor, saber quem eu sou e saber como eu vim parar aqui basta dar uma sacada no meu primeiro post, quando fui oficialmente lançado aqui no Estevam Pelo Mundo. Para isso basta clicar aqui. Igualmente, se gostou de mim ou se já quer ir conferindo algumas das minhas fotos de viagem e de algumas exaltações proporcionadas por milhas e pontos basta dar um follow lá no Instagram. Meu nome na rede é @lucasmcv 😉

Por fim, um grande abraço e até o próximo post!

 

Lucas Cabral

 

 

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