Sobre amigos reais e viagens sensacionais

Talvez você nunca mais os veja. Talvez vocês nunca mais se falem. Mas com certeza você jamais irá se esquecer daqueles dias!

Aqueles dias em que pra fazer um amigo, bastava perguntar de onde veio. Dias em que você se divertia com gente que conhecera há poucos minutos. Dias dos bons! Dias onde a amizade durava até o check out do albergue – mas isso não quer dizer que foi necessariamente ruim. Foram esses dias em que você se permitiu ser você mesmo com pessoas que também queriam ser elas mesmas. Amizades de um dia, uma semana ou apenas por uma balada. Amizades sinceras.

Durante minhas viagens conheci todos os tipos de viajantes: hippies, mochileiros, patricinhas, nerds, atletas, famílias. Acredite, vi de tudo (não apenas vi, mas senti de tudo). Senti que meditar com um hippie esperando um por do sol na Finlândia iria mudar muito em minha forma de pensar. Senti que desbravar uma cidade com um mochileiro iria mexer com meu senso de direção. Senti que conhecer novas lojas e estilos com as patricinhas não tinha absolutamente nada de errado. Senti que conversar sobre a crise ou situações de conflito no Oriente médio com nerds americanos podia ser muito divertido.  Senti que conhecer Roma a pé com atletas poderia até me render algumas bolhas, mas renderia também memórias inesquecíveis. Senti que me aventurar na cozinha com uma família alemã poderia ser uma das coisas mais engraçadas que já fiz na vida. Senti que me permitir era o lema da viagem.

A gente sente tanta coisa o tempo todo!  Mas eu realmente sinto muito por aqueles que nunca tiveram amigos de verdade. Aqueles que nunca entenderam que amigos não precisam frequentar a sua casa ou conhecer seus pais. Amigos não precisam saber o dia de seu aniversário. Amigos precisam apenas querer dividir. E, pra mim, cada um de meus novos amigos dividia sem medo um pedaço de seu mundo comigo. Alguns andavam descalços e outros mal falavam inglês, mas e daí? Amigo que é amigo não julga, apenas abraça, abre o mapa e escolhe onde vai dividir fotos e gargalhadas durante um final de semana em Barcelona.

Eles dividiam sua vontade de conhecer o mundo, de aprender novas palavras, experimentar novos sabores e caminhar sem rumo. Eram tantos amigos – e hoje são tantas memórias. As viagens pareciam tão intensas, me dava até medo de pensar no fim daquilo tudo. Dá saudade daqueles amigos gringos que te levaram para a noite mais inesquecível de sua vida em Londres. Ou daquele canadense que caminhou horas comigo na neve pois também não sabia o caminho do albergue. Claro que me dá saudades também das danças loucas e da falta de vergonha em dançar noite adentro sem me preocupar com o julgamento dos meus novos amigos.

Era tudo tão novo, tudo tão sincero e bonito! Era de fato como ter um verdadeiro amigo.

piscina com amigos viagem pelo mundo

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