O que aprendi na Austrália?

 

Viajar sempre nos mostra um lado diferente da vida à qual estamos acostumados, e faz cada um se encontrar de uma maneira. Por isso, posso te dizer que a Fernanda que voltou da Austrália não é a mesma que deixou o Brasil pela primeira vez.

Pois é, essa foi a minha primeira experiência internacional! (de muitas, espero).  Viajei sozinha, quase que totalmente. Apesar de eu ter 20 anos, faço faculdade, trabalho e moro com meus pais. Eles piraram, claro. Mas mesmo assim, dei um stop repentino na minha rotina e apenas fui: ansiosa, com medo, feliz – e mais ansiosa – para além do oceano.

Primeira parada: Chile. Ok, “Espanhol é parecido com o Português, e você só vai ficar algumas horas por lá”, pensei comigo. Na teoria estava tudo certo.  Mas, na prática, me vi sem saber como perguntar sobre a minha bagagem, sinalização insuficiente para o meu portão de embarque, sem wi-fi, 3g e sem nada pra fazer. Se entrei em pânico? No primeiro momento sim; mas é claro que não vale a pena. Parei, pensei, e tentei me expressar num projeto de portunhol com inglês até conseguir pelo menos internet no celular. Deu certo! Falei com meus amigos e li um livro. Estava até acostumada com a escuridão e o aeroporto deserto quando chegou a hora de embarcar novamente.

Depois disso, ficou mais fácil, confesso. Desci na Nova Zelândia para uma escala antes de chegar em Sydney, e já estava “me sentindo em casa”. Tenho mais facilidade com o inglês, então fui fazer umas comprinhas e depois comecei a conversar com as pessoas na sala de espera.

Conheci um casal: Mr. John e Mrs Constantina. Ela do Chile, e ele da Nova Zelândia. Casados e felizes, se revezando para visitar suas famílias. Ambos abandonaram muita coisa e cederam  parte de suas vidas para ficarem juntos. Um casal típico de filme, que falava da relação com brilho nos olhos, e as mãos só se soltavam em caso de emergência.

Mas enfim, cheguei na Austrália para a maior experiência da minha vida: representar o meu país num congresso feminino na Opera House. Quanta responsabilidade, né: E lá eu senti isso mais do que nunca. Estudei, estudei muito, e em todo lugar. Além disso, era constantemente bombardeada por perguntas sobre o Brasil (afinal, eu estava acompanhada de meninas de 20 países diferentes).

E eu, apaixonada por culturas em geral e histórias de vida desde sempre, me vi numa espécie de paraíso pessoal. E acho que isso me fez absorver muito mais de todos os workshops e de toda a experiência em si. Aprendi muito sobre mim mesma, em cada situação de dificuldade (aliás, se você estiver lendo isso e souber como se diz “elástico de cabelo” em inglês, me conte nos comentários!) justamente por estar sozinha. Além disso, aprendi muitas palavras novas (em vários idiomas!), e minhas novas amizades internacionais me mostraram o quanto as coisas podem ser iguais e diferentes. Ao mesmo tempo em que nos víamos completamente opostas (idioma, sotaque, período universitário, curso, nacionalidade, tuuudo!), elas tinham os mesmos problemas com garotos e ex-namorados, e eram movidas por uma vontade incessante de mudar o mundo, começando pela própria realidade. Aprendi a admirar cada uma, e a respeitar e conviver com seus defeitos e as limitações culturais.

Aprendi muita coisa que vai ser útil para a minha bagagem pessoal e profissional, com certeza. Mas, se me perguntarem sobre as minhas maiores e melhores lembranças, vou te dizer, sem dúvidas, que foram as mais simples possíveis: o amor sincero do casal na Nova Zelândia, o sol se pondo atrás da Harbour Bridge, o céu estrelado da janela do meu quarto, a gentileza e o sorriso das pessoas nas ruas e lugares onde quer que eu fosse, a noite movimentada de Sydney, as conversas noturnas no lobby do hotel, minhas novas amigas (as representantes do Japão e da Indonésia) se abrindo pra mim e me contando suas histórias de vida de uma maneira que, culturalmente, não era comum (choramos e tudo mais). Porquê o que faz a diferença, no fim, é isso: a mudança. Mudança que você fez para uma pessoa apenas em ouvi-la, mudança de pensamentos, de maturidade, de conduta, de ares, mudança para planos que te deixem mais feliz.  Mudança da sua realidade, que vai acabar refletindo na sua vida e na vida de outros.