Intercâmbio: não evite brasileiros, convide os gringos!

Quando embarquei para o intercâmbio de um ano na Irlanda, saí do Brasil decidida a evitar brasileiros. Isso pesou até mesmo na escolha da cidade para onde fui. Como Dublin é o destino mais procurado, resolvi ir para Cork. Claro que sem saber que lá já havia uma turma enorme de estudantes do extinto programa Ciência Sem Fronteiras para graduandos, mais outros tantos intercambistas independentes como eu.

Minha primeira turma da escola cheia de brasileiros.

Primeiro dia de aula na escola de inglês, eu adentro a sala toda tímida e desajeitada. A turma já estava bastante entrosada e falante, todos sentados ao redor de uma grande mesa no centro da sala. De pé estava uma mulher alta, magra, lábios finos e cabelos esvoaçados. “Parece inglesa, com certeza é a teacher”, pensei comigo. Eu me sentei numa cadeira qualquer ao redor da mesa e fiquei a observar.

Logo me chamou a atenção um rapaz negro de olhos levemente puxados, muito extrovertido, sorridente e brincalhão. “Será ele de algum país africano, ou talvez cubano?”, eu pensei. Do outro lado, uma morena de cabelos compridos, lábios carnudos e sorriso tímido me lembrou mulheres de alguns países árabes. Mais à frente, uma garota morena de cabelos pretos e longos. “Essa é indiana, com certeza!”.

Quem aí pensou “coisa nenhuma, eram todos brasileiros” acertou na mosca! Mais da metade da turma era composta por brasileiros oriundos das mais diversas regiões, com seus diferentes sotaques e fenótipos. Corri para a coordenação da escola para pedir que me trocassem para outra turma. Mentira! Ao invés disso, recebi o meu primeiro convite para ir a uma festa logo na minha primeira semana em Cork. E onde foi a festa? Na casa de um brasileiro! E lá conheci irlandeses, franceses, espanhóis…

A festa é brasileira, mas está cheia de gringos!

Aos poucos foi caindo a ficha de que essa ideia de evitar brasileiro é uma grande bobagem. Primeiro, por que você pode perder a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas maravilhosas. Segundo, você também pode perder a chance de fazer importantes contatos profissionais para o futuro. Além disso, na maioria das vezes, são os brasileiros que dão uma força na hora dos perrengues e que ajudam a matar as saudades da terrinha nos dias mais frios. E que fazem as festas mais animadas!

Quando se está em outro país, a identidade nacional é um traço forte de aproximação entre as pessoas. A gente acaba se relacionando com pessoas muito diferentes de nós, pessoas com as quais no contexto normal da nossa vida no Brasil a gente dificilmente se aproximaria. E isso é muito bom!

Por fim, o meu argumento mais forte: se você evitar brasileiros durante o intercâmbio pode deixar de conhecer grandes amigos que a vida colocou especialmente em seu caminho. Talvez alguns deles venham a fazer parte do seu hall de melhores amigos com direito a estrelinha dourada no peito escrito best friend.

Quatro brasileiras e uma mexicana para garantir que o idioma falado na mesa seja mesmo o inglês.

Mas alguém aí pode estar pensando… Sim, tudo isso é muito poético e bonito, mas eu não vou para um intercâmbio para fazer amizades, vou para conseguir colocar pra fora esse inglês entalado de quem mora num país onde a gente passa a vida toda estudando gramática e não aprende a falar o idioma. Mas uma coisa não impede a outra! Por isso, a minha dica é, não evite brasileiros, mas evite ficar sozinho apenas com brasileiros. Se você tem uma festinha, um encontro, um passeio, seja lá o que for, convide um gringo! Ou vários gringos. Afinal, eles também estão lá abertos a conhecer pessoas, conversar, se divertir e praticar o idioma.

Quem mais também pensa assim? Contem das suas experiências, perrengues, surpresas pra gente.

Posts Relacionados

  • Erika Amorim

    Realmente, o intercâmbio é uma escola ! Melhor ainda são as histórias que a gente acaba colecionando ! <3

    • Lucas Estevam Ferreira

      Sem dúvidas Erika!! Melhor escola da vida 🙂