Porque você deve viajar sozinho

Uma vez na Croácia fizemos o Pub Crawl. Ahhhh o Pub Crawl! Se você não sabe o que é, clique aqui. Caso já conheça, então você sabe que todo Pub Crawl dura dois dias: No primeiro você se prepara mentalmente pra noite que vai chegar; e no segundo você se arrepende e se recupera do turismo noturno pelos bares da cidade (afinal, Pub Crawl também é cultura). Mas você não clicou aqui pra saber onde fazer o melhor Pub Crawl do mundo (apesar da resposta ser Praga e ter sido lá que conheci a Sophi), mas sim pra entender este tão doido pensamento Esteviano sobre viajar sozinho.

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Veja bem, veja bem, não estou dizendo para você comprar um kayaky, jogar no mar e nunca mais olhar pra trás. Tô falando de se conhecer. Pois é, vejo tanta gente querendo conhecer o mundo, mas não conhecem nem a si mesmos. Foi na Croácia que decidi conhecer o que o Estevam de fato queria do mundo e não esperar que o mundo mostrasse seu melhor ao Estevam. Na noite anterior havíamos feito um Pub Crawl, mas como eu não bebo (pausa dramática) acordei cedo e não conseguia dormir por nada. Meus amigos, capotados naquela manhã, nem me deram bola quando disse que queria pegar a balsa de Split pra conhecer a Ilha de Bol. Resolvi esperá-los, afinal, amizade é isso, certo?  Errado. Acho que amigo de verdade entende o espaço do outro, e nesse dia descobri ter os melhores amigos.

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Passaporte e Kunas no bolso, pegar busão, chegar no porto,  ticket pra balsa, subir na balsa, sentar. “Nossa. Como esse mundo é incrível” pensava Estevam na poltrona de plástico da balsa rumo a Bol. Verdade, eu ficava bobo em ver como o mar era azul, como as pessoas interagiam e resolvi criar minha própria trilha sonora, tirando meu ipod do bolso. Escutei por alguns minutos até ser surpreendido no convés: “Estevam,  não acredito!” Gritava uma loira de traços alemães, mas sem qualquer sotaque estrangeiro. Meu sorriso foi instantâneo e eu não podia acreditar que toda a magia da minha viagem comigo mesmo seria arruinada. Claro que isso foi uma piada! Afinal o meu presente naquele dia foi encontra a Sophie. Uma paulistana que largou tudo pra tras em SP e foi se aventurar pelo mundão. Menina corajosa, de fato, com 19 anos, cair no mundo, sozinha. Tirei o chapéu.

Talvez ela nem saiba, mas aquele dia foi crucial em minha vida. Essa estorinha de que Deus coloca algumas pessoas em sua vida, definitivamente não é estorinha. Sophi sentou-se ao meu lado e comecei a questioná-la por que viajar tanto tempo sozinha. Nesse dia entendi que não basta você gostar do que tem. Você precisa querer o que tem. E esse era o caso da Sophi. Ela cursava design e não reclamava de sua rotina, estudava e levava a sério a faculdade.Todavia não era o que ela queria.

Sua mãe um dia contou-lhe que, na idade da filha, largou tudo pra trás, pois precisava se encontrar. Não era uma questão de infelicidade, mas um impulso maior que ela. Não era o caso de férias com as amigas ou fim de semana na praia. Sophi entendia a mãe e entendia também que se não tivesse uma viagem solo pra chamar de sua, talvez sempre fosse faltar algo nela. E foi nesse um dia com Sophi que aprendi um monte.

Quando chegamos em Bol, precisavamos tomar um taxi, mas ele só iria partir se houvessem pelo menos 4 passageiros  dentro. Então colocamos a prova o método de ouvir a conversa alheia, e assim conhecemos um americano e um Bosnio (sim amigo da Bosnia é novidade por aqui!) e lembrei-me que se tivesse com meus os outros 3 amigos nem teria olhado pro lado e simplesmente partido. Chegando na praia – tida como uma das mais lindas do mundo –  desenrolava meus fones de ouvido pra criar meu próprio som ambiente. HA! Sophi não deixou! Me ensinou que natureza não é tudo igual. “Pare e escute. Você não cruzou o oceano para escutar seu ipod”. E ela tinha razão.

Super fantástico no balão mágico como o mundo é um só, mas a sua visão, não. Se eu estivesse viajando com amigos, não teria interagido com a Sophi, com o Mike, com o Jan. Não teria escutado o barulho do mar e da brisa do vento, observado as outras pessoas com atenção. Não teria refletido sobre como o mar é azul, mas apenas feito mais uma foto, pois é o que fazemos em viagens. Não teria sorrido pra menina que conheci em Praga e aprendido com ela. As vezes nos fechamos em grupos de amigos e perdemos inúmeras oportunidade de conhecer de fato onde fomos. A escolha entre ser mais um turista ou tornar-se um viajante será sempre nossa. Boa viagem.

Croaciabolssbolss

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