Como se hospedar de graça numa ilha paradisíaca do Caribe?

Ontem à noite, entrei no banheiro e apaguei a luz. Da janela eu via a lua cheia, como se estivesse mais próxima do que de costume, pegando fogo, como se dela viesse o calor que mesmo sendo de noite pedia uma ducha fria. À distância eu via outras luzes, menos intensas mas gotejadas nas montanhas das ilhas vizinhas. O som dos grilos e dos insetos lá fora ecoava nos azulejos do banheiro junto com água que me refrescava enquanto pensava, o que escrever amanhã no blog do Estevam?

Decidi então te contar sobre a experiência atual, do lugar onde estou me hospedando há 2 meses e onde fico por mais algumas semanas, de graça! Estou numa casinha no alto de uma montanha com vista para o mar caribenho em uma das ilhas mais autênticas (onde você pode ser a única pessoa na praia mais popular da ilha e não ver nenhum hotel por perto). Tenho dois carros à minha disposição, wifi e não pago nenhuma conta, de água ou de luz e claro, muito menos aluguel.

Quando vou para uma praia não gasto mais de 15 minutos para estar nadando em águas mornas tão claras como de piscina, areias brancas, peixes coloridos e coqueiros que dão sombra e a moldura tropical na paisagem. Mesmo a ilha não tendo semáforos, o único problema de trânsito são quando os cavalos param no meio das ruas. Por falar em cavalos, eles estão por toda parte, muitos são selvagens correndo pelos campos, florestas e praias.

Eu poderia seguir te contando porque eu estou apaixonado com esse lugar e te contar as outras maravilhas de estar em uma ilha como essa que quase nenhum brasileiro nunca ouviu falar. Essa é a férias dos sonhos, para ricos e famosos você deve estar pensando. Mas e se eu te contar que todo o meu gasto semanal aqui não passa de U$40 por semana? Mesmo com o dólar nas alturas, não é um valor muito alto considerando a vida que estou levando aqui, não é mesmo? Estou escrevendo esse post para mostrar que esse tipo de experiência pode ser para você também.

Quanto mais eu viajo, mais eu me deparo com oportunidades como essa. E com a internet hoje em dia existem diversas possibilidades para quem quer viajar com pouco e até sem dinheiro nenhum! Estou sempre procurando formas de viajar de graça e o couchsurfing (minhas dicas nesse link) é um dos sites que mais uso para fazer amizades e conseguir me hospedar sem pagar nada.

Depois que você viaja por dezenas de países se hospedando numa casa diferente a cada par de dias, é natural sentir falta de um espaço privado, uma cama onde você não tem que ter hora de deitar ou levantar, nem ter que dar satisfações para seu anfitrião. Quando fiquei sabendo do HouseSitting, não perdi tempo e alguns meses depois estava no interior da França me hospedando numa fazenda linda.

HouseSitting é uma troca de favores. O viajante se dispõe a tomar conta de uma casa (e dos animais se houver) enquanto o dono viaja. Simples assim. Cada caso é uma possibilidade diferente, alguns deixam carro à disposição, outros chegam até pagar o viajante para fazer serviços básicos se ele estiver disposto, como pintar uma parede ou cuidar do jardim.

Nesse post, (clique aqui) dou várias dicas de como encontrar essas oportunidades, se inscrever nos sites disponíveis, como deixar seu perfil bem apresentável, e como foi minha primeira experiência na França.

Uma das perguntas que na época eu não soube responder era, “e se o cachorro morrer ou alguma coisa acontecer na casa enquanto você estiver tomando conta”? Bem, como nem tudo são flores na vida de um viajante, não vou esconder o que aconteceu há um pouco mais de uma semana. Apache, o rottweiler que eu tinha que tomar conta acabou morrendo e eu estava sozinho aqui. Foi muito difícil para mim porque eu me conectei muito com ele. Apesar de ele já estar bem velhinho, levava ele para as praias e fazíamos companhia um para o outro.

Com isso aprendi o quão importante é manter um contato (diário se possível) com o dono da casa, seja por e-mail ou por facebook. Como vi que o Apache estava ficando mais fraco e comendo cada vez menos eu fui relatando tudo para a dona da casa. O levei ao veterinário e a própria veterinária ligou para a dona, para dizer que ele estava sendo muito bem cuidado, mas devido às condições dele (ele tinha um tumor que não parava de crescer) ele poderia morrer a qualquer momento.

Apesar da situação triste, a dona sabe que eu fiz o melhor que pude, dando carinho e conforto para seu cachorro que ela amava tanto, e sigo aqui tomando conta de sua casa.

O mundo é repleto de oportunidades como essa e mesmo quando as coisas não saem como planejado, (um cachorro morrer por exemplo) sempre ganhamos com as novas experiências e com os novos encontros.