Do susto à paixão pelos ingleses

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Bom no post anterior contei a vocês como foi o começo da minha vida aqui na Inglaterra, com aquele bruto choque cultural. Mas como diziam os sábios, depois da tempestade sempre vem a calmaria, e as coisas melhoraram. Brasileiro é um povo engraçado, falante em gênero, receptivo, alegre, que faz contato olho a olho, festeiro, apaixonado por uma boa comida, e uma boa música, correto? Pois bem, os Ingleses não podiam ser tão diferentes assim, ou podiam? Bom, assim como nós, eles também são um povo festeiro, apaixonado por comida, sentem falta do sol (mas quando o verão chega tudo muda), boa música, mas…. Aqui não se olha nos olhos como fazemos aí nesse Brasil de todos os santos. Mas eaí Veri, o que você fez para superar sua situação?

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Senta que lá vem história… Brasileiro sempre dá um jeitinho pra tudo né? Pois bem, eu também, mas de uma forma meio esquisita. Eu – toda ingênua e inocente – tinha mania e ainda tenho (menos) de trocar olhares na rua, no restaurante, no ônibus, na biblioteca, etc – não encarando as pessoas (ok…fiz algumas várias vezes hehe) mas porque estava curiosa para entender esse povo tão diferente de nós – mas aqui, as pessoas não fazem isso na rua com os estranhos. Mas eu, que não sabia disso, pensei com os meus próprios botões que se eles me vissem sempre, uma hora iam me reconhecer em uma festa, um pub, o que fosse. Pois bem, dito e feito, comecei a frequentar (porque precisava também) a biblioteca todo o santo dia, e com esse meu jeito brasileiro de ser, ficava observando as pessoas e olhando para elas. Algumas chamavam mais a minha atenção, obviamente a grande parte loiros e loiras de olhos claros peles claras, não tinha como resistir rsrs, e olhava nos olhos delas. Em uma das minhas bilionésimas vezes na biblioteca, um dos garotos sentado em uma mesa reparou e começou a olhar de volta. Ok, existia um flerte rolando, e aí ele e o amigo se desafiaram e quem eu encarasse mais iria chegar para falar comigo (eu não sabia ok?! Haha).
Eis que passado umas horas, o caboclo sentou-se de frente comigo, do outro lado da mesa, e se apresentou. Daí, anotei o telefone dele etc, saímos uma vez, nada demais e fui fazer uma pré na casa de um amigo dele, e conheci mais pessoas, etc.  Conheci também esses alunos de medicina, passado um tempo, não rolou nada x nada entre eu e esse garoto, mas ele foi a minha ponte com muitas outras pessoas.
Em nosso programa, havia um garoto americano que já estava em Oxford e morava no campus. Nós o conhecemos e finalmente eu e minhas amigas americanas criamos coragem de ligar para ele pra ver o que eles iam fazer. Então, saímos juntos aos britânicos pela primeira vez, sem saber muito o que esperar, e no fim das contas conhecemos bastante gente, e as coisas aqui começaram a melhorar. Descobri que os britânicos são mais difíceis de iniciar uma conversa com quem eles não conhecem, mas se você tenta e se mostra aberto, eles contribuem e a conversa sai.

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E ai é aquela história, você conhece e toda vez que encontra na balada, na biblioteca, pub, no restaurante/cafeteria, fala oi. E em uma dessas noites, no dia de Valentine’s Day, o que todas as pessoas solteiras fazem? Vão para a balada, e eu não fiz diferente e fui com a minha amiga de quarto, e lá encontrei com os estudantes de medicina que havia conhecido na minha primeira saida, e enquanto ela foi conversar com um garoto que achou bonito, eu fui falar com eles. Um grupo de estudantes de medicina, divertidíssimos, o qual conhecia 2 e eles estavam em 4, e conheci os outros dois, o qual um deles gostei no segundo que vi. No fim da balada, todo mundo trocou telefones para combinarmos mais baladas, e eu, destemida de tudo, resolvi fazer meus contatos com o garoto que gostei. Resumo da história, esse mesmo garoto que conheci dia 14.02.2013, namoro há quase um ano.

 

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Mas o que eu fazia era quando sabia de um evento, ligava para todo mundo que conhecia e convidava, e o mais engraçado, todo mundo ia! E assim, aprendi muito sobre os ingleses, me divertia horrores, e descobri que alguns cursos como humanas e medicina por exemplo, os estudantes são mais abertos e mais receptivos, então ficou mais fácil. E que não adianta ficar sentada em casa esperando um milagre acontecer e eles virem bater na sua porta! E de repente eu conhecia 70 alunos! Tá, sei que não é muito, mas para quem conhecia apenas 1, numa janela de 90 dias, foi um grande progresso. Vários deles ainda sou amiga, e através do meu namorado (os alunos de medicina são super receptivos e divertidos) conheci vários outros e no embalo apresentava as minhas amigas do meu programa, não na intenção de “troca-troca”, na amizade mesmo, pois uma vez conhecendo um é mais fácil entrar no grupo. Muitos virei super amiga – e as amizades de balada (mesmo que algumas vezes alterada) continuaram.
Mantive contato com todo mundo e hoje tenho meus próprios amigos.

O segredo é ser destemido, tomar iniciativa, não ficar apenas com brasileiros (caso existam vários – no meu caso, eu era a única), ir a eventos, se voluntariar para trabalhar em bailes de gala, jantares, seja brasileiro, se misture, seja desbravador, seja alegre, chegue para conversar (alguns não vão responder, mas a grande parte vai), mostre nossa cultura, comida, futebol, bebidas, e você vai descobrir que aquela lenda urbana sobre eles é apenas falta de coragem das pessoas.

Ah! Uma dica: durante a primavera/verão eles são SUPER ABERTOS e estão na rua o tempo todo, portanto mais acessíveis. Acho que o sol faz realmente diferença, afinal temos ele o ano todo literalmente, e deve ser isso que faz os brasileiros quem somos.

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Um beijo e até semana que vem!!!

  • Ana cristina

    Olá,tudo bem?
    Gostaria de te parabenizar,por relatar sua experiência é bem bacana,saber que não sou a única a se sentir estranha no início,estou sempre lendo seus realatos.
    É me identifico muito com eles.
    Super beijo,vou continuar acompanhando seus relatos

    • Ola Ana! Tudo bem sim e com voce?
      Muito obrigada, fico feliz que voce se identificou comigo, e no comeco ‘e bem diferente mesmo. Fico feliz que voce le e gosta! Prometo fazer mais para ter voce como leitora frequente. De sugestoes do que voce gostaria que eu falasse aqui sobre. Voce ainda esta por aqui?
      Beijos e volte sempre!