Primeira Aventura no Camboja – Phnom Pehn e Kampot

Boa tarde pessoal!

Hoje o texto que publico não é meu, é de uma amiga querida chamada Tamara Monaco!

Pela aventura dela já dá pra saber um pouquinho sobre quem ela é.

Aproveitem, e curtam! 🙂

Beijocas…

 

     Os primeiros cinco minutos num novo lugar é sempre o momento mais especial de uma viagem. Voce faz sua pesquisa antes de embarcar numa aventura, lê tudo o que acha pela frente sobre o destino escolhido, faz as malas e pega o aviao. Tudo o que voce leva com você será uma vaga idéia de como a viagem vai ser e logo nos primeiros minutos voce percebe que nada vai ser do jeito que você achava que seria e que tudo é diferente do que você tinha lido.

     Eu tinha esperanças de chegar num lugar que fosse me lembrar mais um pouquinho de casa, do Brasil que tanto me faz falta e apesar do calor brutal e da umidade tao comum à nós brasileiros, Cambodia é ao mesmo tempo parecido e completamente diferente de casa. Após descer do avião, a primeira providencia é tirar o visto, não interessa quanto tempo seja sua permanência. Meia hora na fila, uma taxa de 25$ e voilá, você chegou no Sudoeste Asiático. Eu já tinha combinado com o meu hostel de um Tuk Tuk ir me buscar e lá estava ele segurando uma plaquinha com meu nome: Tamara Monaco. A primeira impressão que tive do Cambodia foi o sorriso gigante que o motorista abriu quando me viu. Normalmente as pessoas são o que fazem uma viagem ser especial, e eu imediatamente percebi que esse era um lugar especial. Que pessoa simples, mais linda no singelo gesto de um sorriso. E lá fui eu com meu mochilão encarando aquele calor visceral. Naquele memento pensei que se não fosse morrer cruzando o transito louco de Phnom Pehn, talvez sobreviveria pra ver o resto da Ásia. O jeito que eles dirigem é algo assustador pra qualquer pessoa vinda de fora da Ásia. Não existem placas, regras e senso do perigo. Vai todo mundo em cima da moto, pai, mãe, filhinhos e cachorro. Todo mundo sem capacete e aparentemente eles se entendem na hora de fazer cruzamentos. A felicidade de estar num novo lugar especialmente aonde tudo é novo e loco é impagável e você só terá isso naquele instante quando percebe-se que sua zona de conforto já era, agora é você e o novo a ser descoberto.

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Meu hoTamara2stel em Phnom Pehn foi a melhor escolha, limpo, grande e muito bem decorado. Por 3$ a noite você vai se deparar com Ingleses e Australianos por todos os lados. O perfil do mochileiro pelo Sudoeste Asiático é sempre o mesmo. Europeus jovens com seus Macbooks and Smartphones sem muita idéia de como ser original, então todos nós acabamos fazendo mais ou mesmo a mesma coisa. Logo no meu primeiro dia eu fiz amizade com um sul-cortamara3eano e com um chines de Hong Kong. Fui convidada a me juntar à eles então passamos dois dias juntos explorando o que Phnom Pehn tem de bom pra oferecer. Fomos no mercado central, aonde todo tipo de bugiganga asiática é vendida junto com as especiarias culinárias que fazem qualquer um achar que o estomago de qualquer Cambodiano é a prova de uma bomba atômica.

Nunca achei que a comida fosse ser um problema porque sempre amei comida asiática, especialmente chinesa e japonesa, mas essa culinária foi pra outro nível. Muita sopa com macarrão, muita fritura e carne. Como eles agüentam comer um curry quente pra burro debaixo desse calor? Fiquei mais na água de coco, bubble tea, e bolachas oreo. Vende-se de tudo no supermercado inclusive produtos ingleses, americanos e australianos então achei oreo de morango que nunca tinha visto e as famosas bolachas australianas Tim Tam que sempre quis experimentar.

 

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Junto com meus novos amigos fomos até o Palácio Imperial e Killing Fields, que foi na verdade um cemitério chines aonde o regime Khmer matou mais de metade da população num genocídio que poucos falam à respeito. Como sempre é bem delicado passear por um lugar desses. Você não sabe o que pensar, porque nada do que você pense irá se igualar as monstruosidades que ocorrem por lá. Nada do que você diga, irá amenizar a dor que tomava conta daquele lugar e nada do que fizer agora vai diminuir o número das vítimas, mas o importante é enxergar que apesar de todo mundo só mencionar o Holocausto ou as vítimas das torre gêmeas, existem em outros lugares regimes e genocídios que assolaram populações inteiras e que parece ser menos importante porque não é tao mencionado como os eventos que ocorrem na Europa ou USA.

 

Depois dos nossos dias cansativos explorando Phnom Pehn, à noite sempre íamos comer nos restaurantes da redondeza. São muitos, entao nem precisa ficar pesquisando muito. De acordo com o americano que estava conosco, é muito simples classificar um bom restaurante de outros não tao bons. O restaurante que mais tiver pessoas locais comendo vai ser o escolhido. Pode não ser o mais limpinho e muitas vezes são simplesmente as barraquinhas na rua, mas se o estomago dos Cambodianos aguenta, é porque eles sabem o que é melhor. Um vez que você chegou e abracou os novos costumes e regras de um novo lugar, é a hora de rever os conceitos de limpeza. Aqui não é lugar pra ficar com nojo e analisando muito. Entregue pra Deus e vá! Muitas vezes alguns restaurantes podem parecer limpos na fachada, mas a cozinha vai ser a mesma coisa que outros não tao bem apresentáveis, então não liguei muito aonde estava me metendo. Fiz questão de experimentar grilo, sapo, verme e barata no espetinho, tudo muito crocante e de forma alguma é nojento. A bebida tao conhecida dos brasileiros água de coco é vendido em todo lugar, mas outra bebida bem popular e refrescante é a batida de fruta que aqui é chamado de shake. As frutas mais comuns são as Piaia, Jaca e Durian. Essa última parece ser a rainha das frutas por aqui. Além de vender em qualquer barraquinha, em Kampot na praça principal dá até pra encontrar um monumento erguido em sua homenagem.

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Além do transito caótico, ordem não é algo normal pros asiáticos, eles não respeitam muito a fila, e vivem esbarrando em você. As mulheres são em geral muito bonitas, bem femininas e magras. As crianças são adoráveis e toda vez que veem alguma pessoa de fora acenam e falam “hello”. Os preços são um capítulo á parte. Vai ser difícil achar um lugar mais barato pra mochilar. Prato de comida em restaurante costuma custar menos de 2$, uma batida de fruta custa 1$ e hostels saem por 3$ à 4$ a noite. Logo no meu primeiro dia tinha resolvido que iria dar um trato no meu cabelo e entrei no primeiro cabelereiro que achei. Não sou muito exigente com cabelereiro porque acho difícil achar algo pior do que os cabeleireiros na Europa, então qualquer um vai dar conta do recado. Preciso dizer que cortar o cabelo foi uma experiencia e tanto. Primeiro ela vai cortar o seu cabelo seco, e elas dão preferencia pra cabelo repicado, então o cabelo vai ser praticamente desfiado todinho. Depois de demorar dois minutos pra cortar, ela vai espirTamara8rar água no seu cabelo e vai lavar ali mesmo na cadeira em frente ao espelho. Elas lavam por uma eternidade sempre tirando a espuma e indo lavar as mãos no lavatório. Depois de massagem em toda a cabeça, vem os soquinhos nas costas e o enxague final do cabelo. O jeito de fazer chapinha também é bem diferente. Ela seca o cabelo sem escova e vai direto passando a prancha. Apesar de todo o processo não ser ortodoxo, você vai sair do cabeleireiro com o mesmo resultado legal de qualquer salão brasileiro. Tudo isso pela bagatela de 4$! Pedicure e manicure também são feitos de outro jeito, mas o resultado foi também razoável e de novo me custou uns 6$.

DeTamara7pois de alguns dias em Phnom Pehn, resolvi ir pro meu destino final que é Kampot, mas essa aventura fica pro sábado que vem!

Até lá!

🙂

Abraços

Tamara