Viajar de bicicleta e os problemas no caminho – Bike e viagem

Por Philipe Branquinho.

Nessa semana quero contar sobre um acontecimento bastante comum para quem pedala e tema de grande parte das perguntas que nos fazem quando ficam espantados por você utilizar a bicicleta como meio de transporte – até porque a bicicleta é um brinquedo da infância não é? NÃÃÃOOOO!!! A BICICLETA É UM MEIO DE TRANSPORTE!!!! –. Enquanto pedalava pelas ruas de Campinas, indo para meu trabalho, comecei a escutar um longo assovio que rapidamente passava por uma pausa, cada vez mas rápida de acordo com o aumento da velocidade da bicicleta. Logo veio na minha cabeça: “o pneu furou”. Em menos de 1 minuto o pneu já estava completamente vazio…
Bom, é justamente sobre isso que quero falar. Sobre furar pneus e algumas situações que já me ocorreu isso. A ideia não é dar dicas ou ensinar como trocar, mas relatar alguns eventos que foram transformados por ter um pneu furado.
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Para quem anda de bicicleta, sabe que a relação que criamos com o tempo é bastante diferente daquela correria que aprendemos a aceitar no ritmo urbano. Não adianta querer ir mais rápido do que você consegue pedalar. Ainda mais em uma subida, o ideal é você aceitar sua condição de velocidade e aproveitá-la da melhor forma. Se cansar, desça da bike e a empurre. Pronto, não há regras, apenas faça o que você quer fazer!
post_9_noite Durante a viagem que fiz pelo Rio São Francisco, pedalei de Campinas-SP até Piaçabuçú-AL por 7 meses e meio, percorrendo 3.500km. Perdi a conta de quantas vezes meu pneu furou. Mas as contas só foram iniciadas depois que cruzei o estado de Minas Gerais. Por incrível que pareça, de Campinas-SP até a cidade de Carinhanha-BA, o pneu não furou nenhuma vez. Ai, quando entrei no estado da Bahia não teve jeito. E parece que, para compensar todo o caminho que passei ileso, o pneu furou 8 vezes no mesmo dia. Isso aconteceu pelo fato de, na estrada, ter muitos espinhos que não me deixavam livres. Nas primeiras vezes que furou no mesmo dia, eu fiquei até tranquilo e reparava os furos, substituía a câmara de ar e seguia estrada. Mas quando furou pela 4ª, 5ª, 6ª, 7ª e 8ª vez, eu já estava bastante puto! No final do dia, já empurrado a bicicleta até chegar na próxima cidade, o que me consolou foi um pôr do sol multicolor que aconteceu para me consolar de todas as paradas para reparo do pneu. Na caatinga bahiana, o sol mergulhava por entre nuvens e as tingia com um vermelho tão forte que se espalhava por todo o horizonte. Valeu o presente!
post_9_pordosol
post_9_pneuQuando cheguei em um povoado no meio do caminho, me sentei em um bar para fazer os reparos da última vez que o pneu tinha furado. Na realidade não valia mais a pena fazer reparos, nem era possível. A câmara de ar tinha mais furo do que câmara de fato. Então, tive que jogar fora e comprar outra câmara. O que sempre faço quando estou de bicicleta (menos desta vez) é carregar uma câmara de reserva e, caso uma fure, enquanto seca a cola do reparo, a reserva toma lugar, sempre revezando uma e outra.
post_9_bikenochaoO lance é esse! Quer andar de bicicleta, aceite as condições que ela te coloca. Aprender a reparar pneus é algo bastante simples e te faz ter maior contato com a bike. Além disso, quando você mesmo é capaz de realizar estes trabalhos, a sensação de autonomia aumenta, potencializado pela liberdade de pedalar pelas ruas, estradas, trilhas, campos, parques e por onde mais sua criatividade e equilíbrio permitir!
E o que aconteceu comigo quando o pneu furou ao ir para o trabalho? Bem, peguei a bicicleta e a levei de volta para casa, peguei um ônibus e fui trabalhar! Poderia também ter prendido a bicicleta em algum poste e, ao retornar busca-la e lava-la para casa mas, quando o pneu furou eu estava ainda perto de casa (que bom!!!!).