Liberte-se! Para circular e comunicar

Por Philipe Branquinho

Associar bicicleta com liberdade tem sido cada vez mais comum no nosso dia a dia. Eu mesmo ganhei uma camiseta da minha mãe, com uma bicicleta estampada e escrito em francês “Liberté”. E gosto bastante dela. Parece que quando se fala, usa, vê e até quando se lê bicicleta, as pessoas se tornam mais flexíveis e conseguem sorrir mais facilmente. Talvez por uma retomada aos tempos de criança, as possibilidades de brincadeiras sem compromissos com tempo e horário. No facebook, sempre tenho sido marcado em alguma postagem relacionado à bicicleta aos benefícios que traz neste estilo de vida em duas rodas. Fico bastante feliz e quero que continue, pois vejo que pessoas sorridentes estão, a cada dia que passa, me cercando e enchendo de motivação.
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Nesta semana, ocorreu um fato que me fez pensar um pouco sobre o que acontece quando nos dispomos a conhecer e viver coisas novas. Saber da cultura local e como as coisas acontecem ali, naquele espaço tão diferente do seu. E talvez seja o grande fetiche dos viajantes espalhados ao redor do mundo ou de você que, pacientemente lê este texto.
Sou estudante da Unicamp, e como em todas as universidades, pessoas jovens circulam com suas enormes cabeças que não compartam tantas ideias. O resultado disso é que as ideias transbordam e dão origem a atitudes, ações. Uma das atitudes mais interessantes que vi nesta universidade foi uma rádio comunitária, livre e aberta à participação de todos. Um ponto de encontro encravado no meio do campus, em localização de fácil acesso. Ao contrário do que muitos possam pensar, o estúdio da Rádio Muda (o nome é outra coisa incrível deste movimento), não fica em uma sala no alto de um prédio, isolado acusticamente e muito menos socialmente. A rádio se constituiu em um espaço em baixo da caixa d’água do campus.
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Mas o que isto tem a ver com bicicleta???? Ai que está. Da mesma forma que nós, pedalando pelas cidades e entre elas, nos colocamos numa situação de busca por um espaço para circulação e locomoção livre da insanidade do trânsito automotivo e pela criação e disseminação de uma maneira mais solidária de se relacionar com as pessoas e com o nosso meio urbano, uma rádio comunitária se lança nas estradas em busca de ondas para atingir e alimentar com informações de forma livre as pessoas, sua comunidade, criando possibilidades e utilizando de uma linguagem até então restrita aos grande agentes midiáticos. Numa escala bem menor do que os grandes meios de comunicação, as rádios comunitárias tem o poder de atingir um raio limitado (ou direcionado) à sua própria comunidade. Ou seja, é mais uma tentativa de pessoas que pensam em fazer o melhor para pessoas. SEM INTERESSES LUCRATIVOS. Nossa, quase falei um palavrão né? Imagine pessoas se disporem a criar uma programação para comunicação da comunidade e não vender nada em troca. É existe e é possível. Chama-se Rádio Livre!
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O que me fez escrever este texto nesta semana é o fato de que a Rádio Muda sofreu uma invasão na manhã de domingo (23 de fevereiro de 2014), onde o responsável apontado pela Reitoria, foi o Ministério Público Federal, que confiscou todo o equipamento de transmissão da Muda além de retirar móveis, quadros, tomadas e até as paredes internas, a porta e o batente. Esta foi a 4ª vez em quase 30 anos que a Rádio Muda sofre com confisco de seu equipamento mas, a primeira de forma tão intensa, perdendo também sua estrutura física. Somando a toda esta avalanche de absurdos, a reitoria da campus aproveitou e instituiu uma base da vigilância na sede da Rádio, colocando até uma placa informando a tomada do local.
Em resposta rápida, o coletivo e outras pessoas que se identificam com o projeto e assumem a importância da liberdade de circulação, comunicação, informação, retomaram o espaço no dia 24 de fevereiro e agora, segue um acampamento nos arredores da caixa d’água Muda em uma vigília de permanência no espaço.
Então, se você é adepto e/ou admirador da liberdade que a bicicleta proporciona, saiba que nossa liberdade de circulação (de informação e expressão) sofreu uma tentativa de ser tolhida dentro de uma universidade que também é sua pois é PÚBLICA.
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Fica aqui o endereço da Rádio Muda para vocês acompanharem essa retomada do nosso direito de viajar (em todos os sentidos que sua mente conseguir alcançar)
Abraços pedalantes!