Saudades de viajante

Faz alguns dias que tenho pensado sobre a saudade. Pensado o quanto é bom se aproximar de pessoas, lugares, aromas, sons e depois partir e sentir saudades de tudo o que realmente vale a pena, das coisas que nos faz sorrir e nos remete a bons tempos.

Um apreciador de viagens como eu, um cidadão do mundo, com tantas pessoas iluminadas que cruzaram meu caminho e hoje fazem parte da minha história, tantos paraísos visitados e tudo que os compõem fazem com que essa saudade se torne imensa e há dias que mais  parece que vai me abocanhar, de tão grande. Então me pergunto: tudo isso me deixa feliz ou triste?

A resposta ainda não sei. Mas tenho tentado canalizar todas essas lembranças para um sentimento positivo, de felicidade. Tenho tentado me lembrar dos tantos amigos de etnias diferentes que conheci. Lembro, sorrio, e imagino que todos esses encontros nunca foram por acaso e os que realmente foram positivos, irão se repetir.

Construí um pequeno álbum imaginário de todos os lugares que me cativaram e quando me lembro deles  vou mentalmente até lá,  atenuando a saudade. Os aromas eu respiro fundo e os sinto. Os sons surgem quando me desligo e permito que se aproximem de forma harmônica. Assim tenho tentado caminhar e seguir para o próximo porto.

Mas também tenho me questionado se tudo isso que me remete à saudade, que foram e são momentos tão bons, não me trazem a vontade de me estabelecer com raiz num lugar que me traga paz. Rodeado por pessoas que realmente me ensinam e aprendam algo no dia a dia, e uma atmosfera composta por tudo que me inspire. E daí criar laços e aproveitar de forma mais intensa e duradoura tudo isso, ir fundo, me permitir. Porque não?

Retornei há  uma semana e meia de uma experiência na Europa e tenho tido mais tempo para refletir sobre tudo isso, numa cidade interiorana onde eu posso apreciar todas as noites um dos céus mais incríveis que já vi. Tempo esse que tem me permitido pensar nesses questionamentos, pois foram tantos lugares que fiquei paralisado e agradeci por estar lá. Tantas amizades que me ensinaram e aprenderam algo, tantos cliques, tantos  crepúsculos, tantas canções, tantos tantos.

Há duas semanas estava em Ibiza e hoje eu estou sentado escrevendo numa cadeira de descanso, sentido o ar no meu rosto, e sorrindo com o sol, pois fazia tanto tempo que eu não o via brilhar assim. Em Londres o sol brilha de forma bem mais tímida, e há dias em que ele nem aparece por estar com vergonha.  Já aqui, onde estou no interior de São Paulo, ele não só  brilha como dá gargalhadas.  De vez em quando até exagera.

E nessa mesma cadeira estou agradecendo a saudade por me fazer relembrar de tantos momentos incríveis, me permitir buscar na memória e emanar boas energias para isso tudo que  já vivenciei. E aqui continuarei pensando mais um pouco de forma leve, atenciosa e sadia como é bom viajar e conhecer o novo, mas que eu também quero ter meu ninho. Retornar e lembrar na minha cadeira desses lugares. Quero continuar voando por todos os cantos, mas estou disposto a ter o ninho naquela árvore mais alta, que o sol bate na janela todas as manhãs e dá uma gargalhada desejando um bom dia.

22.9

Por Wilian Bernardo

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