ALIANÇAS AÉREAS: O QUE SÃO E QUAIS AS TRÊS GRANDES PRINCIPAIS

Neste post vamos abordar sobre algo que falamos bastante corriqueiramente, mas que para muitos ainda gera um pouco de desentendimento: as alianças aéreas. Vamos abordar o que são, quais são, como surgiram, a importância que desempenham no mercado da aviação comercial e como facilitam a vida do passageiro frequente (e dos não frequentes também), bem como de nós, milheiros de carteirinha. Senta aí que lá vem bastante conteúdo interessante e objetivo, bem como histórico!

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Star Alliance, Oneworld e Skyteam: as três principais alianças
O QUE SÃO ALIANÇAS AÉREAS E POR QUE SURGIRAM

Pois bem, pela definição uma aliança aérea é a denominação dada a um grupo de companhias aéreas que possuem acordos de cooperação no intuito de redução de custos, compartilhamento de voos, melhoria de serviços e, principalmente, oferecer mais opções de rotas e voos para os seus passageiros. As companhias integrantes de uma mesma aliança compartilham entre si, igualmente, os programas de fidelização, o que beneficia diretamente nós, milheiros e viajantes frequentes. Hoje, há três grandes alianças. São elas: Star Alliance, Oneworld e Sky Team.

O surgimento destas alianças se deu em 1997 com a criação da primeira delas, a Star Alliance. As razões que levaram ao surgimento desta aliança, e das demais duas subsequentes, foi, a princípio, a redução de custos e compartilhamento de rotas. De tal maneira, conforme pontuado acima, as empresas poderiam oferecer e aumentar as opções de rotas e voos para seus passageiros. Igualmente, a malha aérea se adequaria diante da necessidade de oferta e demanda. Assim, uma companhia pode vender bilhetes em voos das empresas parceiras gerando, de tal maneira, caixa para ambas. É uma relação de ganha-ganha.

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Airbus A340-300 da Air Canada pintado com as marcas das empresas fundadoras da aliança. Foto arquivo Star Alliance – 1997

Foi uma forma igualmente encontrada pelas empresas aéreas de facilitar a vida de seus passageiros frequentes, no que tange coordenação de conexões e escalas, assim como o acúmulo de resgate de milhas, visto que, voando em determinada companhia de uma aliança, podemos acumular pontos em programa de fidelidade de outra empresa da mesma aliança. No sentido inverso, facilitou o resgate de bilhetes premium, visto que, com pontos de determinada empresa, podemos resgatar passagens em qualquer companhia da mesma aliança.

STAR ALLIANCE

A Star Alliance foi a pioneira dentre as três grandes alianças de companhias aéreas. Foi estabelecida no ano de 1997, através da união de cinco companhias: Air Canada, Lufthansa, Scandinavian Airlines, Thai Airways e United Airlines. A Varig, nossa eterna pioneira, teve participação na sua fundação. Entretanto, por um acordo de codeshare com a Delta só pôde efetivamente passar a integrar a aliança seis meses após sua fundação. O grupo é sediado em Frankfurt, na Alemanha. Além da Varig, TAM e Avianca Brasil chegaram, em determinados períodos, a fazerem parte da Star Alliance.

No ano de 2019, pelo quarto ano consecutivo, a Star Alliance foi escolhida como a melhor aliança de companhias aéreas pelo Prêmio Skytrax, o Oscar da aviação civil.

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Atualmente, o grupo é formado pelas seguintes 26 empresas aéreas: Aegean Airlines, Air Canada, Air China, Air India, Air New Zealand, ANA, Asiana Airlines, Austrian, Avianca, Brussels Airlines, Copa Airlines, Croatia Airlines, Egyptair, Ethiopian Airlines, EVA Air, LOT, Lufthansa, Scandinavian Airlines, Shenzhen Airlines, Singapore Airlines, South African Airways, Swiss, Thai, TAP Air Portugal, Turkish Airlines e United.

A Star Alliance é a maior das três grandes alianças e tem sua sede em Frankfurt, na Alemanha.

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As 26 empresas integrantes hoje da Star Alliance
ONEWORLD

Terceira maior dentre as principais alianças, a Oneworld foi a segunda a ser fundada. Visto a introdução da Star Alliance em 1997, empresas concorrentes que ficaram de fora movimentaram-se para criar uma segunda aliança, nascendo assim a Oneworld. A aliança foi fundada em 1999 pelas seguintes empresas: American Airlines, British Airways, Cathay Pacific, Canadian Airlines e Qantas. Destas, apenas a Canadian retirou-se da aliança após a sua fusão com a Air Canada.

A aliança tem sua sede em Nova York, nos Estados Unidos.

Aeronave Boeing 777-200 da American pintado com a marca Oneworld

Hoje, a Oneworld é formada por 13 empresas internacionais. São elas: American Airlines, British Airways, Cathay Pacific, Finnair, Iberia, Japan Airlines, Malaysia Airlines, Qantas, Qatar Airways, Royal Air Maroc, Royal Jordanian, S7 Airlines e SriLankan Airlines.

AS 13 empresas integrantes da Oneworld.

Uma curiosidade: A nossa LATAM integrou a aliança entre 2014 e 2020, já vindo da Star Alliance, onde havia se integrado em 2010. Em setembro de 2019, foi anunciado que a Delta, integrante da Skyteam comprara uma participação de 20% na LATAM e, com isso, financiaria a saída da LATAM da Oneworld. Em 1º de maio de 2020, a LATAM saiu oficialmente da Oneworld. Embora sem integrar hoje nenhuma aliança, a empresa mantém diversos acordos com várias empresas aéreas da antiga aliança, bem como algumas da Star Alliance.

SKYTEAM

Segunda maior das alianças, foi fundada no ano 2000. Seguindo o movimento das empresas concorrentes, que seguiam o mesmo modelo de aliança sua fundação, foi lançada pelas seguintes empresas: Air France, Delta, Aeromexico e Korean Air.

Aeronave Airbus A330 da China Southern pintado com a logomarca da Skyteam.

Hoje, a aliança é formada por 19 empresas aéreas. São elas: Air France/KLM, Aeroflot, Aerolineas Argentinas, Aeromexico, Air Europa, Alitalia, China Airlines, China Eastern Airlines, China Southern Airlines, Czech Airlines, Delta, Garuda Indonesia, Kenya Airways, Korean Air, MEA, Saudia Airlines, TAROM, Vietnam Airlines e Xiamen Airlines.

As 19 empresas integrantes da Skyteam
IMPORTÂNCIA DAS ALIANÇAS NO MERCADO DA AVIAÇÃO COMERCIAL

Bem, conforme vimos no começo do post, companhias integrantes de uma mesma aliança compartilham entre si disponibilidade de vendas de um voo de uma companhia parceira, reduzindo assim custos operacionais e mantendo uma malha aérea mais eficaz possível. Igualmente, na outra ponta, ao oferecer mais opções de rotas e frequências de voos para os seus clientes, geram mais receita.

Neste contexto, e num mercado altamente competitivo como o da aviação comercial as alianças são uma forma direta para as companhias trabalharem com o máximo de eficácia financeira possível. Por exemplo, a United pode gerar caixa vendendo bilhetes entre Frankfurt e Johanesburgo, em voo operado pela Lufthansa. Assim, ganha a United e a companhia parceira, que oferece a rota. É um ótimo negócio para as companhias, bem como para os passageiros.

Aeronave Boeing 777-300ER da Swiss, mais moderna aeronave da empresa e companhia integrante da Star Alliance.
AS VANTAGENS QUE ELAS TRAZEM PARA OS PASSAGEIROS

Através do compartilhamento de rotas, acesso a lounges e acordos entre seus programas de fidelidade, as empresas que fazem parte de uma aliança alcançam, por assim dizer, o alcance em estender seus serviços virtualmente para os quatro pontos do globo, facilitando a vida de seus passageiros que voam nas empresas participantes da aliança.

Tarifas aéreas igualmente baixaram proporcional e substancialmente após o surgimentos das alianças aéreas, facilitando assim o acesso de mais passageiros aos aviões e como consequência direta, gerando mais receita também para as aéreas.

Para os passageiros, estas alianças aéreas são uma forma de transitar por vários destinos, com mais praticidade e conexões mais coordenadas entre si. Isso inclui rotas domésticas, bem como internacionais.

Aqueles que detém status em alguma companhia desfrutam de praticamente os mesmos benefícios quando voando em uma outra companhia aérea da mesma aliança. Por exemplo, tenho status máximo na Thai Airways. Logo, tenho status gold na Star Alliance. Uma vez voando com a United, vou ter os mesmos benefícios que teria na Thai, tais como check-in prioritário, acesso ao lounge, maior franquia de bagagem e etc.

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Star Alliance Gold Track. Presente em alguns aeroportos é de uso exclusivo para passageiros com status gold na aliança, bem como passageiros voando em classe executiva e primeira classe
PROGRAMAS DE FIDELIDADE

Quanto aos programas de fidelidade, é possível pontuar em qualquer uma das empresas parceiras. Não obstante, isso gera a possibilidade de trocar pontos por bilhetes e ir subindo de categoria no seu programa de fidelidade. Por exemplo, suponhamos que o meu programa de fidelidade que mais uso na Oneworld é o AAdvantage, da American. Ao voar com a Cathay Pacific, acumulo pontos (de acordo com a tarifa do bilhete) e estes pontos me ajudam a subir de categoria no AAdvantage.

Igualmente, com milhas da American, por exemplo, posso resgatar bilhetes premium em qualquer companhia integrante da Oneworld.

PARCERIAS PARALELAS

Se aprovadas pela aliança participante e não ferir as regras do grupo, uma empresa pode firmar parcerias similares as alianças com outras empresas. É o caso da portuguesa TAP: integra a Star Alliance e ao mesmo tem acordo de codeshare e parceria nos programas de fidelidade com a Emirates e Azul, por exemplo.

Em tempo: através do programa Miles&GO da TAP, podemos realizar ótimos resgates com a Emirates, embora estes bilhetes só possam ser emitidos ida e volta.

GRANDE EMPRESAS QUE NÃO INTEGRAM ALIANÇA NENHUMA

Algumas companhias, como as três principais brasileiras: LATAM, Gol e Azul, bem como a Etihad e a Emirates, ambas dos Emirados Árabes Unidos, não integram nenhuma aliança. Isto é uma faca de dois gumes. Explico: ao não participar de uma aliança essas empresas precisam firmar parcerias com outras companhias individualmente. Essas parcerias individuais envolvem bastante negociação e muitos detalhes e empecilhos, o que é o caso da Gol, nossa laranjinha. Se você não sabe, O Smiles possui acordos de acúmulo e resgate de bilhetes com mais de 35 empresas aéreas. Já ao participar de uma aliança, a empresa apenas precisa se adaptar as regras do grupo como um todo.

A Emirates, dos Emirados Árabes não integra nenhuma aliança

Por outro lado, ao não participar de nenhuma aliança e firmar acordos individualmente com outras empresas, uma companhia tem um pouco mais de liberdade do que as afiliadas a alguma aliança. É simples: elas não precisam se sujeitar aos padrões e regras de cada aliança.

FINALIZANDO E O QUE PENSO SOBRE ALIANÇAS AÉREAS

Pois bem, sendo bem sucinto e objetivo, sou um grande fã das alianças aéreas. O fato de poder voar em uma companhia e pontuar em outra é uma grande vantagem, sob a ótica não só de acúmulo de pontos. Igualmente, como poder galgar degraus nas categorias do meu programa de fidelidade. Não obstante, e principalmente, poder resgatar bilhetes premium em qualquer companhia parceira através de um programa de fidelidade de uma empresa é um espetáculo. Viva as alianças aéreas, hein!

Vejam que maravilha: você acumula pontos, a título de exemplo, no Aeroplan da Air Canada e, pode emitir bilhetes em qualquer uma das outras 25 empresas da Star Alliance. Lembre-se: até a criação das alianças isso era impossível. Passageiros frequentes ficavam escravos de uma só companhia ou acumulavam milhas em diversos programas e terminavam sem a chance de fazer algum resgate. Não obstante, esses mesmos passageiros tinham, no passado, uma enorme dificuldade em montar conexões visto que as empresas, até então, não trabalhavam em conjunto. Para o mercado corporativo o surgimento das alianças e a coordenação de escalas e conexões representou um enorme ganho de tempo para executivos, que voavam e voam com bastante frequência.

Igualmente, ao deter status em determinada companhia e levar estes benefícios, quando voando em uma empresa da mesma aliança, como acesso ao lounge por exemplo, é simplesmente um negócio extraordinário, não é?

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Lounge Al Murjan, da Qatar Airways, em Doha. Passageiros com status Emerald em qualquer companhia da Oneworld podem acessá-lo independente de que classe esteja voando
QUEM SOU EU?

Ah! Como vocês devem ter notado sou novo na área. Estou aqui precisamente desde meados de maio. Se quer me conhecer melhor, saber quem eu sou e saber como eu vim parar aqui basta dar uma sacada no meu primeiro post, quando fui oficialmente lançado aqui no Estevam Pelo Mundo. Para isso basta clicar aqui. Igualmente, se gostou de mim ou se já quer ir conferindo algumas das minhas fotos de viagem e de algumas exaltações proporcionadas por milhas e pontos basta dar um follow lá no Instagram. Meu nome na rede é @lucasmcv 😉

Por fim, um grande abraço e até o próximo post!

 

Lucas Cabral

 

 

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