E viajar é preciso? Porque não consigo mais ficar em casa

filess 013

Há algumas semanas me perguntaram por que eu viajava tanto. Uma pergunta simples e direta, coisa que eu poderia ter respondido com um simples: “porque gosto” ou um “porque acho legal passear”. Todavia não conseguia achar uma única resposta para essa única pergunta. Seriam as minhas viagens um desejo? um capricho? uma concessão? talvez mera curiosidade? experimentar uma dose extra de liberdade? conhecer o desconhecido?

Resolvi ir mais fundo. Comecei a pensar na razão maior do porque 600 milhões de pessoas entram anualmente em um avião, cruzam oceanos, deixam familiares e amigos para trás, a procura do novo, do diferente. Para cada destino uma viagem, e para cada viagem uma historia.

Tinha 16 anos recém completados quando embarquei em minha primeira grande aventura. O destino? Canadá. A razão? Intercâmbio. Duração? Um ano. Coisa que parecia eterna e passou voando. Mas foi lá que comecei a ter maturidade, onde descobri o gosto da sensação de liberdade e o peso das escolhas.   Tomar um avião sozinho ou atravessar o país de leste a oeste em um ônibus lotado de intercambistas parecia muito mais interessante que mais um final de semana no sofá de casa.
Voltar pra casa foi ótimo. Família,  amigos, comidinha brazuca: isso não tem preço. Sempre amei o Brasil, mas não quis saber de colocar um ponto final, e sim, dar continuidade às minhas aventuras.

E assim foi: curso de espanhol no inverno de 2008 na Argentina. Graças a esse curso de espanhol consegui meu primeiro emprego na IBM em Hortolândia (e olha que ainda dizem que viajar não é investimento!)

Culpa do destino, meus tios e primos se mudaram em 2008 para o Oriente Médio onde moram até hoje. E foi no final de 2009 que embarquei em direção a terra do Aladin. Férias em Doha, ano novo em Dubai, Rally no deserto da Jordânia…  Tudo era extremamente diferente, mas nada tão inesquecível como quando cheguei na cidade de Petra e vi o monumento do “Tesouro”. Coisas que só viajando a gente sente.

Rio Tibre

Em julho de 2010, me aventurei pela primeira vez na Europa: Alemanha, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Estônia. Tive a chance de ir visitar meus amigos europeus em suas casas, ver como era a vida de cada um, o que realmente faziam, conhecer suas famílias e ver de perto, O Novo.
E qual não foi a minha surpresa, quando após um ano e meio já trabalhando na Bosch Campinas, tive a chance de ir trabalhar na Bosch Alemanha? Abracei a oportunidade e descobri que o hobby virou vício. Um vício delicioso. Aprendi a viajar pelo meu bairro, a viajar de avião  a viajar em um parque, ou me perder na viagem de um novo livro, viajar em pensamentos, nas viagens dos outros. Era sempre um prazer viajar nas viagens.

DUbai

Germany 2012 074

gondd

Germany 2012 111

A facilidade de viajar pela Europa é tanta: subir em um trem em Munique e em 4 horas sair em Paris. Tomar um chá em Londres em um final de semana e um Gelato em Milão no outro. Era uma aventura sem fim, um momento que parecia eterno, mas como tudo na vida, não era. Voltei ao Brasil, e quando voltei sabia que aqui era meu lar, mas seria o meu lugar? Muitos dizem que o seu lar é onde esta o seu coração. E dizer que partes de mim não ficaram pelos lugares que andei seria ir contra as leis da Natureza.

Não acho que a grama do vizinho é sempre mais verde. Mas sei que o tom desse verde é outro e preciso vê-lo de perto. Para mim, viajar é isso: entender que a cada novo destino eu me descubro melhor. Entender que na realidade não existe, o certo ou o errado, o feio ou o bonito, mas apenas o Meu e o Seu.
E você? Por que viaja?

Croacia

Texto publicado por Lucas Estevam na Revista Donne Differenza em Dezembro de 2012