Os desafios de viajar o mundo com apenas o passaporte brasileiro

Por Gusti Junqueira

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Nas duas últimas semanas estive em 6 países diferentes em 3 continentes e postei pelo menos uma foto de cada um deles. Eu curto compartilhar as fotos dos lugares bonitos, embora tenho dificuldade de fazer sempre ao vivo e o tempo acaba passando, um novo destino surge na janela e muitos momentos acabam enterrados no fundo do meu HD ou guardadas no canto da minha memória.

O que acaba indo para o Instagram é uma foto que tirei com o celular quando tinha wifi disponível, de uma paisagem (sem fio de alta tensão), de um sorriso. Quem me acompanha ou quem acompanha qualquer viajante acaba tendo a impressão de que viajar é sempre muito fácil. As vezes me sinto mal por colocar apenas fotos de sorrisos e das paisagens fantásticas do mundo no Instagram.

Na página do blog do vagamundagem no facebook  alguém chegou a comentar: “Vocês fazem aparentemente com a maior facilidade do mundo!” Bem, tenho que confessar que minha consciência pesa um pouco quando leio um comentário como esse. Nem tudo são mares azul-turquesas em uma viagem ao redor do mundo.

As dificuldades existem, problemas surgem, as preocupações são reais, mas essas coisas raramente são fotografadas e muito menos compartilhadas. A imagem que deveria valer por mais de mil palavras simplesmente não é registrada.

Uma das dificuldades centrais de viver viajando por exemplo é a questão do visto. Apesar de termos um excelente passaporte, (sim acredite, o passaporte brasileiro é tão bom que nos dá entrada sem visto para 146 países) para os países que necessitamos visto as vezes as coisas nem sempre são lá muito fáceis.

Minha primeira experiência com um visto negado quase pôs fim ao meu projeto de viagem mais ambicioso: Pilotar um monomotor do Alasca ao Brasil. Um projeto que levou mais de dois anos de preparação e que se tornou o título do meu primeiro blog de viagem: Do Alasca ao Brasil. Meu visto canadense acabou sendo negado e como eu só poderia voar pelo Alasca e pelo norte do Canadá no verão, acabei tendo que mudar a origem do projeto.

Outros desafios surgiram com vistos e imigração naquela viagem que durou um pouco mais de um ano: Tivemos entrada negada quando pousamos nas Bahamas e quase fomos presos, sendo obrigados a voltar para os EUA com um visto americano vencido, (único país que o combustível no tanque nos permitiria levar). Levamos horas para driblar a burocrática imigração do aeroporto de Trinidad e Tobago e conseguimos, com o jeitinho brasileiro, entrar na Guiana Francesa sem o visto requerido. As dificuldades continuam mesmo quando não estou pilotando aviões. Já tive

que pagar propina na Bolívia para entrar no país apenas com o certificado de febre amarela nacional (eles exigem o internacional, emitido pela Anvisa). Já recebi uma carta de deportação nos EUA . Já fui detido pela polícia de imigração na Sérvia por uma noite  quando viajava num trem da Macedônia à Bulgária, sem mencionar as várias viagens à consulados e o nervosismo de ter que responder as perguntas dificílimas como por exemplo: “Onde você mora?”,  “Por quanto tempo está viajando?” e “Qual sua profissão?”.

Os desafios de viajar por alguns países da África são exponenciais. A Gambia, onde estou no momento exige por exemplo o visto para brasileiros. Mas as informações se desencontram na internet.

Liguei para os consulados dos EUA, de Madrid e de Barcelona e a princípio me disseram que eu só poderia conseguir o visto no consulado no Brasil, o que significaria uma viagem não planejada ao Brasil ou mais provavelmente a impossibilidade de visitar o país.

Me passaram o telefone do consulado de São Paulo, mas nunca consegui ninguém na linha para depois ser informado por alguém em Washington que talvez o consulado no Brasil estivesse fechado e que eu deveria enviar meu passaporte por correio para o consulado da Gambia nos EUA. Como não dispúnhamos do luxo de um passaporte extra nem do tempo de espera necessário, essa opção não estava nas nossas cartas. O consulado em Madrid acabou nos informando que *talvez* poderíamos conseguir o visto na chegada, mas teríamos que checar na linha aérea se eles permitiriam o embarque. Liguei para a Vueling, sabendo por experiência própria que as linhas aéreas podem ser mais chatas do que as próprias polícias de imigração, e eles foram categóricos: “Você precisa do visto da Gambia para embarcar no avião da Vueling”.

De passagem comprada e impossibilitados de conseguir o visto, fomos tentar a sorte não sem antes avisar nossa amiga da Gambia que vive do outro lado do mundo, em Seattle que estávamos chegando no seu país, sem visto. Ela acabou fazendo uns contatos e conseguiu um amigo que trabalha como segurança no aeroporto de Banjul, capital da Gambia para nos receber e nos passar pela imigração. Por sorte conseguimos fazer o check-in automático e como não tínhamos que checar nenhuma mala, evitamos qualquer contato com o pessoal da Vueling (que provavelmente nos impediria de embarcar sem visto).

Mal chegamos na tumultuada sala de desembarque, quando fomos chamados pelos nossos nomes por um cara com um crachá que nos cumprimentou, pegou nossos passaportes e nossas fichas de imigração ainda em branco e nos escoltou por oficiais, policiais, guardas, soldados, explicando em Mandinka, o idioma oficial, nossa situação para alguns de cara não muito amigável.
Acabamos chegando numa salinha, com um ventilador de canto impregnado de poeira, várias pastas em prateleiras que quase cobriam a única e pequena janela e os oficiais com seus uniformes acostumados a “diplomacias alfandegárias” e seus sorrisos plantados.

Conversa vai e conversa vem, pareciam que estavam a decidir o futuro da humanidade quando nos passam o veredito: “Vamos deixar vocês entrar pela metade do custo do visto”. Ganhamos um carimbo no passaporte (não necessariamente o bendito visto) e logo estaríamos comemorando com os irmãos da minha amiga e sendo bem-vindos com dezenas de sorrisos genuínos e simpáticos em um quintal de Brikama.

Guinea Bissau é o destino próximo e claro, hora ou outra penso nas dificuldades que poderei enfrentar nas próximas fronteiras, mas acho que eu já aprendi a não me preocupar tanto com os desafios futuros e aproveitar ao máximo o momento presente.

Apesar da pobreza e da dificuldade diária que o povo aqui enfrenta, vou me certificando que a felicidade é mais um estado de espírito e que as “dificuldades” apenas o são porque assim as etiquetamos. Gosto até de pensar que são apenas oportunidades disfarçadas e assim sigo postando sorrisos (e especialmente essa semana) sinceros e contagiantes! Não deixem de seguir o vagamundagem no Instagram e deixar seus comentários no seu sorriso favorito.

Gustavo Junqueira
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