#Desabafo: Como a viagem para a Austrália mudou a minha vida!

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Harbour Bridge, Sydney – Austrália. Foto: Fernanda Lagoeiro.

 

Por Fernanda Lagoeiro

Vou começar contando pra vocês como a vida pode nos surpreender: minha real intenção nunca foi ir pra Austrália de fato. Seria lindo se fosse  pra mim o lugar dos sonhos (antes que você me julgue, te digo que hoje em dia é, mas você vai entender melhor!), e que eu desejasse com todas as minhas forças atravessar o oceano. Mas não era bem assim: eu era só uma louca viciada em Broadway, Manhattan e Nova York (que aliás, ainda não conheci!).

Tanto é que, um ano antes de eu viajar em agosto do ano passado, uma amiga minha passou um mês em Sydney fazendo intercâmbio, e a primeira coisa que eu disse pra ela foi “me traz um chaveirinho de lá? Eu coleciono chaveiros de países do mundo, especialmente dos lugares que eu nunca vou visitar na vida…e a Austrália é um deles! haha”. E claro que ela disse que não, que um dia eu iria sim, e toda aquela conversa motivacional de amiga que você sabe que é de lei. Mas eu não acreditei, óbvio!

Eis que ela retornou do intercâmbio, com meu chaveirinho na mão, e mil histórias sobre cangurus, coalas e surfistas gatos iguais aos dos filmes da Sessão da Tarde. Fui pesquisar na internet sobre a Austrália, e me vi pela primeira vez com uma visão parcialmente diferente: era um lugar bonito, não fazia tanto frio (eu sinto muuuuuito frio, tipo MUITO MESMO, a ponto de não saber lidar haha) e era super desenvolvido não apenas em estrutura, mas em educação e saúde também. Só que ainda havia um porém: venho de família humilde, e um intercâmbio pra lá custava muito mais do que eu poderia pagar na minha vida de universitária e recém-estagiária de Jornalismo (e por boa parte da minha vida até depois do término da faculdade!). Abaixei a cabeça e me conformei – pelo menos por enquanto.

Segui minha vida normalmente, até que um dia, fuçando na internet (eu nunca iria desistir, era uma caça-oportunidades de intercâmbio gratuitas), me deparei com o que parecia ser a oportunidade da minha vida: Girls 20 Summit – um congresso que iria escolher uma menina de cada país do G20 para mostrar a realidade da mulher em seus respectivos países. Nem preciso dizer que eu, pseudo-feminista envolvida em causas sociais e com ideologias a respeito de igualdade de gêneros, vi meus olhos brilharem naquela hora. E eu decidi que eu iria me empenhar naquele processo seletivo como uma mãe se empenha para dar um futuro ao seu filho.

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O chaveiro que indiretamente transformou a minha vida haha

 

E foi o que eu fiz! Aquela história de colher os frutos fazendo o que se ama fez todo o sentido pra mim. Me empenhei e alcancei meu objetivo, mas, segundo a jurada que me escolheu, o que mais contou foi a minha transparência: “você falava do seu país com o coração, tinha real esperança de que ele melhorasse, e, quando te perguntei uma qualidade sua, você não hesitou e disse: Eu sou feliz. Quer retrato mais brasileiro que esse?”. Essa foi a primeira vez que acreditaram em mim de fato – seguida por muitas primeiras vezes: a primeira vez que representei o meu país, a primeira vez que iria fazer uma viagem internacional, a primeira vez que atravessaria o oceano, a primeira vez que sobreviveria com o meu inglês, a primeira vez que saí na revista Forbes (VERDADE, MANO! Olha aqui!), a primeira vez que minha visão de mundo se ampliou e a primeira vez que me veria sozinha de fato (em partes).  Mas minha vida mudou no momento em que eu avisei a minha amiga – representante da Argentina – que o céu tinha mudado na janela do avião, e ganhado um tom de azul diferente – bem mais intenso e bonito, como a experiência que eu estava prestes a viver.

Naquela época, eu estava passando por problemas pessoais, não estava feliz no trabalho, não me sentia uma boa jornalista, não me encaixava dentro dos padrões de beleza impostos pela sociedade e sofria com um amor mal-resolvido. E nada foi melhor do que poder compartilhar disso tudo com outras 19 meninas que tinham as mesmas frustrações – ou até piores! Nada melhor do que 19 outras pessoas me dizendo o quanto eu era idiota por não me valorizar. 19 outras pessoas que viam em mim qualidades que nem eu mesma sabia que tinha. 19 outras pessoas que me fizeram enxergar e ressaltar nelas 19 mil outras características que elas mesmas não enxergavam, assim como acontecia comigo. Mas, sobretudo, 19 outras pessoas que encontravam nos meus textos jornalísticos, no meu inglês e no meu potencial um futuro tão grande que dependia de menos de 19 coisas para ser alcançado, porque ele estava apenas a alguns passos do maior obstáculo: eu mesma.

E não foi só isso: a Austrália é mesmo linda, um lugar seguro, desenvolvido e histórico – aprendi muito sobre cultura, história, economia, culinária (porque Tim-Tams é o melhor chocolate do mundo!), ações sociais, o papel da mulher por lá e o quanto as pessoas são receptivas. Mas, dentre tantos conflitos internos pessoais, o que me acalmava era ver a chuva cair fina durante a noite na janela. Era ver o pôr-do-sol depois de um dia inspirador de congresso, que iria terminar num passeio de barco ou num momento de reflexão tomando café na frente da Harbour bridge. Era poder falar com as pessoas na rua só pelo prazer de falar com um desconhecido, e ser levada a sério. E se eu te disser que alguma vez na vida vi um céu mais bonito que o de Sydney, vou estar mentindo com toda a certeza.

Fernanda Lagoeiro é usualmente uma pessoa totalmente contra clichês, mas viajar para a Austrália foi realmente um “divisor de águas” na minha vida (fui obrigada a utilizar a expressão, sorry). Enquanto eu me descobria por lá (e via que cangurus e coalas são reais, e principalmente os surfistas…), eu percebi que aqui no Brasil tinha muita gente torcendo por mim também, amigos, a família que sou abençoada em ter, professores, anônimos que liam meus textos e gente que me via como a pessoa que eu almejava ser – alguém que ama escrever e fazia jornalismo para mudar o mundo (ou tentar, pelo menos).

E não é só porque tive a honra de me tornar Jovem Embaixadora das causas femininas do Brasil que estou escrevendo tudo isso; aquela foi uma bênção que recebi de Deus e que se transformou em uma aventura. Mas a questão é que qualquer viagem pode se transformar em uma aventura, e qualquer um pode ser Embaixador se desejar muito e for atrás. Porque não? Independente de você pagar ou não pela sua viagem, de você ir pra Austrália ou para a Praia Grande, isso vai te mudar de alguma forma. Sydney, Santos, África, Europa, e daí para o mundo – todos esses lugares esperando por mim, por você, e ansiando para que façamos as malas rumo às nossas próximas aventuras.

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