Medos e inseguranças durante um intercâmbio

Medo-Insegurança-Cidade

 

Por Fernanda Lagoeiro

Até que ponto? Até quando? É normal?

Bom, vamos começar dizendo que ter medo e/ou insegurança durante um intercâmbio, ou em uma viagem qualquer que seja, é perfeitamente normal. O que pode nos atrapalhar é o quanto esse medo e essa insegurança interferem: se for o suficiente pra te fazer desistir de fazer as malas e ir, temos um problema, parceiro!

1- Viajar sozinho

Uma das coisas que mais causa medo e insegurança num intercâmbio é o fato de ir sozinho – ainda mais se for a sua primeira experiência fora, ou primeira vez andando de avião. Mas a única solução é dar a cara a tapa: vá, apenas. Tenho certeza que, por mais tímido(a) que você seja, você vai conseguir fazer amigos e se adaptar ao seu curso. E se essa for a sua primeira vez viajando de avião, leia bem o seu ticket de viagem, se certifique bem do seu portão de embarque  e, se necessário, peça informação pra qualquer pessoa (falo isso porque na minha primeira vez eu fiquei bem desnorteada, e quase perdi o voo!).

2- Durante o intercâmbio

O que vai te fazer crescer e amadurecer é exatamente esse período – o durante. Toda as vezes que você não tiver pai e mãe pra cuidar de você, toda vez que você tiver que cozinhar, que ir pra escola/faculdade/curso de metrô sem lenço e sem documento, toda vez que te faltar confiança, toda vez que se sentir solitário(a). O medo e a insegurança serão os fantasmas que infelizmente vão te assombrar nesse momento, mas é com eles que você tem que lutar. O intercâmbio é uma chance de você não apenas conhecer um outro lugar, mas de construir um novo futuro para você mesmo, aprender e praticar um outro idioma, enriquecer sua bagagem profissional e fazer amigos – se apoie nisso! Te garanto que tudo vai valer a pena.

3- #StayStrong

Ou o famoso #FocoForçaeFé haha. Se mantenha firme e deixe pra trás tudo o que te sufoca. Como já contei aqui pra vocês antes, eu tive uma experiência de intercâmbio na Austrália. Saí do Brasil sozinha e com todas as inseguranças e medos possíveis, numa época em que vários aviões estavam caindo. Cheguei lá para um congresso importante, e não me sentia confiante. Me deparei solitária, sem meus amigos, minha família – meus portos seguros estavam todos trancados e cercados por muros altos. Eu só tinha a mim mesma e à minha companheira de quarto, que ficou super minha amiga. Mas no intercâmbio a gente cria famílias novas, a gente se adapta, a gente vence os próprios medos e, na sobrevivência, cria uma confiança interna e se descobre mais forte do que realmente é. Fiz uma conexão no Chile da qual nunca vou esquecer – porque foi a pior da vida. Eu sinceramente sou uma pessoa cujo espanhol é péssimo – falo um portunhol de leve, pra não dizer que sou leiga de tudo. Mas realmente compreendo bem o idioma, então entender os chilenos não era o problema. Precisei de uma informação e tive que me virar, porque o aeroporto era mal-sinalizado, só tinha wi-fi se eu consumisse em alguma lanchonete e o inglês dos chilenos era tão ruim quanto meu espanhol. Mas essa foi a primeira vez que tive que improvisar na vida, falando um “spanglish” (espanhol com inglês) pra poder me virar e chegar no portão de embarque. Não foi fácil, mas apesar de ser a pior conexão, guardo essa lembrança comigo como um momento significativo e do qual tive orgulho de mim mesma – mantive a calma, respirei fundo, pensei antes de agir e consegui. E é assim que você deve se manter no seu intercâmbio!

4- Enjoy it!

Lei do desapego, querido leitor. Já ouviu falar disso? Pois é…é bom começar a praticar. Sua família e seus amigos de verdade vão estar no mesmo lugar quando você precisar e principalmente quando você voltar, fique tranquilo – e o mesmo vale pro seu namorado ou pra sua namorada (se ele ou ela te ama, não vai te privar de viver essa experiência). Já vi relatos de gente que desistiu de tudo por um relacionamento, ou por não conseguir ficar longe. Mas por favor, se permita aproveitar a experiência. Se permita voltar uma pessoa melhor e mais madura, seletiva (até em relação à amizades!) uma profissional mais confiante e um filho mais sensato. Deixe suas coisas materiais pra trás (até porque seu quarto inteiro não vai caber na sua mala), e compre outras com seu próprio esforço. Traga essas coisas na sua bagagem junto com memórias significativas – de aprendizado, de paisagens, de histórias de vida, de sol. de chuva, de amores de verão.

 

E aí galera, curtiram? Quem tiver QUALQUER dúvida que seja sobre isso, quiser comentar ou compartilhar seus medos e inseguranças, por favor, fiquem à vontade! Estou aqui por vocês e pra vocês – quero saber os seus causos também!

Beijos, e até a próxima! 😉

 

Imagem: Reprodução.

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