Escoltados em Mynia

Olá, viajantes! Tudo bom? No post de hoje vou contar a vocês o que aconteceu saindo de Fayoum até Mynia.

Continuando minha história, saindo do churrasco de areia do deserto do Fayoum (não lembra? Entra nesse link aqui que eu prometo que tá legal!), voltei pro meu hostel e tudo bem, tudo em paz. Minha amiga aparece no quarto, do nada, com uma moça que eu nunca tinha visto. Então ela diz “olha quem eu encontrei!”, e a moça começa a falar português! Uma baiana maravilhosa chamada Jamila, que não falava português há mais de dois meses. Começamos a conversar, e ela não parava! Era ótimo ouvir as histórias dela. Ela trabalhava em Damietta, uma cidade pequena e bem distante de onde estávamos, e que era super conservadora.

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Garotinho egípcio que pediu uma foto

No próprio Cairo, nós tínhamos nossas restrições. Mas lá, ela contava que nem turistas tinham tréguas. Todas as mulheres tinham de cobrir o cabelo, usar roupas que tampassem todo o corpo, e a única coisa que era opcional, era mostrar ou não o rosto. Doideira, né ? E ela amava o Cairo, muito mesmo. Mas sentia falta do Brasil. E eu entendia ela completamente. Nunca fui do tipo de pessoa que acha que o Brasil não presta. Ao contrário, eu amo esse lugar cada dia mais. É claro que tem suas limitações e defeitos, mas, todos os países tem, certo? Se até os Estados Unidos, que todo mundo considera como o melhor país a se morar, tem pessoas que vão votar no Trump, como eu vou dizer alguma coisa do meu país?

Enfim, a Jami era amiga de vários indianos que faziam parte do projeto dela, e eles era muito legais, de verdade! Conversávamos horas a fio, sem falar nada realmente relevante, mas eu considero essas como as melhores conversas. Um dia, eles disseram para irmos à uma “balada” em um dos melhores hotéis do Egito (o hotel era mesmo lindo, mas não era uma balada, e sim um barzinho com um DJ, e podíamos escolher nossas músicas). Nem preciso dizer que foi um show de Índia e Brasil, né?

A Júlia, minha amiga de Porto Alegre, pediu uma bebida que mudava de cor, e eu nunca vi aquilo na minha vida! Era ruim, mas gente, mudava de cor, quem liga? HAHAHAHA dançamos horrores, e cada vez mais eu via como a minha visão de praticamente tudo estava errada. Sempre pensei que todos os indianos fossem super conservadores, e ali, na minha frente, eu estava vendo apenas jovens se divertindo e curtindo a vida. Parece tão simples, mas todos os meus padrões foram quebrados.

Os indianos iam embora dali a alguns dias, e junto com a amizade feita com eles, conhecemos a Natasha, uma britânica que foi fazer um projeto de arqueologia pra um filme americano. Sabe, é esse tipo de gente que eu conheço, sem querer me gabar (vou me gabar sim, ela é incrível!). Ela era totalmente independente, e dava até orgulho de vê-la saindo sozinha a noite pra buscar um suco. Coisa banal, né? Mas lá não era. Não pra mulheres. Nenhum menino deixava nenhuma de nós sairmos sozinhas. Eu odiava, mas ao mesmo tempo, agradecia. Pelo menos eu sabia que nada ia acontecer. Não que fosse tão perigoso assim, mas nunca se sabe. Do mesmo jeito que existem pessoas ótimas lá, também tem umas que não dá pra aguentar.

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Portuguesa de modelo

Deixamos os indianos no Hostel e fomos para Cidadel, uma espécie de “centro” onde existiam várias mesquitas, e dava pra ver o Cairo todo de lá! Como éramos muito diferente da população do Egito,  várias pessoas pediram pra tirar fotos conosco. Era estranho, nunca esperaria isso. Entramos em uma prisão desativada, do lado do Museu do Exército Militar do Egito. Parecia que os presidiários ainda estavam ali, e em cada cela, colocaram um manequim. Nem preciso dizer que tomei um susto. Só queria ir embora, mesmo que fosse tão lindo lá (e que a portuga tivesse sido uma modelo extraordinária).

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Sobre Cidadel

Os indianos foram embora, e ficamos muito tristes, mas ao mesmo tempo animados. O MOCHILÃO ESTAVA CHEGANDO. Arrumamos tudo e ficamos parecendo crianças à espera do papai noel. No dia seguinte, saímos bem cedo para Mynia. Dessa vez, não era um quatro rodas, e sim um ônibus do tamanho de uma nave espacial.

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Vista de cima das dunas

Claro que pedi pro Khalaf colocar minha mala no ônibus, subi correndo pra guardar lugar. Digamos que dava pra ver exatamente onde as brasileiras estavam. O ônibus inteiro e dormindo, e a gente só no malandramente, gritando, cantando, dançando, ninguém queria dormir!

Paramos em um posto pra fazer xixi, mas assim, era melhor ter segurado. Era uma latrina. E não é exagero. O “banheiro”, era um buraco no chão e alguns nem tinham porta! Algumas pessoas fizeram o que tinham que fazer numa moita. Eu segurei até Mynia mesmo hahaha.

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De dentro da tumba

Primeira cidade: MYNIA! Lá não tinha muita coisa pra fazer. Era basicamente uma parada antes de Luxor, onde iríamos andar de balão. Mas em Mynia, nós visitamos varias tumbas no alto de dunas, e confesso que pensei em desistir no meio do caminho. Quarenta graus e subindo dunas? Esses egípcios querem me matar! Mas tudo bem, a vista de Mynia era linda.

O hostel também era bom. Adivinhem? TINHA AR CONDICIONADO. Eu não consigo expressar minha felicidade. Tinha só um porém: não podíamos sair desacompanhados da polícia. Não, eu não fiz nada de errado (não que eu vá contar), mas é que aquela cidade havia sofrido um atentado meses atrás, e imagina, 55 pessoas de 22 países diferentes. Não tava nenhum pouco fácil pra eles. Resumo: saímos escoltados do hostel pra ir ao mercado (lugar preferido da portuguesa, mas isso vocês já sabem). Me senti famosa, celebridade, maravilhosa desfilando. Mas só vai!

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Portuguesa na mesquita

Voltamos pro hostel e ficamos conversando no hall, trocando as fotos do dia e já planejando o que iríamos fazer nas mídias sociais. Fui dormir super cansada, sabendo que no dia seguinte já iríamos sair. Aquela quebra de rotina era sensacional. VAMOS PRA LUXOR ! Eu só queria ir logo. Tanto museu, tanto templo, e eu aqui deitada? Não aceito!

Bom, Luxor eu vou deixar pro próximo capítulo! Espero que vocês tenham gostado, e pra mais fotos, me sigam no Instagram (@heloisemeirelles).

Beijão e até a próxima!

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