Sujeira, barulho e convidados noturnos: os perrengues de dividir apartamento durante o intercâmbio

É verdade que tudo no intercâmbio é intenso, novo e traz uma avalanche de aprendizados para a vida. Uma dessas experiências que vem pra bagunçar a cabeça do intercambista, derrubar estereótipos e, às vezes, causar muita chateação também é dividir apartamento com outros estudantes. Ainda mais se forem estudantes de outras e variadas nacionalidades!

Brasil, Coréia, Itália e Espanha juntos no mesmo apartamento.

Durante o intercâmbio ouvi várias histórias desastrosas de pessoas que tiveram que conviver com flatmates, digamos, ‘indesejados’, o que me fez crer que eu até tive bastante sorte. Quando coloco na balança, vejo que tive muito mais alegrias que aporrinhações, e fiz muito mais amigos que inimigos nos apartamentos e casas que dividi com outros cidadãos e cidadãs do mundo.

Nem tudo foram flores! Eu tive que saber lidar com situações como ver escarros na pia da cozinha e máquina de lavar emporcalhada depois de lavarem roupas misturadas com tênis e até tapete do banheiro. Sim, em geral, a maior parte do problema para nós brasileiros está relacionada à higiene – ou a falta dela -, embora a gente não possa generalizar.

Jantar coreano preparado por Nahee para as amigas e flatmates do Brasil, Espanha e França.

Aliás, não generalizar é um destes aprendizados de intercâmbio que servem para a vida! Prova disso é que o forno mais nojento que eu já vi foi de um apartamento de um grupo de estudantes brasileiros do antigo programa Ciência sem Fronteiras. Eles tiveram a grande ideia de fazer churrasco no forno! Isso mesmo! Pense toda aquela gordura derretendo, pingando, acumulando durante meses, e depois grudando feito betume dentro do forno. Pode fazer cara de nojo!

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Mas os perrengues não se resumem à limpeza não. Eu também tive problemas com uma coleguinha ‘namoradeira’, que catava os boys na balada e levava para o nosso apartamento. Pelo menos duas vezes na semana, ela aparecia com um novo ‘convidado noturno’. Mas esse não era o problema, afinal, a vida sexual da garota não é da conta de ninguém. O problema era que, na manhã seguinte aos encontros, ela saía para trabalhar e largava o ‘desconhecido’ lá dentro do apartamento, com outras quatro mulheres dormindo nos quartos ao lado. Imagina você acordar pela manhã, ir para a cozinha fazer o café e dar de cara com um homem que você nunca viu na vida! Para nossa sorte, ela não ficou muito tempo e logo voltou para a Espanha.

Teve jantar baiano também! A moqueca fez sucesso.

Porém, nada se compara ao que passei na última casa onde vivi em Cork, com outros dois brasileiros e dois irlandeses. Os brasileiros eram ótimos, mas os dois irlandeses… eram muito barra pesada! Um garoto e uma garota. Ele era estudante universitário daquele tipo que tem mais falta que presença na lista de chamada. Ela trabalhava sem registro numa pizzaria para continuar recebendo auxílio do governo – pois é, aquele jeitinho de tirar vantagem que tentam fazer a gente crer que é coisa de brasileiro não é exclusividade nossa não. Os dois chegavam com grupos de amigos e faziam noitadas insanas, regadas a muita bebida e drogas. Dormir era impossível! No dia seguinte, a sala da casa era a verdadeira visão do inferno. De vez em quando ainda encontrávamos alguns baseados esquecidos na cozinha ou no banheiro.

Vocês devem estar pensando “se com este histórico ela ainda acha que teve sorte, imagina os azarentos!”. Mas esses casos que contei foram pontuais. Eu passei um ano em Cork. Neste tempo morei em cinco diferentes lugares e convivi com 15 pessoas de diversas nacionalidades – espanhóis, franceses, italianos, coreanos, irlandeses e brasileiros. A grande maioria dos problemas que encontrei nessa jornada de convivência foi solucionada com uma boa conversa ou, simplesmente, a pessoa partiu antes mesmo de criar uma grande confusão.  Afinal, intercâmbio é assim, as pessoas chegam e partem o tempo todo.

Com os flatmates das amigas e os amigos dos flatmates! 😉

Por outro lado, colecionei momentos incríveis! Noitadas de conversas e risadas, jantares de comidinhas típicas, passeios, abraços, piqueniques, festas, baladas… tudo isso na companhia de flatmates, amigos de flatmates, e amigos de amigos de flatmates. E quando você se dá conta, você já conhece um monte de gente, de sotaques, de culturas. Sem falar nas mil e uma oportunidades de praticar o inglês!

Então, acreditem, se em três pequenos parágrafos eu narrei as dificuldades que encarei morando com outros jovens estudantes em um ano de intercâmbio, eu precisaria de bem mais de três páginas inteirinhas para contar os momentos maravilhosos que tive com os meus flatmates.

Gostaram? Quem mais já fez intercâmbio ai e tem dicas pra compartilhar?

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