EUROTRIP… COM A MÃE NA MALA!

Próxima Chamada: Eurotrip com a sua Mãe (Ou “O Diário De Bordo: Do Filho para sua Mãe”)

O verão europeu começou, e escolher o destino é cada vez mais difícil. Voltar para aquela cidade que marcou sua vida, ou desbravar um país ainda não carimbado no passaporte? Ir para as cidades do momento e aproveitar o sol com milhares de turistas, ou ir para as cidades secretas que somente poucos viajantes conhecem? Ninguém fica impassível em voltar para a Europa.

Viajo quase sempre sozinho, mas nunca fico sozinho. Nesse grande mundo, às vezes é preciso olhar todos os mesmos lugares, sob um novo ponto de vista. Pensei em quem seria a companhia perfeita para uma nova Eurotrip (Estevam não escapa do Sudeste Asiático esse ano!) e pensei: “Por que não minha mãe?”.

Aos vinte e cinco de idade e metade desse mundo desbravado, eu me permiti à velhas emoções. E velhas emoções nunca vão mudar. Mas não existe nada mais incrível do que emocionar sua mãe pela primeira vez. Os destinos foram então traçados à risca, em uma rota que qualquer viajante experiente pensaria que eu enlouqueci.

Escolhi lugares estratégicos que me emocionaram, e que continuam me emocionando em minhas idas e vindas. E a dúvida era se minha mãe iria se encantar pelos mesmos lugares que eu. Em pouco mais de duas semanas percorreríamos seis capitais europeias, cinco delas eu já conhecia bem, e o sétimo destino seria aquele com mais exotismo possível, afinal novas emoções movem qualquer viajante.

Pouquíssimos dias antes da viagem, minha tia me liga, sabendo da viagem e de alguns destinos que eu percorreria. Manter o segredo de parte do itinerário era parte da mágica. E ganhei não somente uma, mas duas companheiras de viagem com mais de cinquenta!

A diversidade era o que mais me importava, de culturas, povos, culinária, e de acomodação. A experiência de se hospedar em seis diferentes tipos de acomodação.

Viajar não tem idade quando se tem o espírito livre. Embarquei então com a minha mãe, com quase sessenta e com a minha tia com mais de cinquenta. Uma experiência única era o que nos esperava.

Pousamos no nosso primeiro destino: Amsterdam, nos Países Baixos, onde ficamos três dias e meio. Nos hospedamos no novíssimo e badalado The Student Hotel West.

A minha mãe avaliou o hotel para as viajantes sozinhas com mais de cinquenta, e descreveu sua experiência na cidade mais liberal da Europa:

Hotel singular, muito confortável, onde se hospedam jovens do mundo inteiro.Mas em momento algum houve qualquer motivo que pudesse constranger ou haver preconceito, pois a alegria da juventude em áreas comuns, e o silêncio e respeito nas áreas dos quartos, foi uma mistura que deu certo.”

Amsterdam é uma cidade onde o velho e o novo se fundem e se harmonizam. É plana e o transporte predominante é a bicicleta. Pode-se andar a pé o dia inteiro sem se cansar. O verão não tinha nada de verão, mas os dias são mais compridos, e aprecie o pôr-do-sol quase ás onze da noite. Caminhe sem pressa. Em cada esquina irá se deparar com alguma novidade, e escolha um dos muitos restaurantes, cafés, bares, e lojas de grifes à souvenirs. Pare em qualquer rua que corte algum Canal e admire a paisagem. Barcos indo e vindo. Barcos ancorados que são residências flutuantes. Não deixe de degustar e comprar os famosos queijos holandeses. Admire as obras no imperdível Museu Van Gogh, e visite a casa de Anne Frank, onde ela passou dois longos anos durante a Segunda Guerra, e nesse tempo escreveu diariamente a vida vivida, em seu diário. Uma alternativa aos tradicionais moinhos holandeses é reservar um dia para conhecer a encantadora e pacata cidade portuária de Muiden, onde fica localizado o Castelo Medieval Muiderslot do século XII.”

Deixamos Amsterdam no dia do aniversário da minha mãe, e voamos até Londres, a cidade que mais amo no mundo. Mas será que ela também amaria?

A percepção de alguns detalhes que viajantes jovens tiram de letra pode ser um incômodo para mulheres mais velhas:

Muitas estações de metrô londrinas, não possuem escadas rolantes, e os elevadores estavam quebrados. Logo percebi que viajar com uma mala menor é a solução, apesar de não satisfazer as mulheres.”

Ficamos hospedados dessa vez em um hostel, o mais legal da Europa, o Palmers Lodge Swiss Cottage, em uma mansão vitoriana.

Estar em um hostel e dividir um espaço com mais dezessete pessoas desconhecidas, é uma sensação estranha no primeiro momento, ainda mais para quem tem mais de cinquenta anos e tem isso como sua primeira experiência. Compartilhar quarto e banheiro com homens e mulheres, jovens ou não, às vezes desnudos pelos corredores, é fácil de se acostumar aos poucos, é só se livrar da timidez e deixar-se contagiar pelo ambiente, e logo me senti à vontade e confortável como em um quarto de hotel.”

Londres é a cidade mais multi-cultural do mundo. O tradicionalismo e o moderno se encontram. E como ainda era fim de tarde, eu não poderia comemorar o aniversário da minha mãe em um lugar mais londrino do que o seu maior cartão postal.

Quem não quer chegar em Londres e logo ir conhecer o Big Ben? Admirar os detalhes dourados da Elizabeth Tower, parte do Palácio de Westminster, onde é o Parlamento Inglês. Big Ben não é o relógio, e sim o sino. Do outro lado fica a majestosa Westminster Abbey, a abadia onde William e Kate se casaram. Estão ali nos arredores a icônica London Eye, e a Waterloo Bridge, uma das incontáveis pontes sobre o Rio Tâmisa. O monumento à Boudicca, guerreira celta que lutou sozinha contra os invasores romanos, impressiona. Siga pela rua dos Ministérios e caminhe (muito) até a Trafalgar Square, a praça mais imponente da cidade. Cruze Picadilly Circus, com seusletreiros gigantes, luzes, cinemas, teatros, cafés, restaurantes e lojas de encher os olhos e esvaziar os bolsos. Ali é onde ficam os bairros de West End, Soho e Chinatown, grudados um no outro, divididos pela Leicester Square, onde a noite londrina acontece.”

E não existia melhor escolha para se comemorar o aniversário da minha matriarca, senão na efervescência da Leicester Square. Passamos três dias e meio na cidade, uma afronta, sendo que uma vida inteira não é suficiente! Eu não poderia deixar de repetir algumas coisas na cidade, como uma caminhada pelo Green Park, assistir a Troca da Guarda Real no Buckingham Palace, cruzar a Abbey Road (obrigatório para a minha mãe!), visitar o mercado de pulgas de Camdem Town, o Borough Market e sua gastronomia singular, andar pelas margens do Tâmisa, e apreciar o Novo Tate, o Globe Shakespeare, a Millennium Bridge até a St. Paul’s Cathedral, e caminhar pela Tower Bridge.

No último dia decidi ir para Greenwich de barco, um dos poucos lugares que ainda não conhecia na cidade. O Meridiano de Greenwich atravessa dois continentes e sete países. Esse é o meridiano que divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude. É ele que estabelece os fusos horários de cada região.

Londres sempre deixa a sensação de que você está deixando algo para trás. Você sempre deixa a cidade, mas ela nunca deixa você. E de Londres pegamos um voo para nosso terceiro destino, a cereja do bolo da viagem, aquele que eu mais esperava, e o único que ainda não conhecia: A Terra onde os Quatro Elementos se fundem em energia, a Terra do Gelo e do Fogo, a longíngua Islândia, quase no pólo norte. O lugar onde Jules Verne em “Viagem ao Centro Da Terra” diz ser a entrada para um outro mundo.

Uma terra vulcânica encantada com muito misticismo, herança viking, e as paisagens mais estonteantes que já vi na vida. Um lugar onde todo mundo é loiro, e no verão não escurece. Era sempre sol. Eu e minha mãe nos apaixonamos pela Islândia ainda da janela do avião, de onde avistamos uma terra montanhosa com falhas geológicas. Era a sensação de estar pousando em Marte. Não à tôa o país é locação frequente de filmes espaciais.

Estava bem menos frio do que eu imaginava, e Reykjavik era menor ainda do que eu também imaginava. Eu também não imaginava que ficaria tão apaixonado pela cidade (minha mãe muito menos, perguntando o voo inteiro o que ía fazer no Pólo Norte!). Reykjavik será um dos meus refúgios no mundo, uma cidade que apesar de pacata, impressiona todos os sentidos. Terra de um dos povos mais amistosos que já conheci.

Nos hospedamos em uma hospedaria familar, o Hotel Gardur, com quartos pequenos e banheiros no corredor, algo comum na Islândia, o país mais caro que estive até hoje. Prepare o bolso e a câmera, as memórias serão eternas.

“Até hoje eles cultuam a cultura viking com lutas, músicas, artesanato e comida. A população cultua Deuses Nórdicos, e o Paganismo Nórdico é a religião não-oficial mais oficial do país! O day-tour ao Golden Circle passa por Geysers, cachoeiras, vulcões e lugares que parecem ter saído de um livro de contos”.

Ficamos um dia e meio na Islândia, e a Blue Lagoon fica para uma próxima vez, já que alguém não fazia ideia de que tinha de se reservar com antescedência, mesmo o fim de junho não sendo ainda o auge do verão.

Voamos para Dublin, nosso quarto destino, onde teríamos novamente somente mais um dia e meio. Nos hospedamos dentro do Trinity College, um dos maiores cartões postais da cidade, e fomos surpreendidos por uma visita de Estado do vice-presidente americano Joe Biden ao Trinity. Foi erguida uma enorme tenda nos terrenos da Faculdade, onde Biden discursou em uma Formatura, com direito á baile de gala. Foi uma dessas coisas inesperadas de viagens. Havia agentes secretos (não tão secretos!), polícia e agentes do FBI por todos os lados.

Imensa a Universidade e muito bem conservada e a acomodação muito agradável. Em ótima localização tudo ficou mais fácil para poder aproveitar o pouco tempo e conhecer e desfrutar o máximo possível desse local, capital da Irlanda. Chegamos um dia antes da Parada Gay, onde eu, e toda a cidade (a primeira do mundo a reconhecer o casamento gay por referendo popular) estávamos, com muito humor, amor, entre simpatizantes, casais, familiares, crianças, idosos, desfiles de empresas dando total apoio à causa, sem preconceito algum, ou distinção de cor, gênero ou religião. E tudo dentro de uma disciplina, ordem, paz, amor e liberdade. Dublin é uma cidade pequena que podemos percorrer a pé e conhecê-la em um dia. Há muitos brasileiros por lá, e é a cidade mais simpática de todas as que havíamos percorrido, onde tudo acontece em torno do Temple Bar, do Rio Liffey e de seus parques.”

Nosso penúltimo destino é uma das cidades mais impressionantes e conservadas da Europa, a Velha Senhora do Vlatava, Praga, na República Checa, um dos melhores países para se fazer turismo na Europa. Ficamos somente um dia e meio. Como Praga era um dos sonhos da minha mãe, depois de um hotel de estudantes jovens, um hostel com dezoito camas, uma hospedaria com banheiro no corredor, e um quarto dentro de uma faculdade, todos propositalmente, chegamos no super luxuoso Charles Bridge Palace, na beira da Karluv Most, a Charles Bridge. Ficamos na suíte presidencial duplex, porque com sonho de mãe não se brinca. Era ali o destino que ela tanto queria chegar, e que eu sempre quero voltar!

Hotel decorado com esmero e com total conforto que dá vontade de passar horas a desfrutar merecido descanso no quarto, um sonho realizado que continua como história de um conto de fadas. Pois assim é a primeira impressão ao se chegar em Praga, bem como há de ficar na memória e fotos, para ser sempre relembrada. Cidade encantadora conhecida pelas suas cem cúpulas de igrejas, pontes, igrejas e torres douradas. Praga não pára. São museus, monumentos, bares, restaurantes, cafés, teatro, eventos, shows, concertos que são colírio para os olhos, som para os ouvidos e bálsamo para a alma. Caminhe e desbrave cada avenida e cada ruela, e vá descobrindo e se encantando. Deixe de lado o transporte público. Praga mescla a cidade histórica do século IX com a modernidade do século XXI sem perder as características dos estilos gótico e barroco. Cruzar a Ponte Karluv sobre o Rio Vlatava, e admirar as estátuas de seus santos protetores. A ponte separa Praga Velha do Distrito Do Castelo. Na praça da Cidade Velha observamos o relógio astronômico Orloj que a cada hora é acionado um carrilhão por um boneco “caveira” e que desfilam os 12 Apóstolos. A casa onde viveu Frank Kafka, próxima da praça central onde hoje é mantido apenas o portal original. O Castelo de Praga-sede do Governo e residência do presidente desde 1918. Ao lado avistamos a grande Catedral gótica de São Vito, a Basílica de São Jorge do século X, e que fica bem próxima da entrada do antigo Palácio Real. Ainda há de se conhecer a Igreja de São Nicolau e a Igreja diante de Týn, Museu dos Brinquedos e o Teatro Estates. Na Praga Nova caminhe e aprecie lojas de grifes internacionais, em meio à histórica Avenida onde ocorreu a Primavera De Praga. Os Praguenses estão lidando muito bem com o turismo e muito me surpreendeu se esforçarem para falar o português. Praga com certeza é um dos locais que não há de se dizer “adeus” para que um dia possa novamente voltar.”

Tarefa cumprida! Não existe nada mais precioso do que o olhar brilhando da sua mãe realizando um sonho. Ela realizou o meu sonho de ser um viajante, ela me encorajou a colocar uma mochila nas costas e desbravar os cinco continentes. Toda viagem é única, mas essa será também inesquecível.

Nada como terminar uma viagem na cidade mais linda do mundo… Paris! Tivemos um imprevisto com a nossa reserva de hotel no Marais, e acabamos ficando no Hostel Generator, uma bela surpresa. Imprevistos acontecem em qualquer viagem. Comigo, com você, com um viajante de primeira ou com um viajante experiente. Tem de se manter a calma, o jogo de cintura, e resolver. Se apavorar não resolverá seu problema.

Uma dica que dou para qualquer viajante (até porque é obrigatório), mas principalmente para quem quiser realizar essa mesma loucura de viajar com a mãe, ou com a a avó (levei minha avó para Buenos Aires, que na época tinha quase 80 anos) é investir em um bom seguro viagem. Saúde é o ingrediente principal de qualquer viagem, depois o bom humor, e por último, deixar se levar pelo Destino.

“O Generator foi muito aconchegante, tivemos a sorte de conseguir um quarto no último andar, com uma varanda com uma bela vista da cidade.Paris! Cidade majestosa.E como usufruir dessa atraente cidade em apenas dois dias? Vamos começar pelo Arc de Triomphe, seguir pela Champs Elysées, avenida imensa toda arborizada com bistrots, cafés, restaurantes e lojas, até o belíssimo jardim Du Carrousel, Museu do Louvre, a Place de La Concorde, o Obelisco, a Torre Eiffel, a Catedral de Notre-Dame, às margens do Rio Sena, belíssima, suntuosa. E terminar em Montmartre, íngreme colina que leva à Basílica de Sacre-Coéur, e sua vista incrível. Conta com ruas e ruelas localizadas atrás da igreja onde tem cafés, restaurantes e freqüentado por muitos artistas locais. E termine com um jantar de despedida brindando com um belo vinho na certeza de um até breve!”

Experiência apaixonante! Ouse e se arrisque! Planeje, ou não! Vale chegar ao destino e descobrir in-loco o que ele tem a nos apresentar. E nada planejei, simplesmente fui.”

Essa foi a viagem mais louca que já fiz. E a mais recompensadora e especial.
E a sua viagem mais louca? E a mais especial? E a sua próxima viagem? E a minha próxima viagem?

Até breve viajantes! Nos vemos nesse mundão!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Amsterdam, onde ela achou todas as ruas idênticas, e que eu estava a enganando quNdo virávamos uma esquina!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Amsterdam, onde ela achou todas as ruas idênticas, e que eu estava a enganando quNdo virávamos uma esquina!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Londres, a minha cidade preferida, e ficou sem palavras quando viu o Big Ben!

    A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Londres, a minha cidade preferida, e ficou sem palavras quando viu o Big Ben!
A Viajante Mãe comemorou seu aniversário de 57 em grande estilo, em Picadilly Circus!

A Viajante Mãe comemorou seu aniversário de 57 em grande estilo, em Picadilly Circus!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Reykjavik, e ficou paralizada pelo frio, e pela enigmática paisagem da Islândia!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Reykjavik, e ficou paralizada pelo frio, e pela enigmática paisagem da Islândia!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Dublin, e se divertiu na Dublin Gay Pride!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Dublin, e se divertiu na Dublin Gay Pride!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Praga, o destino mais esperado por ela, de toda a viagem!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Praga, o destino mais esperado por ela, de toda a viagem!

A Viajante Mãe deslumbrada por Praga, seu sonho europeu!

A Viajante Mãe deslumbrada por Praga, seu sonho europeu!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Paris, onde fechamos a viagem com chave de ouro, com a vista mais linda do mundo!

A Viajante Mãe carimbou o passaporte em Paris, onde fechamos a viagem com chave de ouro, com a vista mais linda do mundo!