A felicidade só é real quando é compartilhada?

Há alguns anos atrás me deparei com essa frase ao ler o livro, Na Natureza Selvagem (Into the wild), que depois virou filme, sobre a história real de um jovem que deu adeus à sua família e amigos após sua graduação, mas principalmente à sociedade e suas convenções. Ele foi viajar o mundo de forma simples e quando chegou no Alasca e influenciado pela experiência de Henry David Thoreau em Walden, quis se isolar sozinho.
Bem, não vou ser um spoiler para você que não conhece a história ainda, mas a frase que mais marca essa aventura é: “A felicidade só é real quando compartilhada”. Me identifiquei muito com o personagem porque eu também larguei planos de uma vida “convencional” de sucesso como engenheiro aeronáutico e dos moldes que a sociedade tinha como uma vida perfeita. Na metade do meu terceiro ano de curso pela UFMG, fui escolhido  para apresentar um projeto de simulador de avião em uma das maiores conferências aeronáuticas do mundo em Toronto, Canadá
A ocasião foi especial, a família estava orgulhosa e até eu me surpreendi nos meus 20 minutos de apresentação em inglês em frente de autoridades aeronáuticas da NASA, MIT, Boeing, etc…  Mas no fundo fui mais pela viagem 0800 do que pelo valor daquele episódio no meu currículo, afinal aquela apresentação foi na verdade meu último elo com a engenharia. Fiz o desligamento da minha matrícula em segredo e estava determinado que trabalhar entre quatro paredes, vestir terno, e me hospedar em Sheraton’s da vida não era para mim.
Minha “loucura” porém estava fundamentada na certeza do que eu queria da vida e sabia que isso tinha a ver com viagens e voos. Acabei conseguindo me tornar piloto com a ajuda de uma pessoa que conheci durante uma avalanche em uma estação de esqui e usava todas férias e feriados e feriados inventados para viajar. Uma vez, em um fim de semana prolongado cheguei a conseguir um bico para pintar uma casa na Califórnia. O dinheiro só serviu para comprar a passagem do Brasil e lá consegui viajar sem gastar nada, mas por apenas dois dias.
A voz do nômade dentro de mim falava cada vez mais alta toda vez que eu punha os pés para fora e viajava. Nas primeiras viagens, não esperava por ninguém, viajava sozinho. Vivi momentos incríveis mas senti os efeitos colaterais de ser tímido e viajar sem companhia. Acabei sentindo na pele o significado da palavra solidão. Quando eu me via em frente a uma maravilha como a pirâmide de Chichén Itzá, eu sentia cada vez mais a necessidade de ter alguém comigo, para dividir aquele momento e por isso acabei criando um blog, que depois criou asas e se transformou no meu estilo de vida: vagaMundagem .
Mas se você acha que a conclusão desse texto é uma confirmação da frase em questão, você está enganado. Para mim a felicidade NÃO apenas é real quando compartilhada, mas não vou entrar em detalhes quanto ao assunto já que escrevi um texto inteiro sobre isso aqui ,  que aliás chegou a ser curtido, comentado, criticado e compartilhado por milhares de pessoas no facebook.
Quero falar sobre o lado óbvio da moeda. Sobre o quanto compartilhar me traz alegrias nas viagens. Confesso que as vezes acho difícil distinguir as intenções do meu compartilhamento entre a exibição do meu ego ou a pura alegria de ajudar, de fazer uma diferença na vida da outra pessoa. Mas tento cada vez mais satisfazer a segunda opção.
Para compartilhar essa felicidade e tudo que tenho descoberto nos últimos 8 anos de viagem (5 anos sem parar) por quase 80 países  nada melhor do que um encontro de verdade, cara-a-cara. Acabei percebendo assim que o maior incentivo de seguir minha vida nômade são as pessoas que conheço nas viagens, suas histórias, as alegrias compartilhadas em volta de uma fogueira por exemplo e muitas vezes suas lições de vida.
Eu comecei porém a sentir a vontade de compartilhar mais e assim comecei a me apaixonar por essa arte, que é escrever. Sempre gostei muito de ler e  descobri que escrever era a melhor forma de eu praticar minha honestidade com a vida que eu levo e como consigo viver o meu sonho de viajar o mundo dentro das minhas capacidades financeiras limitas.
Dizem que uma foto vale mais que mil palavras e lá vou eu de novo discordar e acho que isso poderia ser assunto de um próximo post, mas aqui estou, me sentindo honrado de fazer parte como colunista desse site. Se eu conseguir que você leitor e viajante, se inspire ou consiga viajar com minhas dicas, estarei atingindo meus objetivos e vou esperar que me questione, faça suas perguntas, me critique, peça ajuda, pois sei que o sonho de viajar não é de poucos e minha felicidade é sim, verdadeira e sincera quando compartilhada.

 

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