Minha primeira desilusão no exterior

bibi
Primeiramente gostaria de dizer o quão feliz estou pelo carinho que recebi pelo primeiro texto, prometo dar o meu melhor
para que meus textos continuem merecedores de vocês, muito obrigada!
Continuando a história…
Acordei no dia seguinte,ansiosíssima ( como se houvesse uma condição diferente para a minha pessoa), primeiro dia de trabalho na Alemanha, eu já havia escutado tantos relatos, que não sabia de fato o que esperar do meu primeiro dia.
Pra começar, a planta da empresa que eu vim trabalhar aqui é praticamente do tamanho de uma cidadeeeeeee, é enorrrrme…e dentre todos aqueles prédios, sem saber qual lado era o certo e onde eu me encontrava, precisava encontrar a recepção…
Andei pro lado errado, prédio errado, saída errada do trem, tuuuudo errado e eu começando a me atrasar para estar no
departamento ( morrendo de medo, afinal, a pontualidade é a alma do negócio alemão…), até que encontrei a tal recepção.
Primeiro a coleguinha fala em alemão com você, você faz aquela cara linda de “UÉ” e ela olha pra você como quem pensa:
Meu Deus, que ser é esse, tô falando grego?
Daí eu falo em inglês, sorridente, cordial, e aquele olhar gelado continua me olhando e me pede documentos ( esse olhar de sempre
deles é muito constrangedor, você sempre vai se achar incompetente ou… se acostuma e ri de tudo).
Figura 1
Entreguei os documentos pra ela que me encaminhou para uma salinha atrás da recepção, onde faria meu crachá, entrei na sala,
uma senhora sentada atrás de uma máquina, e para minha total surpresa e satisfação, falei bom dia, sorri, e ela foi super
simpática comigo, me dizendo (em alemão) como eu deveria me posicionar para a foto, resultado… minha cabeça ficou inclinada
para a direita, e eu fiquei com uma cara de MERDA, gente, sério, nem sei como explicar, e o detalhe é que a foto é única,
tirou, tirou, alegre ou triste, torto ou não… já era…
Com crachá em mãos, a busca pelo tesouro recomeça, o prédio em que eu deveria trabalhar ficava em um lugar ainda mais escondido do que a recepção. Então, localizei o prédio, e fui lá entrar linda e confiante, porém, todas as portas precisam de autorização (você tem que encostar o crachá) e a mágica acontece, “Que Legal!”, passei pela porta e entrei rumo ao desconhecido, quando de repente, dei de cara com OUTRA porta, e adivinhem só… meu crachá não funcionou!!!
Fiquei por um tempo congelada, pensando no que fazer, até pegar meu celular e ligar para a minha “madrinha”, me dando conta
enquanto falava um constrangido “Good Morning!” no celular da amiguinha, que ao lado da porta havia uma listinha com
ramais e nomes para autorização de entrada!
Que legal!!!
Figura 2A madrinha veio me receber, eu lá, ansiosa, feliz…
Uma mulher loira ( que impressionante), olhos verdes, na casa dos 30 anos veio em direção a porta, ( eu esperando aquele abraço, aquele sorriso) me deu a mão, e perguntou o que havia acontecido, porque eu estava atrasada!
É tão frustrante que nem tenho como explicar…
Enfim, expliquei que demorei pra achar a recepção, que tive que fazer crachá para depois me direcionar ao escritório, ela apenas disse: “Como assim crachá?” eu precisava te autorizar a fazer isso, isso e isso… que estranho, seu crachá já está pronto?”
Vocês imaginem a minha cara, quando disse, “já ta pronto sim, olha aqui!” e ela olhou aquela foto torta e disse:
Está tudo bem? Você não me parece muito feliz! ( maldita mulher que não avisou a hora do flash e que eu tava torta).
Dei aquele sorrisinho amarelo e disse que sim, que só estava um pouco confusa ( não quero dizer o que li no olhar dela).
Finalmente entrei na segunda porta, crente de que o escritório teria algumas pessoas legais, que faria amigos…
Uma sala grande com +/- 30 pessoas, pessoas as quais me deixaram claro que tenho poder da invisibilidade, porque ninguém
olhou enquanto eu passava!
Ninguém deu bom dia! Ninguém sorriu! NINGUÉM FEZ CARA FEIA!
Minha madrinha me mostrou a mesa e nela já havia um vidro de VEJA ( da Alemanha) para que eu pudesse limpá-la!
Depois de limpar a mesa, ela começou a me apresentar para as 30 pessoas do ambiente… e juro que nunca me senti tão estranha
nunca me chamou tanto de SENHORA BRAGA quanto naquele dia ( alemão tem essa formalidade de te chamar pelo sobrenome, e nunca de você, até você virar amigo… que fique registrado que jamais fui chamada de Bianca…), apertos de mão, boas vindas
sem sorrisos, e acabou.
Voltei para minha mesa ( já limpinha e cheirosa) e comecei a pensar em como seria a vida alí no escritório dalí pra frente…
Passei o dia sem fazer nada, com cara de nada, com meus sonhos ( na empresa) semi destruídos…
Voltei para casa bem pensativa… preciso entender melhor essas pessoas…entrou na chuva então se molha!!!
Figura 3
O que eu penso?
O que eu penso hoje?
Isso eu deixo para um próximo post!
Obrigada por ler até aqui!
Abraços e até semana que vem!

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