Vivo mesmo é de saudades – Sobre viagens e intercâmbios

As vezes não sei se eram os lugares. Me pego pensando se talvez não fossem as pessoas. Uma vez ouvi que o importante não eram os lugares que íamos, mas as pessoas que conhecíamos. Sei lá. Me sinto livre. Mentira, me sentia livre. Na época, nas horas de liberdade. Sinto falta das alamedas em que me perdia, das novas ruas em que passava, dos rostos inéditos que conhecia e das palavras novas que aprendia. Dos gestos inimagináveis que saiam de minhas mãos pra tentar me fazer entender. 
Me perdia dentro de mim. Um caldeirão de inesperado com expectativa, uma mistura final inusitada, que trazia sempre borboletas em meu estômago.

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Hoje eu vivo mesmo é de saudade. Tanta saudade que se você deixar eu volto sim! Volto praquela tarde de outono no parque da cidade. Pro último piquenique antes da mudança de estação. Volto pro meu primeiro tombo de ski e pros sorrisos infantis e gargalhadas de quem se permitia ser criança no lugar de ser turista.

Saudade é o preço que se paga por ter vivido momentos inesquecíveis. Se você me der licença, eu dou licença pra saudade. Eu deixo ela passar, mas bem pertinho, porque ela é só sorrisos, risos e amigos. Os amigos novos do colégio, os parceiros de inéditas aventuras. Os colegas conhecidos no novo trabalho que já davam trabalho antes mesmo da balada terminar. Dos amigos do metro, do estranho que em troca de nada, uma vez te ajudou.

Era lindo como minha bicicleta parecia conduzir-se sozinha dentre parques e morros. Lindo como cada por-do-sol assistido em uma nova cidade, um novo local, com uma nova companhia. Tudo novo. Menos a vontade de viver tudo novo, todo dia, o dia todo.

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A chegada do verão parecia o tempero secreto de uma tradicional família italiana em um almoço de domingo. Como se gotas de alegria com notas de amizade tocassem as pessoas e mudassem seu humor. Tudo lindo, tudo limpo, tudo amigos.

Faz falta escutar que tem sotaque e gente querendo ver meu samba no pé. Sinto saudades de como minha caipirinha era sempre a melhor do mundo, pelo simples fato de ser brasileiro. Às vezes inventava receitas pra inventar novos risos. Inventei tanto, que parei quando descobri que os ingredientes básicos e o modo de preparo vinham de dentro pra fora, e não de fora pra dentro.

Achei em minhas viagens a receita da felicidade que tinha ingredientes diários adicionados a sua composição. Não poderiam faltar novas amizades, meia xícara de lugares nunca visitados, 3 colheres de sopa de palavras jamais pronunciadas, uma xícara de empatia, 4 colheres de novas experiências e sorrisos com histórias pra contar. Misture tudo muito bem e repita a operação diariamente, com expectativas em mente e coração aberto sempre. Por de repente,  as saudades tomam a gente.

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Por Lucas Estevam

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