Do outro lado do mundo! Morar no Japão

Não, eu AINDA não conheço o Japão, mas uma grande amiga minha, a Paolla Pereira, foi convidada pra fazer um estágio pertinho de Tóquio  e aqui ela conta um pouco mais da sua experiencia nessa ilha pra lá de Excêntrica.
JAPÃO 
   Ter a oportunidade de conhecer um país de cultura tão milenar é um presente, mas poder vivenciar essa atmosfera é um privilégio.
   O Japão é um país que mistura o tradicional com o contemporâneo. Aqui é possível presenciar em uma estação de trem, por exemplo, uma conversa entre uma senhora usando kimono e uma garota de cabelos verdes, salto 15 de oncinha e roupas extravagantes. Aqui o “meio-termo” quase não existe. Há uma explicação histórica para esse comportamento. Desde pequenos os japonesinhos são ensinados a serem iguais uns aos outros, que se sobressair em atividades comuns não é permitido. É por isso que as crianças e jovens nas escolas têm de se vestir exatamente iguais. Acessórios não são permitidos, e as aulas e atividades acontecem quase sete dias por semana, durante todos os anos de educação. A sociedade japonesa é muito repressora e quando essa fase se encerra e estão livres para ir à faculdade e ser quem quiser, they just go crazy!
   Quando eu pensava em Japão, muitas cores, bichinhos com olhos arregalados e peixe cru vinham à minha cabeça. Ao receber um convite para estagiar na terra do sol nascente, não tive dúvidas e embarquei para a minha aventura no Oriente.
   Logo que cheguei a Narita – Tokyo (aeroporto que atende a maioria dos vôos vindo das Américas) percebi que ia ser uma experiência e tanto.  Nenhuma das placas fazia sentido, agora estavam escritas em forma de desenho, ou melhor, em  “kanji”, a escrita de origem chinesa que foi incorporada ao idioma japonês. No total, o idioma japonês (ou “nihongo”), possui três alfabetos. O “katakana” escreve as palavras estrangeiras, o “hiragana” escreve as palavras do próprio idioma, e o “kanji”. Para a nossa sorte, a maioria delas tem a tradução em inglês abaixo, principalmente as de trânsito.

É possível conhecer todo o Japão utilizando apenas o trem. As linhas do JR (Japan Railway) percorrem todo o país. Existe um ticket que você pode utilizar, durante cinco dias, todas as linhas de trem (excluindo o trem bala) por um preço fixo. Contudo, se você quer economizar tempo e pode gastar um pouquinho mais com transporte, opte pelo Trem Bala (“Shinkansen”). Vale à pena a experiência. Se decidir-se por este, lembre-se de reservar seu lugar ao comprar o ticket. Você não vai querer viajar de pé, né?

   Não importa o meio de transporte, prepare a câmera fotográfica, porque essa ilha possui paisagens de tirar o fôlego.
   Os japoneses são um povo bem fechado e andando nas ruas você não vai vê-los mostrando os dentes a qualquer um, especialmente em Tokyo, onde todos estão muito ocupados, atrasados ou distraídos. Entretanto, eles são extremamente educados e você vai ouvir a expressão “Sumimasen” (sinto muito, com licença) constantemente.
   Infelizmente, grande parte dos japoneses não fala inglês e os que falam tem um sotaque bem carregado. Devido à sua educação, os japoneses tendem a formar sílabas, portanto em palavras com duas consoantes seguidas e/ou final mudo, eles adicionam vogais, por exemplo: Ticket – Tiqueto; Credit Card – Curedito Caado; ATM – Ei Ti Emu e por aí vai.. treine seu “jinglish” e você os entenderá facilmente.
Dica: Quando pedir informação, inicie a conversa com “Sumimasen”, fale pausadamente e quando receber uma resposta faça uma pequena reverência e diga “Arigato Goizaimashita” (muito obrigada) em agradecimento. A reverência significa respeito e gratidão pela ajuda e deve ser usada em todas as ocasiões.
   O serviço/atendimento por aqui é extremamente eficiente, um dos melhores do mundo, na minha opinião. Estão sempre sorrindo e à diposição para ajudar. Parte da cultura japonesa é sempre receber bem as pessoas em seus estabelecimentos, portanto, não se assuste se, ao entrar em uma loja ou restaurante, todos os funcionários gritarem “Irasshaimase!”. Esta expressão representa respeito e honra ao receber e atender o cliente (e eles gritam mesmo!rs).
   Se você não gosta de peixe cru, não se preocupe, você pode visitar o Japão sem medo. Diferente da culinária denominada “japonesa” que conhecemos no Brasil, a variedade de iguarias por aqui é bem maior. Os restaurantes de “sashimi” costumam ser mais caros que os demais, e são feitos com os mais diversos tipos de peixe, incluindo polvo, lula e ovas de peixe. Come-se muitos vegetais,  frutos do mar, carne de porco, peixe e frango. O arroz é a base da alimentação (os japoneses comem até no café da manhã), porém o macarrão também está muito presente e é servido com as mais diversas combinações de “toppings”. O famoso Lámen, Soba e o meu preferido, Udon são alguns dos tipos.
   Outra característica da cultura japonesa é sem dúvida, as compras. Por causa da falta de espaço e da necessidade de compras “ágeis”, as famosas “vending machine” estão presentes em quase todas as esquinas do país. O Japão possui a maior concentração dessas máquinas per capita no mundo, cerca de uma para cada vinte e três pessoas (um pouco de cultura inútil é sempre bem vindo né? :p). As lojas de conveniência, ou “combini”, também são uma paixão nacional. Estas lojinhas ficam abertas 24h por dia e você pode se surpreender com a variedade de coisas que vai encontrar por lá. Desde comidas e bebidas, passando por vestuário, higiene pessoal e cosméticos, materiais de limpeza até revistas e jornais. Além de oferecer o serviço de caixa eletrônico e pagamento de contas.
Dica: Para sacar dinheiro do seu cartão de crédito ou débito internacional, utilize sempre um “combini” da rede Seven Eleven.
    Um país de mistérios e tradições, cheio de belezas naturais e encantos.
Por Paolla Pereira
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