Homestay! Saia da sua zona de conforto!

Por Rafael Castro 

Em 2013 tive a oportunidade de passar 1 ano na cidade de Gold Coast, na Austrália, enquanto fazia parte das minhas pesquisas de doutorado na Southern Cross University. Aqui no Brasil chamamos essa experiência de “Doutorado Sanduíche” e é uma chance única de viajar para um outro país e poder desenvolver pesquisas com financiamento das agências de fomento do Brasil. Na época fui com uma bolsa da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – que custeou toda a viagem.

Quando eu estava planejando a minha ida, uma das minhas primeiras preocupações era onde eu iria morar. Comecei a fazer uma série de pesquisas na internet e cheguei à conclusão que seria muito difícil ter essa definição à distância. Eu precisava estar lá para decidir onde moraria. Foi durante esta pesquisa que descobri que a própria universidade recomendava uma empresa chamada AHN – Australian Homestay Network. Até então eu não havia cogitado ficar um tempo em casa de família. Costumamos pensar que essa acomodação é mais indicada para adolescentes em programas de intercâmbio high school e essa possibilidade nem passa pela nossa cabeça. Comecei a amadurecer a ideia e entendi que essa seria uma excelente oportunidade de ficar em um local por um tempo enquanto procurava uma moradia fixa e, principalmente, de entrar em contato com o estilo de vida australiano. Algumas pessoas estranhavam quando eu dizia que ficaria 1 mês vivendo com uma família que eu nem conhecia, afinal de contas eu já tinha 28 anos. Mas eu estava certo que essa seria um experiência que eu levaria para toda a vida.

Entrei em contato com a AHN, preenchi inúmeros formulários com muitas informações sobre mim, mas também sobre as minhas preferências. Eles não garantem atender a todas, mas é possível manifestar, por exemplo, se você se importaria ou não em morar com uma família que tenha crianças e/ou animais, dentre outras coisas. Há ainda dois planos de alimentação que podem ser escolhidos: que a família ofereça somente café da manhã ou café da manhã e jantar. Eu escolhi a segunda opção. Fiz o pagamento e cerca de 1 mês antes da minha viagem recebi, por e-mail, os detalhes de quem seriam meus pais durante aquele período. A ansiedade bateu forte naquele momento, pois eu queria muito saber quem seriam aquelas pessoas.

Foi assim que fui apresentado à uma família maravilhosa! Meus hostparents seriam Delma Smith e Grahame Croft: um casal que vivia sozinho ambos na faixa dos 50 e poucos anos. Ele era um senhor aposentado e ela, coincidentemente (ou não) era professora de Turismo como eu! Rapidamente nos achamos no Facebook e já começamos a conversar. Eu estava ansioso para saber mais sobre eles e eles sobre mim. Eu era o primeiro estudante brasileiro que eles receberiam, pois até então eles só haviam tido experiências com estudantes asiáticos.

O grande dia chegou! Eu estava muuuuuito cansado (havia voado do Rio até Dubai, de Dubai para Sydney e de lá para Gold Coast), com um baita jetlag, mas ao mesmo tempo apreensivo e, de certa forma, envergonhado por chegar do outro lado do mundo em uma casa na qual eu não conhecia ninguém. Fui recebido no aeroporto por um representante da AHN que me levou até a minha casa e chegando lá quem me esperava era o Grahame. Ele logo me mostrou toda a casa e o meu quarto para que eu pudesse me instalar. Como vocês podem ver nas fotos, meu quarto não era muito grande, mas era bem cosy e tinha o conforto que eu precisava.

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A dinâmica familiar começou a acontecer de forma bem natural com o passar dos dias. Os dois eram muito atenciosos comigo e me ajudavam no que fosse preciso: me levaram para comprar chip para o celular, para abrir conta no banco, fazer compras etc. Logo nos primeiros dias fiquei doente por conta da diferença de fuso horário e minha hostmom não mediu esforços para conseguir me levar ao médico e para que eu me sentisse bem. A rotina durante a semana era basicamente a mesma: eu acordava, tomava meu café da manhã, pegava o lanche que minha mãe havia deixado para levar para o almoço e ia para a universidade. Na volta ela costumava me buscar, pois os ônibus paravam de circular bem cedo. Chegando em casa jantávamos juntos: cada um sentado em um dos três sofás da sala, assistindo TV e conversando sobre o nosso dia – éramos, de verdade, uma família naquele momento. Nos finais de semana a casa ficava mais agitada! Apesar de morarem sozinhos, a Delma tem duas filhas já casadas e os netos invadiam a casa e faziam a maior farra! Era incrível como todos me faziam sentir parte daquele núcleo familiar. Cheguei até a ir em festas da família e era sempre muito bem recebido. No meu aniversário eles planejaram um jantar em um cassino! Foi muito legal!

Tínhamos um relacionamento excelente e esse 1 mês passou muito rápido! Eles não só me ajudaram a encontrar um lugar para morar, como também me emprestaram roupas de cama e de banho e ainda fizeram a minha mudança! Eu mudei de lá, mas eles continuaram sendo a minha referência, a minha Aussie Family. Estávamos sempre juntos e eles sempre estavam lá quando eu precisava.

Esta oportunidade me fez perceber que nunca é tarde para termos uma experiência que, a princípio, nos tira da nossa zona de conforto. Minha viagem à Austrália se tornou muito mais completa a partir do momento que pude entrar em contato com a cultura e com o estilo de vida daquele país maravilhoso. Serei eternamente grato à esta família que me recebeu de braços abertos e que levo para sempre em meu coração. Grahame and Delma, if you’re reading this, I love you guys! Thanks heaps for having me!

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(Fotos publicadas com a autorização da família)

Nos próximos posts contarei mais sobre meu período na Austrália! Quem vem comigo???

Rafael Castro

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