Viajar é minha cachaça

 

Clarissa, faminta, saía por volta das 22 horas da rodoviária de São Paulo. Era sua primeira vez na terra da garoa. Ao atravessar a rua viu um trailer de “podrão” (carinhoso apelido carioca para comida de rua, especialmente cachorro-quente).

 

– Um cachorro-quente, por favor?

– Purê? Perguntou a vendedora.

 

Ela ficou estupefata e assentiu com a cabeça. A senhorinha colocou molho, purê, mostarda e um monte de outras coisas. Antes que se desse conta do que iria comer, Clarisse viu seu cachorro indo para uma chapa. PLOFT! O cachorro-quente virou um misto de purê e salsicha. Comeu o lanche como se não houvesse amanhã. “Como nunca pensamos nisso no Rio?” se indagou. E foi ali, bem perto de sua cidade natal e não do outro lado do mundo, que nasceu seu amor por viajar.

 

 

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Há um termo bastante curioso na Filosofia que descreve a situação acima. A Qualia (plural da palavra em latim quale) diz respeito às qualidades subjetivas, e por isso imensuráveis ou inexplicáveis dos cinco sentidos. Embora muitos paulistas estejam acostumados a comer o cachorro-quente com purê de batata eles nunca irão poder mensurar com precisão o que a carioca sentiu quando o comeu pela primeira vez.  Essa experiência é única e ninguém nunca poderá chegar perto da mesma.

Assim, algo tão ordinário como comida de rua em uma cidade próxima à sua fez Clarissa entender que viajar é muito mais que conhecer pontos turísticos ou lugares da moda. Viajar é uma das formas mais agradáveis de se permitir algo novo. Quando estamos em nossa cidade, vivendo a rotina de cada dia, tendemos a ousar pouco. Viajar é uma cachaça por que quando viajamos continuamos sendo nós mesmos, porém, mais atentos ao inusitado. E você? Há quanto tempo não viaja?

 

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#viajaréminhacachaça

 

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