“Não é o que não pode ser…” Quando inventamos lugares para agradar o visitante

Por Philipe Branquinho

Salve meu amigos viajandeiros.

Há quanto tempo não escrevo neste espaço que, se não fosse pelos passos dados por vocês e pelos companheiros blogeiros, já estaria com uma grande formação de dunas de pó! Pois bem, estou aqui outra vez para contar-lhes algumas novidades mas, não antes de pedir minhas sinceras desculpas pelas ausências!
Por algum tempo andei com uma certa falta de saber o que escrever para vocês. Estou vivendo no México por um período de 6 meses e tenho muitas dicas de viagem. Mas me peguei numa situação que não me agradou. Eu estava saindo para as ruas em busca de dicas que pudessem ser compartilhadas e isso acabou gerando um grande questionamento em relação ao estilo de viagem que me agrada, um estilo mais livre e aberto às possibilidades que, como vocês mesmo sabem, só alcançamos quando nos lançamos nas estradas! Este é o motivo então deste distanciamento de vocês. Outra vez, lhes peço desculpas.
Ontem já estava pensando no que escreveria para marcar esta volta ao blog, e me vieram muitas ideias interessantes na cabeça e então, comecei a articular algumas possibilidades de texto. Mas, com toda a dinâmica de transformação e reviravolta que vivemos, hoje quando liguei o computador, li um email que me fez mudar de ideia. E é sobre isso que quero escrever para vocês!
Existe uma rede sócia destinada a troca e hospedagem entre viajantes do mundo inteiro. É uma ótima maneira de conhecer os lugares, pessoas locais, lugares que não estão em guias turísticos e aproveitar para economizar uma grana com hospedagem, uma vez que, uma das normas da comunidade é que a hospedagem não deve ser cobrada. Esta rede social é o “Couchsurfing”, que vocês podem encontrar descrições do Lucas Estevan nas publicações de “10 maneiras de economizar durante uma viagem – Seja dentro ou fora do Brasil.” e “Surfando sofás pelo mundo – The Couchsurfing Experience [Parte 1]”. O que rolou é que me espantei com o email que recebi hoje de uma garota perguntando quais coisas poderiam agradar um viajante estrangeiro na cidade em que ela vive.
Bom, achei legal a atitude dela de se dispor a fazer uma programação para mostrar a cidade. A questão que me incomodou na verdade foi a seguinte. Quando nós viajantes saímos de viagem, fazemos opções do que ver, conhecer, viver e outras mais. E será que neste processo, quando buscamos extrair o melhor do lugar num espaço mais curto de tempo possível, ao invés de conhecer a cidade de onde passamos, não conhecemos o que se produz para o turista conhecer?
Me preocupo muito com isso pois o que me encanta nos lugares são as diferenças que existem entre eles e as diferentes maneiras de viver da população. Se esta garota que mencionei me preparasse um roteiro todo bonito e maravilhoso da sua cidade, eu ia ficar incrivelmente feliz mas ia querer ver a cidade como ela é também. Afinal de contas, a cidade é contraditória e a beleza pode esconder o real.
O que estou querendo dizer aqui não é que a garota está errada ou que os viajantes que só vão em pontos turísticos não aproveitam o lugar. A mensagem é que se você for receber algum viajante, não se preocupe em mostrar o que é o real do seu lugar. Os contrastes sociais e paisagísticos são uma grande lição que alimenta o espírito do viajante no sentido de permiti-lo buscar cada vez mais lugares a conhecer! Não vamos artificializar o lugar em troca daquilo que estéticamente, midiaticamente parece ser o “mais bonito”.
Aqui vão algumas fotos de lugares que poderiam não ter nada de atrativo e onde se passei momentos encantadores!

Grande adensamento populacional da cidade mexicana de Almoloya de Juarez. Além das diversas formas de adaptação da população num espaço quase sem espaço de convívio, do alto do bairro é possível ver a textura formada pelos telhados e caixas d’água:

Colonia del Sol
Colonia del Sol

No terminal de ônibus urbano, local de passagem da população poços-caldense, um senhor toca antigas canções animando o tempo de espera do transporte para os bairros de toda a cidade:

Poços de Caldas-MG
Poços de Caldas-MG

A variedade de cores e formas do mercado ao ar livre da cidade peregrina de Chalma, no Estado do México. Imaginem a variedade de sons, cheiros, cores, pessoas e histórias que passam por ali:

Mercado de Chalma- Estado do México. México
Mercado de Chalma- Estado do México. México

Um dos principais cartões postais da capital paulistana, conta com uma das mais importantes ocupações urbanas para moradia popular. Ocupação Mauá – edifício vermelho.

Estação da Luz.São Paulo-SP.
Estação da Luz.São Paulo-SP.

O pacato centro de São Luis do Paraitinga-SP tem o mercado municipal como importante centro de distribuição de alimentos e também encontro da população para jogar cartas e papo pro ar:

Mercado Municipal São Luis do Paraitinga
Mercado Municipal São Luis do Paraitinga
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