Pedalando Pelo Mundo – Muitas cidades e uma única bicicleta

bike 3Trim- trim… dá licença pra encostar a bicileta!

Pedalando entre uma cidade e outra, descobrimos que sempre somos estranhos desconhecidos chegando em terras alheias. Estranhos porque deslizamos sobre um veículo que não se sabe direito se tem roda ou o quê. É tanta bagagem ao lado da bicicleta que é inevitável o olhar, no mínimo suspeito. Desconhecidos, já que estamos prestes a entrar em uma cidade onde ninguém te conhece. E o “Terras alheias…” Talvez seja a parte mais preocupante. Você é desconhecido até que te conheçam e, por ser tão estranho, acreditem, logo passará a ser o centro das atenções na cidade. E isso pode gerar alguns incômodos. Então, uma estratégia interessante é sempre chegar nos lugares com calma, sentindo, respeitando, se entrosando.

É assim que inauguro esta coluna no Estevam Pelo Mundo. Dá licença de chegar moçada. Aos parceiros colunistas do blog, inspirações. Aos amigos leitores, saudações! E à todos nós, muitas emoções.

A ideia aqui é usar o espaço para dividir com vocês um pouco das minhas (in)experiências pelos cantos onde já me aventurei, confesso que deste país de onde escrevo, ainda nunca sai. Apesar disso, vivo com intensidade os sertões, enveredando nos rincões, caminhos, picadas, trilhas e atalhos deste imenso Brasil que guarda um povo com o coração maior que seu próprio território.

Sempre gostei muito da ideia de viajar, deslocar-se de um lugar para outro. Chegar e perceber que, embora falemos a mesma língua portuguesa, a variação linguística chega a dar vontade de pegar um dicionário pra entender o significado de tantas palavras e expressões diferentes.

Das transformações de vegetação, e de clima? Ah, ainda me lembro da primeira vez que fui para o estado do Paraná e vi as florestas de Araucárias. Aquelas árvores enormes, com os braços erguidos para o céu. Algumas balançavam acenando. Outras, mais sisudas poupavam os longos braços do esforço da saudação. A caatinga? Nossa, essa sim me marcou. Como pode existir um lugar deste, que esconde a vida na explosão monocromática de areia. Seco? É sim. Mas deixe só cair uma gota de água. É bicharada e planta aparecendo de onde menos se espera! Um grande geógrafo chamado Aziz Ab’Saber,  nos relatou que o semi árido brasileiro é a região semi árida mais densamente povoada do planeta, acredita? Bem, alguma coisa de especial tem ali. E tem mesmo…

bike 2

Mas, nessa história toda, comecei a buscar umas experiências diferentes em viagem. Então, o que considero de fato minha primeira viagem, foi para o show dos Rolling Stones que aconteceu na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, em 2006. Eu, com pouca grana, me lancei na estrada na melhor forma beatnik. Lendo Jack Kerouac e ouvindo blues ou, para “abrasileirar” a conversa, ouvindo os marginais do Rock-Rural que exaltavam a vida na estrada, segurando um violão e pedindo carona. E ouvi os conselhos, levantei o dedo na estrada e começaram as caronas! Viajar assim é viciante.

Só que um dia, conversando com uma amiga, ela me contou que foi de Campinas-SP para Ubatuba-SP (litoral paulista) de bicicleta. O que? Aproximadamente 400 km? Tive a reação que depois descobri que é a mais comum de todas: ”Você é louca?” Pronto, essa história nunca mais saiu da minha cabeça. Não teve jeito, tive que começar a cogitar esta possibilidade. Me organizei com a intenção de juntar uma grana para comprar uma bicicleta um pouco melhor do que a minha e que eu pudesse contar com ela sem dar problema ou me deixar na mão. Depois de um tempo e algumas negociações, comprei a bicicleta, parcelando-a com esforço em algumas vezes. A euforia e entusiasmo eram tão grandes que não cabiam em mim. Nunca foi tão gostoso pedalar pela cidade. Antes, com uma bike velha era uma delícia. Com a nova, era mágico! Eis que, um mês dando voltas, aconteceu comigo aquilo que nenhum ciclista quer passar e sinceramente, dá vontade de chorar. Roubaram minha bicicleta no bicicletário do restaurante universitário (Bandejão) durante o período do almoço. Mesmo com cadeado, conseguiram abrir. Pronto, agora estava feito. Sem a bicicleta e com mais 9 prestações pra pagar! É de rir pra não chorar né? Chega com essa históriazinha de viajar de bicicleta.

Bom, passei a perceber que a bicicleta não é apenas um meio de transporte nem uma opção de lazer ou modalidade esportiva. A bicicleta é, além de tudo isso, um instrumento de transformação. E não estou falando de poluição. É de generosidade das pessoas. Falo isso na sequencia trágica do roubo pelo que estava para acontecer, se liguem só. 

Meus amigos se reuniram, conversaram com minha família em Poços de Caldas, Três Corações, Varginha e Campinas, falaram com professores e colegas de faculdade, fizeram uma enorme vaquinha e adivinhem… Na festa de final do ano, no dia 06 de dezembro de 2011 me presentearam com uma nova bicicleta. É isso mesmo. Parece até aqueles programas de televisão né??? Mas não tem nada disso. O que aconteceu foi o início de grandes transformações na minha vida. E eu decidi que aquele era meu passaporte carimbado para começar a viajar de bicicleta. Era o mínimo que poderia fazer como retribuição daquele magnífico gesto de generosidade dos meus amigos e família. Sabe quando você é criança e ganha uma bicicleta? É isso mesmo…

Então, se vocês estão dispostos a pegar uma carona na garupa da minha bike, vamo que vamo… estarei todas as quartas feiras contando um pouco deste estilo de vida que assumi. Espero que gostem e comentem.

bike 4Trim- trim… dá licença pra encostar a bicileta!

Abraços pedalantes,

Philipe Branquinho.

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  • bruno

    Ae! Tava demorando pra rolar uma coluna de bike aqui. Curto muito pedalar, mas nunca viajei numa rsrrsr

  • Olá Philipe! Tudo bem? Muito bom o texto e melhor ainda a ideia de publicar textos de suas vivências com a bicicleta. Quero acompanhar e pedalar por aí… Sucesso. Boas pedaladas sempre.

  • josé medeiros maia

    Sou de Pirassununga/sp,53 anos,cicloviajante apaixonado por desbravar novos territórios,o ultimo foi Curitiba a Canela na serra gaucha em 10 dias e em maio o próximo desafio será Porto alegre a Montevidéo no Uruguay.Minha maê diz que é insanidade,mas para mim é a realização.Abraços:josé maia

  • MAXWELL GERALDI

    É isso aí, muito bacana!!!!

  • Neide – Admiradora.!

    Parabens Philipe Branquinho.

    Emocionante e admirável. Continue. Viajei com você.

  • Salve companheiros de estradas! é isso ai, agora toda quarta trarei parte de alguma história com o tema bicicleta!!!!
    Espero que gostem e continuem acompanhando! temos um MUUUUUUNDO à desbravar!

  • Adriano Antunes

    So seu fã brodher!!
    abraço,,,

  • Excelentes Pontos, ganhou mais um leitor