Os clichês de ser brasileiro

brasil
(Imagem Reprodução)

     Os brasileiros pensam que os alemães são mau humorados e fechados; bem, em parte há razão nisso, principalmente no inverno. Não há como ter bom humor depois de semanas e semanas de frio e neve e dias nublados e cinzas. Porém o simples fato de ser brasileiro ajuda bastante a driblar o mau humor dos alemães.

Já passei por diversas situações onde o simples fato de falar que era brasileiro, já abriu sorrisos e comentários tipo: AHHH RIO DE JANEIRO… AHHH CARNAVAL… FUTEBOL…. São clichês e muitos alemães conhecem do Brasil somente os clichês, mas mesmo assim, se eles vem para ajudar, então devemos aceitá-los. Muitos, ao saber que sou brasileiro me perguntam: MAS O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI ? O BRASIL É O PARAÍSO!! Mais um efeito dos clichês… pensar que no Brasil so tem coisa boa. Mas por outro lado, essa visão serve muitas vezes para quebrar a barreira de mau humor ou de formalidade, pois todos esses clichês, carnaval, futebol, turismo, férias, verão, mulheres bonitas, etc, são parte de uma esfera pessoal, que faz com que a pessoa lembre ou conte fatos bons de sua vida e saia do âmbito formal para uma conversa mais descontraída. Isso vivencio muito aqui.

Ser brasileiro na Alemanha é bom pois sempre somos vistos como pessoas alegres e que vieram de um “paraíso” (Sabemos muito bem que não é bem assim que são as coisas), e isso ajuda em situações rotineiras onde o mau humor imperaria.

IURIEntão com o tempo, aprendi que no lugar de tentar rebater os clichês de ser brasileiro com papos cabeça para desmistificar o “Brasil-Paradise” que pensam, o melhor a fazer é levar tudo na esportiva e só adentrar assuntos mais espinhosos acerca da história nacional brasileira para quando realmente for importante e tivermos tempo suficiente pra isso (de nada adianta tentar convencer o tio da padaria que adora o Brasil de que no Brasil não há segurança e a corrupção é alta, sendo que pro padeiro o que importa é a ideia de que existe um paraíso e ele se chama Brasil).

Por fim, creio que os clichês devem ser tratados de forma superficial, pois não se pode julgar um nativo pelo que sabemos da Oktoberfest ou do amor por carros. Quando o papo fica mais complexo, aí sim vale a pena mostrar um pouco mais do que é o Brasil, mas na hora de comprar um pedaço de bolo na padaria, nada como ser bem recebido como se fossemos um jogador de futebol famoso ou um sambista profissional

[author ]Iuri Ribeiro, 28 anos, é cientista social, que tem muito amor pela Alemanha e que adora viver neste país de língua complicada. Email: [email protected][/author]

Posts Relacionados