Chapada dos Veadeiros: tudo que você precisa saber antes de ir

Catarata dos Couros, na Chapada dos Veadeiros – foto Jéssica Lopes

A Chapada dos Veadeiros é considerada Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. E não é para menos! A região da Chapada dos Veadeiros é repleta de belezas naturais, que acima de tudo, a torna uma das principais rotas de ecoturismo do país.

O local surpreende por seu incontável número de cachoeiras, poços, trilhas e mirantes. Além dos trilheiros, o misticismo do local atrai hippies. Isso porque a Chapada fica em cima de uma grande placa de pedra quartzo e é cortada pelo Paralelo 14, o mesmo que atravessa a cidade sagrada de Machu Picchu. Ou seja, a Chapada dos Veadeiros é uma região cheia de mistérios, repleta de atrações naturais e atende a todos os gostos.

Como chegar?

O aeroporto mais próximo da Chapada dos Veadeiros é o de Brasília, ainda que fique a 220 quilômetros de distância. A estrada até Alto Paraíso é asfaltada e bem sinalizada. Ao passo que isso faz com que muitos moradores de Brasília passem os finais de semana nas cachoeiras.

Uma vez que é preciso pegar a BR-0020 e a GO-118, a melhor maneira de chegar em Alto Paraíso é alugando um veículo. Já que o carro também pode ser útil para se locomover entre as atrações locais. É possível ir de ônibus com a empresa “Real Expresso”, mas são poucos horários disponíveis.

Como escolher a cidade base?

A Chapada dos Veadeiros pode ser visitada se hospedando em três cidades-base: Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcante.

Alto Paraíso – Onde há mais opções de hospedagem, o que torna os preços mais acessíveis. Há hotéis, campings e albergues. Possui também bastante opções de restaurantes e bares. Apesar de maior infraestrutura, a cidade não tem o charme rústico da Vila de São Jorge.

São Jorge – É uma pequena vila, com ruas estreitas, chão de areia batida em muitas partes. Como resultado, por lá, todos se conhecem e há muita vida noturna, com shows de música ao vivo e pessoas caminhando a pé por todo lado. Apesar de ter pousadas com preços mais altos, muitos viajantes escolhem São Jorge devido ao clima roots e pelo fácil acesso ao Parque Nacional.

Cavalcante – Das três opções, Cavalcante é a menos preparada para o turismo, porque conta com menor número de hotéis e ainda é pouco conhecida pelos viajantes. Em contrapartida, perto dela há belíssimas cachoeiras, como a queridinha Cachoeira Santa Bárbara e o Complexo de Cachoeiras do Rio Prata.

Saltos – Parque Nacional – foto Jéssica Lopes

Como se locomover?

Sobretudo, a melhor maneira de locomoção é alugar um carro, para conseguir se deslocar entre um atrativo e outro. Enquanto o transporte público é escasso e insuficiente para ir de uma cachoeira a outra.

Apesar de algumas estradas serem de terra, não é preciso necessariamente ter um carro 4×4, um veículo comum dá conta do recado. Não esqueça de verificar se está tudo ok com o step do carro, para evitar problemas com pneus furados, pois isso é mais comum do que se imagina.

Caronas são uma prática bastante comum na região e é possível se locomover utilizando a boa vontade e espírito coletivo que reina no local. Outra opção é contratar guias e agências de turismo que possuem carro, mas essa opção encarece o passeio.

Quando ir para Chapada dos Veadeiros?

A melhor época para visitar a Chapada é, sem dúvida, a seca, que vai de maio a setembro. Nesse período sem chuvas é possível aproveitar melhor as trilhas e as águas ficam mais transparentes e cristalinas. Já no auge do inverno, em julho, as águas ficam geladas.

É possível viajar na época das chuvas, de outubro a abril, mas é preciso tomar muito cuidado com trombas d’água nas cachoeiras. Isso porque as quedas ficam mais volumosas e às vezes mais barrentas. As estradas de terra dificultarão os deslocamentos, então tomem cuidado com atolamentos.

Mirante da Janela – foto Jéssica Lopes

Principais Passeios

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Localizado na Vila de São Jorge, é passeio indispensável para quem visita a chapada. Não apenas porque as trilhas do parque são exuberantes como também autoguiadas. Se acaso precisar, há estacionamento no local e cobra-se taxa de 15 reais para entrada no parque. As duas principais trilhas de um dia de visitação são a Trilha dos Cânions e Cariocas e a Trilha dos Saltos do Rio Preto.

A trilha dos Cânions tem 12km ida e volta, bem como muitas escadas para descer e subir. A trilha dos Saltos possui duas quedas, uma de 120m e outra de 80m, sendo que são 10km ida e volta. Na queda mais baixa é possível mergulhar nas águas da cachoeira, sendo que há salva-vidas no local. Ambas as trilhas possuem dificuldade moderada.

Vale da Lua

Vale da Lua – foto Jéssica Lopes

Um dos passeios mais clássicos da Chapada, é uma região com pedras que lembram o chão lunar. Lugar inusitado e incomparável. Entre a formação rochosa única corre um rio que desemboca em duas piscinas onde é possível nadar. A trilha é curta e não há necessidade de contratação de guia. O local fica entre São Jorge e Alto Paraíso.

Este passeio é indicado apenas na época de seca. Isso porque o local é conhecido por ter muitas trombas d’água. E por já ter ocorrido acidentes fatais no período de chuvas.

Cachoeira Santa Bárbara

Diria que é a cachoeira mais famosa da Chapada, devido às suas águas azuis exuberantes e transparência incomparável. Apesar de a queda d’água não ser muito alta, tendo cerca de 30 metros, a atração realmente é muito bonita. Chegar nessa cachoeira, entretanto, não é tarefa fácil.

Ela fica na cidade de Cavalcante e, após percorrida a estrada até a cidade vizinha, é preciso encarar uma das piores estradas de terra da Chapada. Um longo percurso em chão de terra péssimo, conhecido por ter buracos e pedras. A estrada é famosa por furar pneus e atolar carros. Relevante citar que é preciso ir com tanque suficiente para ida e volta, pois não há postos de gasolina por perto.

Guia é necessário neste passeio

Importante ressaltar que é obrigatória a contratação de guia para ir nessa cachoeira. O passeio pode ser combinado com a visitação das Cachoeiras Capivara e Candaru. Apesar de não terem a mesma água em tom azul, são também muito bonitas e valem a visitação.

O guia pode ser contratado no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) do povoado Kalunga.

A trilha para a Cachoeira é leve, sem muitas dificuldades. Esta cachoeira é muito disputada. Então a comunidade estabeleceu um número máximo de visitantes por dia, que entram com distribuição de senha.

Isso quer dizer que em feriados e finais de semana é difícil conseguir visitá-la, sendo que os turistas chegam antes do sol nascer e muitas vezes não conseguem senha. Recentemente, uma parte das senhas começou a ser vendida online.

Cachoeira do Segredo

Uma das maiores quedas d’água da região, os cem metros de altura chocam os visitantes. A água escorre em meio a um cânion, que faz a cachoeira ser uma das mais deslumbrantes de toda a chapada. A trilha que chega até a queda é muito bonita e conta com poços de águas transparentes.

No caminho, há um poço de água muito verde e transparente, ótima para banho. É uma boa ideia entrar na água nesse local, já que a água da cachoeira do segredo é extremamente gelada. A propósito, o local conta com placas alertando para o perigo de hipotermia.

Não esqueça de levar toalha para se secar! Não é necessário contratação de guia para visitá-la.

Cachoeiras Almécegas I, II e São Bento

É possível visitar os três pontos turísticos no mesmo dia, pois ficam na mesma propriedade. A distância da trilha de Almécegas I é curto, porém o caminho é muito íngreme. A queda d’água é bem bonita e possui 45 metros, com um grande poço onde os mais aventureiros costumam saltar, pois ele é bem profundo. As outras duas tem fácil acesso. As águas dessas cachoeiras são especialmente geladas.

Cachoeiras Loquinhas

Loquinhas – foto Jéssica Lopes

Famosa pelas águas transparentes, a trilha é indicada para família com crianças. Isso porque a trilha é fácil, curta, bem delimitada e estruturada. O caminho é realizando em deck de madeira.

A melhor época para visitação é no período de chuvas, pois os poços estarão todos cheios. Na seca, alguns não estarão visíveis, mas mesmo assim há poços que valem a visitação. A Cachoeira fica próxima a Alto Paraíso de Goiás.

Mirante da Janela

A vista do famoso mirante é da queda dos 120 metros do Parque Nacional. As pedras formam o desenho de uma janela, que é a famosa foto divulgada pelos Instagram de trilheiros.

A trilha é percorrida em 8km, em meio ao cerrado, com muitas subidas e descidas. Há um deck de madeira para descanso bem como belas fotos. Há certa dificuldade em encontrar a famosa janela, mas basta seguir as pessoas e guias no local para encontrá-la. Normalmente há fila para tirar fotos.

É uma trilha possível de fazer sem guia, mas só se você tiver prática nesse tipo de atividade.

Mirante da Janela – foto Jéssica Lopes

Catarata dos Couros

Um dos passeios mais procurados da Chapada, pois sua trilha de 6km possui diversos pontos para banho e fotografias. Para chegar nela, é preciso encarar 35km de estrada de terra.

A princípio, a trilha é fácil, de cerca de 6km ida e volta, porém é indicada a contratação de guia para quem não é acostumado com caminhadas. Até pela falta de indicação e placas, tanto para chegar ao local como para se locomover dentro da trilha.

Catarata dos Couros – foto Jéssica Lopes
Outros passeios na Chapada dos Veadeiros

Relevante ressaltar que estes são alguns exemplos de passeios na Chapada dos Veadeiros. Mas a região conta com um incontável número de trilhas, poços e cachoeiras, que aumenta a cada dia diante da recorrente descoberta de novas quedas d’água. Além disso, mais alguns passeios possíveis de fazer por lá: Cachoeira Macaquinhos, Cachoeiras do Prata, Cachoeira dos Cristais, Cachoeira Poço Encantado, Jardim de Maytrea, etc.

É preciso contratar guias para fazer as trilhas?

Felizmente, muitas das trilhas na Chapada dos Veadeiros são autoguiadas, o que torna a viagem bem mais barata. É o caso, por exemplo, das trilhas do Parque Nacional, Almécegas I e II, Loquinhas, Vale da Lua, etc.

Outras possuem obrigatoriedade de contratação de guia, como as cachoeiras Santa Bárbara, Capivara, Candaru e Complexo do Prata, todas localizadas na cidade de Cavalcante.  Ademais, em outros passeios, é indicada a presença de um guia de turismo para quem não tem costume em fazer trilhas, como a Catarata dos Couros e o Mirante da Janela.

Decerto, uma boa dica é utilizar aplicativos como o “Wikiloc”, que funciona como uma “Waze” das trilhas. Isso ajuda os viajantes a se localizar off-line nas estradas de terra e trilhas. Lembrando que, no período de chuvas e com riscos de tromba d’água, é sempre bom estar acompanhado, bem como andar em grupos e preferencialmente com guias.

Chapada dos Veadeiros – foto Jéssica Lopes
Sugestão de roteiro de 6 dias pela Chapada dos Veadeiros:

1º dia – Cachoeira do Segredo
2º dia – Loquinhas + Vale da Lua
3º dia – Parque Nacional – Trilha dos Canions e Carioquinhas
4º dia – Catarata dos Couros + Termas do Morro Vermelho à noite
5º dia – Parque Nacional – Trilha dos Saltos
6º dia – Mirante da Janela

Onde se hospedar:

Como dito acima, são três as cidades base principais para visitar a Chapada. A maioria das hospedagens ficam na cidade de Alto Paraíso porque há muitas opções de hotéis e diversos meios de hospedagem, como campings, albergues, airbnbs. Veja algumas opções abaixo para quem gosta de:

Conforto e luxo: Pousada Baguá, Pousada Bambu Brasil, Pousada Inácia, Casa Gengibre, Casa da Lua Pousada.
Economizar: Pousada Nenzinha, Pousada Mundo Dha Lua, Chalés Alto da Estância, Pousada Alga e Ômega.
Albergue: Savana Hostel, Hostel Aventura e Jardim Nova Era.
Acampar: Camping Taiuá, Camping Hospedagem Mirante do Sol, Brazil BackPackers, Camping Hostel Passarim, Camping do Pedu, Camping Aracoara.

Foto Jéssica Lopes

Onde comer:

Risoteria: um dos restaurantes mais charmosos da Vila de São Jorge, possui luz de velas, música ao vivo e as vezes fogueira.
Zu’s Bistrô: como o restaurante anterior, a especialidade é risoto. Mas tem o ambiente muito mais simples e preços mais acessíveis.
Vendinha 1961: fica em Alto Paraíso, possui música ao vivo. Serve caldos, carnes e pastéis.
Frutos Goiás: famoso sorvete goiano, com sabores diferentes como pequi, mangaba e araticum. Fica em Alto Paraíso.
Jambalaya Espaço Gastronômico: romântico, perfeito para comer massa com vinho. Fica em Alto Paraíso.
Pizzaria Lua Nova: pizzas, crepes e drinks. Fica em São Jorge.
Cravo e Canela: vegano em Alto Paraíso. Ar hippie e muitas opções de cheeseburguers veganos.
Rancho do Waldomyro: fica entre Alto Paraíso e São Jorge e vende uma comida típica chamada Matula. Uma mistura de carne de lata, arroz, feijão, paçoca de carne de sol, mandioca e abóbora. Lá também tem opções de pratos feitos.
Tapica do Cerrado: opção barata em São Jorge, com tapiocas muito recheadas. São saborosas e generosas.

**Jéssica Lopes, viajante do Instagram Andarilhos Apaixonados, há 5 anos explorando trilhas no Brasil e no mundo.Formada em Direito pela USP, uso minha habilidade em escrever para contar histórias de uma maneira criativa e original. Mais dicas e fotos no insta @andarilhos_apaixonados. Agradeço ao Estevam pela oportunidade de compartilhar minhas dicas sobre a Chapada dos Veadeiros! Até a próxima 🙂

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